À conversa com Mohamed Abed, Vice-Presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL)

No âmbito do 50.º aniversário da CIL, o Portugal Post conversou com Mohamed Abed, vice-presidente da CIL, que nos recebeu na biblioteca da Mesquita de Lisboa. Fomos saber como se integra a CIL, e os muçulmanos, na sociedade portuguesa, quais são os laços que estabelece com a sociedade maioritária e com as outras religiões, e como se processa a vida na comunidade muçulmana em Lisboa, os seus rituais e as suas especificidades. Fomos também saber como foi há cinquenta anos atrás, no período antes da publicação da Lei sobre a Liberdade de Religião, que veio abrir a sociedade portuguesa a outras religiões. Mohamed Abed nasceu em Lourenço Marques, em Moçambique, e chegou a Portugal em 1975. O avô era natural da Índia, da região de Guzarat.

 

 

PP – Durante a comemoração do 50.º aniversário da CIL, falei com algumas pessoas na assistência, com Abdul Karim Vakil, e um sócio fundador que acompanhou o início da construção da Mesquita de Lisboa e me mostrou algumas fotografias da época. Falaram-me do financiamento da mesquita e fiquei surpreendida porque mencionaram a Arábia Saudita e o Irão, que professam vertentes muito diferentes do Islão e têm mesmo um diferendo político.

Procuramos ter uma atitude equidistante na relação com todos os países. Temos com todos eles uma proximidade: que é a religião, mas não misturamos a política. Quando iniciámos a construção da mesquita procurámos ter o apoio dos países islâmicos, numa primeira instância.

 

PP – Qualquer que fosse essa vertente?

Qualquer que fosse, desde que fosse muçulmano, mas tivemos também ajudas de pessoas não muçulmanas. Em termos das embaixadas, estivemos abertos a todos os apoios que nos quisessem dar. Independentemente de ser o Irão ou a Arábia Saudita. Tivemos também o apoio da Turquia, do Paquistão, do Omã, do Koweit, da Líbia e outros. Portanto, quase todos os países islâmicos nos ajudaram. A cedência do terreno foi feita em 1977 pela Câmara Municipal de Lisboa, em 1979 fizemos o lançamento da primeira pedra e em 1985 foi inaugurada a primeira fase que incluiu a sala onde se faz as abluções.

 

PP – Não é comum a comunidade islâmica, que tem muitas vertentes, estar unida numa só mesquita. Mas a minha questão é: se em 2018, os sunitas, os xiitas, os alevitas, os ismaelitas, entre outros, continuam a vir rezar a esta mesquita?

 

Continuam todos. E se falarmos dos países, posso dizer-lhe que, ainda recentemente, há cinco ou sete anos atrás, o Irão voltou a dar-nos apoio, através de uma instituição governamental: forneceram-nos os azulejos que cobrem a cúpula grande e a mais pequena, e o minarete, bem como o Mirabe (que é o sítio onde o Imame dirige as orações). A Qiblá é a orientação. A mesquita está orientada para Meca. Assim, em qualquer parte da mesquita sabemos em que direcção é Meca, porque ela já está virada nesse sentido.

 

PP – Mas nem sempre foi assim. No início rezava-se virado para Jerusalém (Al-Quds)?

A primeira orientação foi para a mesquita de Al-Aqsa (Jerusalém), porque segundo as nossas tradições, numa noite, o profeta fez uma viagem de Meca para Al-Aqsa, a Miraj. Depois recebeu-se a orientação que a Qiblá deveria ser para a região onde surgiu o Islão (onde foi revelado o Alcorão).

 

PP – Se um não muçulmano ler o Alcorão, só por si, vai perceber a cronologia e o contexto das revelações?

O Alcorão foi revelado ao longo de 23 anos. Portanto há fases em que o Alcorão foi revelado quando o Profeta esteve em Meca e outra parte quando esteve em Medina, e há partes que se completam entre si. Está feito numa certa ordem, mas requer bons conhecimentos e, essencialmente, ler as notas que estão no final da página. É lendo essas notas que vamos percebendo como os versículos se ligam com outros. Ler o Alcorão sem as notas que estão por baixo, por vezes, distorce e confunde as pessoas. E há outros complementos para nos situarmos.

 

PP – Isto quer dizer que só é possível compreender o Alcorão num contexto mais global.

É como a Bíblia. Quem ler a Bíblia como um livro normal, não chega a lado nenhum. Tal como a Tora. Os livros sagrados são livros revelados em determinados contextos e situações. Por isso é que há estudiosos que se debruçam sobre estes livros.

 

PP – Assim, se existir um versículo em que haja dúvidas, o que se faz?

Em primeiro lugar, fala-se com o Imame (o equivalente ao ministro de culto). Aqui falamos com o Sheik Munir.

 

PP – E qual a designação para o equivalente aos teólogos no Islão?

Nós chamamos Imames, e depois Sheik (tratamento respeitoso), acima daqueles há os Mufti, que decretam determinados procedimentos de acordo com o que lêem ou estudam.

 

PP – Voltemos à interpretação do Alcorão. Há cursos para orientar os jovens no Islão?

As pessoas fazem uma grande confusão quando se fala em Madraça, que quer dizer, Escola. É como se fosse uma escola de catequese. Quando se diz, «vou para a catequese», ninguém leva a mal. Normalmente estas escolas islâmicas estão ligadas às mesquitas.

 

PP - O que se faz nesta «catequese», digamos assim, para simplificar?

Antes de se chegar à leitura do Alcorão, há todo um processo que as pessoas têm de seguir. Aprendem o abecedário, alfabeto árabe, a ligação das palavras, como se estivessem na escola primária.

 

PP – E aprendem árabe também ou aprendem só a ler?

Há escolas mais avançadas que ensinam também o árabe. Mas em primeira instância é perceber o contexto do Alcorão e, posteriormente, ensinar o árabe.

 

PP – O Alcorão tem muito a ver com ler, recitar?

E memorizar. Os Imames memorizam o Alcorão. É uma coisa espantosa. Há crianças com sete, oito anos que já têm alguns capítulos memorizados. É espantoso como as pessoas têm esse dom.

 

PP – Qualquer pessoa que estiver interessada em aprender o Alcorão, mesmo não sendo muçulmana, poderá vir aqui à mesquita e inscrever-se num dos cursos?

Sim. O próprio Sheik Munir dá aulas de língua árabe. Têm que contactar a secretaria e devem fazê-lo logo no início dos cursos. Temos também o Sheik Zamir que apoia os convertidos.

 

PP – Há muitos convertidos em Portugal?

São alguns, um número interessante, mas não tenho números exactos.

 

PP – Na sua opinião, porque é que as pessoas se convertem ao Islão?

Tem a ver com o mundo interior das pessoas, e a família até pode não aprovar. As pessoas visitam a Mesquita, sabem o que fazemos, e podem chegar à conclusão que é isso que eles buscam.

 

PP – A conversão ao judaísmo só é possível pela via ortodoxa e o processo é longo. A conversão ao cristianismo também é longa e complexa. Demora pelo menos um ano com aulas de catequese. Como é que é no Islão?

Os princípios são todos semelhantes. A pessoa têm que se informar, conhecer a realidade. Tem que haver bases e conhecimentos para decidir, e a vontade própria de se converter.

 

PP – O que é que as pessoas têm de fazer para se converterem ao Islão?

Além de conhecer, têm de acreditar na existência de um só Deus e que o Profeta Maomé é o mensageiro de Deus. Têm também de conhecer e cumprir os cinco pilares do Islão, que são: a profissão de fé, a oração, a caridade, o jejum, a peregrinação a Meca. Esta é obrigatória, mas apenas para aqueles que tenham meios para fazer essa viagem. Não se pode pedir um financiamento para fazer a peregrinação, porque se pode estar a pôr em causa a subsistência familiar. Isso não é aceitável.

 

PP – É verdade que quem disser três vezes que «Deus é único e que Maomé é o seu Profeta», perante três testemunhas, passa a ser muçulmano?

Isso é a Profissão de Fé que só é feita depois de se ter adquirido todos os conhecimentos necessários.

 

PP – A comunidade islâmica mudou bastante desde os anos 60. Como descreveria hoje a comunidade muçulmana de Lisboa?

A Comunidade Islâmica em Lisboa foi fundada em 1968 por estudantes vindos das ex-colónias, particularmente Moçambique. Retratando a época: Moçambique era Portugal, com cultura e língua portuguesas. A nossa maneira de ser e estar não se diferenciava muito de Portugal Continental, embora não soubéssemos como era. Pela mostra do contacto que tínhamos com as pessoas que iam daqui para Moçambique, não eram diferentes de nós. Naturalmente, nos anos 60, era uma religião estranha. Portugal era um país fechado, vivia-se num contexto essencialmente católico. Não havia liberdade para os outros cultos. Posso dizer que nesses anos não terá sido fácil as pessoas praticarem a sua religião. É curioso que, em 1966, já houve um grupo de 10 pessoas, entre os quais 5 cristãos, que pediram ao Estado a construção de uma mesquita para as pessoas muçulmanas. Isto só foi possível depois do 25 de Abril, porque o país não podia continuar fechado sobre si próprio, ademais estando na Europa, e com a vinda de muitas embaixadas de países muçulmanos e o estabelecimento de relações comerciais e políticas com esses países, Portugal abriu.

O primeiro presidente da CIL, e primeiro sócio, foi o Senhor Suleiman Valy Mamede que, na altura, esteve ligado ao PSD.

 

PP – A imigração do subcontinente indiano tem tido impacto na comunidade?

Eu gostava de responder como quando mencionou há bocado o Irão e a Arábia Saudita. Esta mesquita está aberta a todas a tendências. Aliás, basta ver a quantidade de pessoas que vêm à sexta-feira: magrebinos, tunisinos, egípcios, africanos, membros do corpo diplomático. Existe uma pequena comunidade xiita e muitos deles vêm cá fazer as suas orações, sem problemas. E nós também podemos ir ao lugar de culto deles. Nos dias do Eid (festas religiosas) vêm também alguns ismaelitas fazer a oração connosco. No lugar de culto dos bangladeshianos só se vê pessoas do Bangladesh, mas isso porque eles moram na zona do Martim Moniz. Nós somos mais abertos porque não temos uma maioria específica nesta zona da cidade.

 

PP – Quantas mesquitas há em Portugal?

Em todo o país temos cerca de 53 mesquitas e lugares de culto. Em Lisboa temos 2 mesquitas, a nossa e a do Bangladesh, e pequenos lugares de culto.

 

PP – Como descreveria o relacionamento com os portugueses da religião maioritária hoje em dia?

Podemos dizer que nós podemos ser um exemplo para a Europa na questão da convivência entre as religiões, porque existe um bom entendimento entre todos, também com a comunidade judaica, que é pequena. Esse entendimento estende-se não só pelas cúpulas, mas mesmo pelas massas. Estamos completamente integrados e não sentimos que sejamos marginalizados. Haverá alguns sinónimos de racismo ou xenofobia muito pontual. Os políticos que vieram à comemoração do nosso 50.º aniversário referiram a nossa boa integração e convivência e, por isso, fomos agraciados com a Ordem da Liberdade.

Através do pequeno vídeo, que chamámos «Momentos da CIL», pode observar-se o nível de actividade que temos e como estamos integrados na sociedade. Temos vários tipos de actividades, por exemplo: as visitas de alunos das escolas. Todos os anos, passam por aqui cerca de 8 mil estudantes que visitam a mesquita. Também aproveitam para visitar a Sinagoga e o Templo hindu, precisamente para adquirir conhecimentos sobre religião. E também há grupos organizados de adultos que vêm visitar a mesquita.

Também organizamos Tertúlias. Fizemos uma parceria com a Universidade Lusófona, e todas as primeiras terças-feiras do mês procuramos ter uma tertúlia. Essa tertúlia não trata só da vertente religiosa, mas ainda de temas de interesse geral, nacional e internacional.

 

PP – Pode dar um exemplo?

Homenageámos Mário Soares, e já falámos sobre o autoproclamado Estado Islâmico, o tráfico de seres humanos, a mutilação genital feminina. A última é uma tradição cultural, que é muito praticada nos países africanos, especialmente na Guiné-Bissau, Guiné Conacri e Senegal. E tivemos pessoas africanas a falar sobre isso nesse debate. Mas também os não-muçulmanos dessas zonas, por uma questão cultural, praticam isso. É uma questão cultural e tribal. O Islão repudia isso e não consta do Alcorão. Falámos também sobre a Lei da Liberdade Religiosa, o Papa, a banca islâmica. Entre os oradores, passaram por cá, Jorge Sampaio, Vera Jardim, Guilherme de Oliveira Martins, o constitucionalista Jorge Bacelar, pessoas ligadas à OSCOT (Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), entre outros.

 

PP – Que outras actividades tem a CIL na Mesquita?

Temos parcerias no campo desportivo: com o Sporting Club de Portugal, que usa o nosso pavilhão para os treinos da formação de basquetebol; e com a Universidade Nova que usa as nossas instalações para os treinos para o campeonato universitário.

Em 2005, começámos uma campanha designada por «Almoço de Natal» para idosos e carenciados, muçulmanos e não-muçulmanos. O ano passado tivemos aqui cerca de 600 pessoas. Este trabalho é feito com voluntários: estiveram connosco os jovens da Universidade Nova, do Sporting, pessoas de outras igrejas, também jovens mórmons. Em 2010, iniciámos outra campanha que é «Sopa para todos». Todas as semanas preparamos sopa para as pessoas e o ano passado servimos cerca de 12 mil refeições.

 

PP – Como é que avaliam se as pessoas são carenciadas?

Para o almoço de Natal, as pessoas inscrevem-se na Junta de Freguesia, para se controlar e, essencialmente, para se planear a distribuição de um cabaz, por família, com alimentos de primeira necessidade. O ano passado distribuímos cerca de 200 cabazes. Na Sopa para todos, as pessoas entram, nós não perguntamos.

 

 

PP – E como financiam esta distribuição? Através do Zaqat?

Não, através dos membros da CIL, que vão dando o que acham que devem dar. E há também pessoas que não são muçulmanas que também contribuem. O Zaqat é uma caridade destinada a pessoas muçulmanas e é um dos pilares do Islão. Temos a comissão do Zaqat que gere esse valor para as pessoas necessitadas. Também há pessoas que têm uma verba excedentária, e não de Zaqat, e com essa verba ajudamos as pessoas não-muçulmanas. No contexto de Zaqat, no ano passado, foram distribuídos 110 toneladas de alimentos.

 

PP – Como é o relacionamento da CIL com as instituições?

O nosso trabalho e o contacto com as instituições é paradigmático para a Europa. Mas mantemos um low-profile e não apregoamos a caridade que fazemos. Fazemos parte de organizações humanitárias, por exemplo, a PAR, a Plataforma de apoio aos Refugiados, um movimento da sociedade civil. O governo achou este projecto muito interessante e também apoia. Fazemos também parte de um grupo de trabalho para o diálogo inter-religioso que opera debaixo da alçada do ACM (Alto Comissariado das Migrações) e nesses grupos estão inscritas quase todas as confissões religiosas. São cerca de quinze confissões diferentes a trabalhar juntas.

 

PP – Convidam pessoas de outras religiões para o iftar durante o Ramadão?

No mês de Ramadão, há um dia em que partilhamos o iftar com as outras confissões religiosas. O iftar é a refeição de quebra do jejum depois do pôr-do-sol.

 

PP – A seguir ao Ramadão vem a peregrinação a Meca e o Kurban. Poderia explicar do que se trata?

Temos a festa do fim do Ramadão que é pública e a peregrinação a Meca. Há um factor que as pessoas desconhecem, que é o Kurban, uma prática obrigatória na altura da peregrinação, o hadj, e que está ligada ao momento em que Abraão é instruído por Deus para sacrificar o seu filho. Na altura de o sacrificar foi substituído por um cordeiro. Nessa altura, todas as pessoas que tenham condições para tal, depois da peregrinação, têm que sacrificar um animal, e cortá-lo em três partes: um terço é para a pessoa que encomenda o Kurban, e a sua família, outro terço para os amigos, e um terço para os pobres. Aquilo que é para os pobres não pode ser desviado para outros fins. É possível abdicar dos outros dois terços a favor das pessoas pobres. Imagine que estamos a falar de 1,3 ou 1,5 mil milhões de pessoas muçulmanas, tirando as crianças, se 75 por cento desse número seguir religiosamente essa prática, já pensou na quantidade de carne que é distribuída pelas pessoas necessitadas?

 

PP – Pode ser um animal qualquer: uma vaca, um carneiro?

No Médio Oriente, por exemplo, na Arábia Saudita, são os camelos. Aqui poderá ser uma vaca.

 

PP – Mas um animal grande é muito caro?

Mas podem juntar-se em famílias. Se for um animal, como um borrego ou um cabrito, é um por cabeça. Se for uma vaca, podem juntar-se sete pessoas. Nós aqui facultamos esse serviço à população. O ano passado abatemos 52 borregos e 4 vacas. Dividimos por sacos de 1,2 kg e tivemos cerca de 1 tonelada de carne.

Temos duas festas de Eid, o Eid al Fitr, que é comemorado no final do mês do Ramadão, e o Eid al Adha, que se celebra no final da peregrinação a Meca. No Eid al Fitr, antes da oração da manhã, as pessoas que podem contribuem com 1 ou 2 kg de arroz ou de trigo para que as pessoas necessitadas tenham uma refeição mais condigna. No Eid al Adha, depois da peregrinação, temos 3 dias para fazer o Kurban. No último fizemos 700 pacotes e dividimos pelas pessoas necessitadas, muçulmanas e não-muçulmanas. Se cada família tiver 4 pessoas, 2800 pessoas conseguem comer carne.  Este é um aspecto social que merece ser destacado. Por exemplo, na Arábia Saudita, a carne é enlatada e enviada para os países mais necessitados.

 

PP – E relativamente à radicalização de jovens em Portugal, tem tido alguma informação?

Por aquilo que me apercebo, mas não posso falar do que vai acontecer amanhã, não temos tido esse problema.

Não me interprete mal, mas essa questão surgiu porque o Ocidente também tem culpa no cartório. Porque há um sentimento de revolta pelo tratamento que é dado a situações internacionais. Por exemplo, o caso de Israel e da Palestina. Os palestinos agarram uma pedra e lançam-na contra um soldado e aparece logo um avião. Ora isto é desproporcional e gera revolta, e a comunidade internacional pactua com isto. Temos a questão da invasão do Iraque e da Líbia também. Mas porquê? Deixaram um campo aberto de revolta das pessoas. Em vez de criar melhores condições, estas pioraram.

 

PP – Imagino que quando veio para Portugal não havia alimentos «halal»?

Eu cheguei em 1975 e, nessa altura, pouco se conhecia da nossa religião. Como eu não bebia, um amigo meu disse-me que se eu dissesse que não bebia por questões religiosas ninguém iria compreender. Tive que dizer que sofria do fígado e não podia beber álcool. Hoje em dia as pessoas estão mais informadas. Na altura era um insulto recusar um copo de vinho.

E não havia alimentos halal. Mas nós podemos consumir «kosher», e os judeus até são mais exigentes do que nós. Hoje em dia há facilidade em adquirir alimentos halal. A CIL faz parte do Instituto Halal de Portugal e trabalhamos na questão do halal. Eu faço auditoria nos matadouros que se disponibilizaram a fazer abate halal. Tem que haver pessoas muçulmanas a quem damos formação para fazer o abate segundo as exigências halal e a partir daí, nos matadouros de aves, cabritos, gado ovino e bovino. E fazemos com alguma regularidade as visitas. Não vamos todos os dias, porque o mercado halal é de bastante confiança. Se as pessoas com conhecimentos destas regras querem aderir a este processo, têm que ser pessoas credíveis.

 

PP – E quais são as regras «halal» em geral?

O Alcorão diz que «não se pode tirar a vida a nenhum ser vivo». Deus criou os animais em duas situações: para servir como animal de carga, de trabalho, e também para a nossa alimentação. Mas para tirarmos a vida temos que sacrificar em nome de Deus (recitação do tasmiyah por um muçulmano). Os cristãos também faziam isso, depois deixaram de o fazer. Os judeus mantêm-no e nós também. Portanto, tem que ser uma pessoa muçulmana, o animal tem que estar vivo antes do abate, e tem que se cortar as veias e as artérias para sangrar totalmente, e é nisto, essencialmente, que consta o halal. Nós damos formação e depois acompanhamos. Aliás foi elaborada uma norma portuguesa de alimentação halal pelo Instituto Português de Qualidade, em que intervém também a DGAV (Direcção Geral de Agricultura e Veterinária), e representantes da restauração e das indústrias transformadoras. Basta seguir as normas portuguesas de alimentação halal, publicadas em Março deste ano (2018).

 

PP – Há cemitérios muçulmanos em Portugal?

Há talhões muçulmanos dentro dos cemitérios. E temos um talhão considerável no cemitério do Lumiar. Em Feijó e Odivelas são apenas as pessoas recenseadas nessas freguesias que podem aí ser enterradas. O cemitério do Lumiar é nacional. Qualquer pessoa muçulmana pode ser aí enterrada sem qualquer tipo de exigência.

 

PP – Há agências funerárias muçulmanas?

Mas qual é o serviço que uma agência funerária presta? Transportar o falecido de casa ou do hospital para a mesquita e depois para o cemitério, apenas. Por isso, no caso dos muçulmanos, a lavagem ritual é feita pelas pessoas da família ou por uma comissão que a comunidade tem e que disponibiliza. De acordo com a nossa tradição, quando alguém morre, deve ser enterrado o mais depressa possível. No Médio Oriente e nos países africanos, os mortos são enterrados passado uma hora, na Europa devem decorrer 24 horas. Fazemos o velório na mesquita. O corpo é lavado. Se for uma mulher, é lavado pelas mulheres da família ou mulheres da comissão, sendo um homem é pelos homens. Por fim, o corpo é embrulhado numa mortalha branca e no cemitério é retirado do caixão e põe-se em contacto com a terra. Numa primeira instância, o corpo é protegido com traves de madeira, para não dar a impressão que a terra está a cair em cima do morto.

 

No final da entrevista, o Senhor Mohamed Abed teve ainda a gentileza de mostrar a sala da mesquita onde são feitas as lavagens rituais dos mortos. Umas correntes com roldanas, colocadas em ambos os lados da sala, permitem elevar os corpos, dado que, no caso de pessoas mais corpulentas, é difícil movê-las, principalmente no caso das mulheres. Os mortos são deitados numas bancadas onde são lavados, sempre cobertos por seis ou sete lençóis, nunca ficando nus. Também mostrou a sala das abluções, onde se fazem as lavagens rituais antes da oração do dia, e uma pequena sala adjacente, com prateleiras de madeira, onde os crentes deixam os sapatos antes de entrar no local de oração da mesquita.

 

 

Cristina Dangerfield 


Colectânea de contos:  Livro "Contos da emigração, homens que sofrem de sonhos” Nas livrarias a partir do dia 21 de Março

A literatura recente está em dívida para com a emigração, dívida essa que poderá ser em parte corrigida com a publicação de uma colectânea de contos da emigração pela Oxalá Editora. Paulo Pisco, deputado eleito pelas comunidades portuguesa na Europa prefacia esta colectânea de contos, e sobre estas histórias escreve.

mais...


Cientistas portugueses andam por 84 países, Reino Unido lidera e mulheres também

Os cientistas portugueses no estrangeiro espalham-se por 84 países, sendo que o "cientista tipo" será uma mulher investigadora doutorada da área das Ciências Naturais, de 36 anos, que passa 38 meses no Reino Unido.

O "retrato robot" é feito juntando as médias e os números mais relevantes de um estudo que junta cientistas agrupados numa plataforma na internet, que é hoje apresentado e a cujos dados a Lusa teve acesso.

Os dados são sobre quem são, onde estão e o que fazem os cientistas portugueses no mundo e são hoje conhecidos numa conferência sobre "Ciência Portuguesa pelo Mundo", no âmbito do primeiro ano da rede GPS (Global Portuguese Scientists), uma plataforma digital que junta cientistas, especialmente na diáspora, criada por iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

mais...


Greve/professores: Docentes de Ensino do Português no Estrangeiro aderem à greve

Teresa Soares - Sindicado dos Professores nas Comunidades Lusíadas
Teresa Soares - Sindicado dos Professores nas Comunidades Lusíadas

Os professores do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) vão aderir à greve dos professores, na quarta-feira, convocada por várias federações de sindicatos em Portugal, anunciou hoje o Sindicado dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL), em comunicado.

“No próximo dia 15 de novembro os professores do EPE no âmbito da Europa estarão em greve para demonstrar a sua indignação relativamente à decisão do Governo de ignorar deliberadamente quase dez anos de carreira docente (…)”, lê-se na nota do SPCL.

O sindicato referiu que esta decisão do Governo “tornará praticamente nulo o descongelamento de carreira prometido e concedido a todos os outros funcionários da Administração Pública, excetuando os professores, que se vêm tratados como inferiores, sendo alvo de um ato de discriminação negativa inaceitável”.

mais...


Conselho das Comunidades Portuguesas terá

A verba governamental destinada ao Conselho das Comunidade Portuguesas (CCP) irá receber um reforço para o ano de 2018, anunciou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

“O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, assumiu este compromisso. Para o ano de 2018 vamos ter um reforço dos meios financeiros destinados ao CCP”, afirmou à agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

José Luís Carneiro disse que este é “um reforço com algum significado no conjunto deste valor (100 mil euros, atual orçamento do CCP)”, mas escusou-se a avançar a verba, justificando que está a decorrer a discussão do Orçamento do Estado no parlamento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros vai ao parlamento esta semana no âmbito do debate do Orçamento do Estado de 2018.

Ler desenvolvimento na próxima edição


Portugal tem maiores remessas de emigrantes da UE - Eurostat

 

Portugal, com um total de 3.343 milhões de euros, tem o maior saldo entre os Estados-membros da União Europeia (UE) de verbas provenientes de pessoas residentes fora do país, divulga o Eurostat.

Num total de 24.064 milhões de fluxos de emigrantes na UE, Portugal tem a maior ‘fatia’ (3.343), seguindo-se a Polónia (3.014), o Reino Unido (2.454) e a Roménia (2.449 mil milhões de euros), segundo dados de 2016.

Ler desenvolvimento na próxima edição


Novo presidente do Camões pede envolvimento de vários ministérios nas competências do instituto

O novo presidente do instituto Camões, Luís Faro Ramos, exortou

"todo o Ministério dos Negócios Estrangeiros" bem como vários outros ministérios a assumirem "como centrais" as áreas da cultura e língua portuguesa e da cooperação.

"Se considerarmos que os temas que ocupam o Camões são centrais no contexto da política externa de Portugal, então assim devem ser assumidos por todo o universo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como nas respetivas áreas de responsabilidade, por outros ministérios relevantes para essa política externa, desde logo os chamados ministérios de soberania, Defesa, Administração Interna e Justiça, mas também outros, como Cultura, Economia, Educação, Ciência e Tecnologia ou Ensino Superior", sustentou Luís Faro Ramos.

mais...


“A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, com edição inédita em alemão

O conto “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi traduzido para alemão por Isabel Remer e foi publicado este mês numa edição bilingue pela Oxalá Editora.

O autor da capa é o pintor alemão Tobias Killguss.

“O livro vai ser lançado oficialmente em meados de novembro. É a primeira vez que o célebre conto da escritora portuguesa é traduzido para a língua alemã”, afirma a editora Oxalá, em comunicado enviado à agência Lusa.

“A Menina do Mar” é “um dos contos infantis mais conhecidos da escritora". "Há muitos anos que os alunos portugueses o leem na escola” afirma a editora, recordando que a obra faz parte da lista do Plano Nacional de Leitura.

mais...



Incêndios: Casal de lusodescendentes percorreu 1.570 quilómetros com bens para vítimas

Foto: Lusojornal, cortesia
Foto: Lusojornal, cortesia

Um casal de lusodescendentes residentes na região de Paris conduziu, ao longo de 1.570 quilómetros, uma carrinha carregada de roupa, mantas, calçado, brinquedos e bicicletas dos filhos para entregarem às vítimas dos fogos no concelho de Seia.

Georges Ferreira e Mélanie Alves, que moram na cidade de Chambly, a cerca de 60 quilómetros a norte de Paris, tiraram uma semana de "férias forçadas" para irem ajudar a sua terra a bordo de uma carrinha com um cartaz em que se lê "Solidarité Incendie -France Portugal - Solidariedade Incêndio".

"Nós, emigrantes lá fora, estamos sempre perto do nosso povo aqui em Portugal. Ouvimos falar dos incêndios na minha terra. Começámos a falar há uma semana com uns amigos, pusemos um anúncio no Facebook, as pessoas começaram a doar muita roupa, calçado. Na quinta-feira andámos na recolha e viemos na sexta para baixo", explicou Georges Ferreira à Lusa.

mais


PSD questiona Governo sobre agravamento das dificuldades de atendimento em consulados

Os deputados do PSD questionaram hoje o Governo sobre o agravamento das dificuldades de atendimento em muitos consulados e pretendem saber quais as medidas que serão tomadas para resolver esta questão que afeta sobretudo a diáspora portuguesa.

Numa pergunta enviada ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, os deputados do PSD eleitos pelo círculo da Emigração – José Cesário, Carlos Gonçalves e Carlos Páscoa Gonçalves - alertaram que nos últimos meses tornou-se evidente “o agravamento das dificuldades de atendimento em grande parte dos postos da rede consular portuguesa um pouco por todo o mundo”.

mais...


Publicidade
Publicidade

MNE: Portugueses mostram como é possível boa integração sem violar identidade dos migrantes

Foto:PP
Foto:PP

O ministro dos Negócios Estrangeiros deu hoje o exemplo da facilidade de integração dos emigrantes portugueses para defender que é possível, em Portugal, acolher migrantes “sem que a sua identidade seja violada”.

As comunidades portugueses são “bem integradas e não tiveram de sacrificar nenhum elemento da sua identidade originária”, disse hoje Augusto Santos Silva, intervindo numa conferência de dois dias sobre migrações e relações interculturais, organizada pela Universidade Aberta.

mais...


Romance “A noite não é eterna” de Ana Cristina Silva vence Prémio Fernando Namora

O romance “A noite não é eterna”, de Ana Cristina Silva, venceu por unanimidade o Prémio Literário Fernando Namora, com o valor pecuniário de 15 mil euros, anunciou hoje a Estoril-Sol.

Em ata, à qual a agência Lusa teve acesso, o júri salienta que o décimo romance de Ana Cristina Silva trata-se de “uma obra que se articula a partir da realidade social, política e humana das crianças romenas, e das suas famílias, no período da ditadura de Nicolae Ceausescu”, na Roménia.

O júri realça que o romance é “uma belíssima composição narrativa com linguagem sóbria e cuidada, que valoriza em particular a narrativa de um drama pungente, num quadro político sufocante e obsessivo”.

“É uma história construída sobre os labirintos da tirania”, remata.

mais...


Dias negros, noites sinistras. As palavras já estão gastas.

As fotos são da Lusa.


Quando dei boleia a José Sócrates

Sob a espada

Foto: Miguel Szymanski / PP
Foto: Miguel Szymanski / PP

Separa-se o poder do homem político, poder para um lado, homem para o outro, e sobra muito pouco. A história está cheia de napoleões em ilhas remotas, reais ou metafóricas. Sentado na minha carrinha - uma Peugeot já entrada nos anos com duas cadeiras de criança no banco de trás e estofos sujos de pelo de cão- o ex-primeiro-ministro gesticula. Estamos em finais de Julho e faz calor. José Sócrates, sentado ao meu lado, está transtornado. “Não podem fazer isso!”, bate com as palmas das mãos no tablier do carro, as mangas do blazer sobem-lhe pelos antebraços com a violência dos gestos. “Isto é uma farsa, é indigno”, diz.

Durante o trajecto pelas avenidas de na zona do Parque das Nações, a antiga Expo 98, Sócrates tem dois ataques de fúria de média dimensão. O tema: ele, o seu processo, o que resta dele.

mais...


Operação Marquês: Sócrates permitiu beneficios comerciais ao grupo Lena, Santos Silva foi intermediário

O Ministério Público, que hoje acusou José Sócrates de corrupção, considera que o ex-primeiro-ministro, na qualidade de chefe do Governo e após cessar funções, permitiu a obtenção de benefícios comerciais ao Grupo Lena e que Carlos Santos Silva interveio como intermediário.

O MP, que deduziu acusação contra 28 arguidos da 'Operação Marquês', refere, no despacho, que Sócrates, “na qualidade de primeiro-ministro e também após a cessação dessas funções, permitiu a obtenção, por parte do Grupo Lena, de benefícios comerciais” e que Carlos Santos Silva “interveio como intermediário de José Sócrates em todos os contactos com o referido grupo”.

A troco desses benefícios, refere o MP, e em representação do Grupo Lena, o arguido Joaquim Barroca aceitou efetuar pagamentos, em primeiro lugar para a esfera de Carlos Santos Silva, mas que eram destinados a José Sócrates.

mais...


Editores portugueses confiantes na Feira do Livro de Frankfurt

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) está confiante nos resultados da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, que abre quarta-feira, “apesar de o volume de negócios não ser o que era há dez anos”.

Em declarações à Lusa, Bruno Pacheco, da APEL, declarou que "Portugal tem este ano, uma participação, antes de mais muito bem localizada, na vizinhança do país-tema, que é a França”, o que poderá gerar impacto indireto, para além de “um pavilhão renovado e com uma participação de editores portugueses que tem vindo a crescer nos últimos dois anos”.

No pavilhão de Portugal, de 120 metros quadrados, estão representadas 44 chancelas portuguesas.

mais...

Publicidade
Publicidade

Português que ganhou eleições no Luxemburgo não quer ser burgomestre

Um emigrante de Vila Pouca de Aguiar ganhou as eleições municipais numa pequena localidade do Luxemburgo, um feito histórico para os portugueses no país, mas decidiu que não vai assumir o cargo por receio de não estar à altura.

José Vaz do Rio, que ganhou no domingo as eleições em Bettendorf, decidiu renunciar ao cargo, assumindo em vez disso o segundo lugar no executivo camarário, o de primeiro vereador.

A quarta classificada, a advogada Pascale Hansen, foi nomeada burgomestre, durante a primeira reunião da autarquia para formalizar as nomeações, foi hoje anunciado em comunicado.

 O português, que tem dupla nacionalidade, disse à Lusa que a decisão "é para o bem da autarquia" e invocou "várias razões".

mais...


Português vence eleições locais e pode ser primeiro burgomestre eleito do Luxemburgo

Um emigrante de Vila Pouca de Aguiar venceu hoje as eleições municipais em Bettendorf, uma pequena localidade no nordeste do Luxemburgo, e pode vir a ser o primeiro burgomestre português no país.

José Vaz do Rio já era conselheiro municipal em Bettendorf desde as últimas eleições, em 2011, ocasião em que ficou em quinto lugar.

Agora, venceu as eleições, com 588 votos - deixando em terceiro lugar o atual burgomestre, Albert Back, com 553 votos -, mas para já é cauteloso.

"Vamos ver. Ainda vamos ter uma reunião, tudo é possível", disse à Lusa, explicando que os nove eleitos deverão ainda realizar uma votação para formalizar as nomeações para os cargos no executivo camarário.

mais...


Incêndios: 35 casas com obra concluída

O Fundo Revita, criado para gerir os donativos para as vítimas dos incêndios na zona Centro, já recolheu mais de 3,7 milhões de euros de donativos e, das 205 habitações que precisavam de reconstrução, 35 estão concluídas.

Segundo o primeiro relatório trimestral disponível na página da internet do Fundo Revita, até 30 de setembro aderiram 35 entidades, com donativos em dinheiro, em bens e prestação de serviços, tendo doado um total em dinheiro que ascende a 3.787.590,31 euros.

Para garantir a eficiência na distribuição de donativos, foram criados protocolos com diversas entidades, como a Cáritas Diocesana de Coimbra e a União das Misericórdias Portuguesas, em conjunto com a Fundação Calouste Gulbenkian, que agregam outros donativos e são responsáveis pela sua gestão.

mais...



REPORTAGEM

Pedrógão Grande: António perdeu os filhos e recebeu primeiro cheque de emigrantes nos EUA

Foto: Lusa
Foto: Lusa

António Nunes, perdeu os dois filhos, a nora e um vizinho, no incêndio que começou em junho, em Pedrógão Grande, e foi o primeiro a receber um cheque do total de 180 mil euros, distribuídos hoje por emigrantes portugueses.

Um grupo de emigrantes portugueses nos Estados Unidos da América (EUA), liderado por Jack Costa, José Carlos Brito e Elsa da Silva, recolheu solidariamente 200 mil dólares (178 mil euros), no âmbito da campanha "Todos Juntos por Portugal" que começaram a distribuir este sábado pelas vítimas dos incêndios de junho.

A primeira paragem estava marcada para as 09:30, no quartel dos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pera.

mais...


Cientistas portugueses dão mais um passo no tratamento da doença de Parkinson

Tiago Outeiro, que liderou o grupo de investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, estuda desde 2007 as moléculas relacionadas com a doença de Parkinson e foi avançando na sua identificação, e com este trabalho.

mais...

PP entrevista Tiago Outeiro

Professor e Director do Departamento de Neurodegeneração da Universidade de Göttingen

 

ler entrevista...



Ex-editora da Berlinda inicia Tertúlias em Lisboa

Inês Thomas Almeida é uma mulher que não pára e para onde vai faz a diferença. Todos nos lembramos da energia que pôs no seu projecto, no «seu cavalo de batalha», a Berlinda, o magazine cultural transversal à língua portuguesa que criou do nada. O Portugal Post acompanhou-a logo no início com uma entrevista muito intimista sobre a ex-cantora lírica e os seus projectos para Berlim. Nessa altura, estava na forja o festival da Berlinda, um evento das culturas lusófonas, que realizou em Berlim com muito sucesso e que teve lugar entre 17 de Outubro e 17 de Novembro de 2012.

Entretanto, mudou de país e de rumo. Foi há pouco mais de um ano que Inês Thomas Almeida trocou Berlim por Lisboa e entregou a Berlinda a Tiago Pais, proprietário do espaço Sete Mares. Após umas merecidas férias de praia, Inês voltou em forma à capital e iniciou a primeira de um ciclo de Tertúlias da Calçada da Tapada. 

Foto-Legenda. Da direita para a esquerda: José Riço Direitinho, Inês Thomas Almeida,Cristina Dangerfield-Vogt, Rabino de Belmonte, Elisha Salas, Joana Rabinovitch, entre outros 

Cortesia de Inês Thomas Almeida

mais... 


Ryanair anuncia mais cancelamentos de voos programados entre novembro e março

A transportadora aérea irlandesa Ryanair anunciou hoje novos cancelamentos de voos entre novembro deste ano e março de 2018 que podem atingir quase 400.000 clientes, para eliminar qualquer risco de futuros cancelamentos.

Num comunicado, a Ryanair propõe aos passageiros afetados pela nova calendarização a marcação de novos voos ou reembolsos.

A maior companhia da Europa em número de passageiros já foi forçada a anular de forma inesperada 2.100 voos entre meados de setembro e finais de outubro, atingindo 315.000 clientes.

Hoje, a Ryanair anunciou que vai deixar de operar 25 aviões de um total de 400 entre novembro de 2017 e março de 2018, e menos 10 aviões de um total de 445 aviões a partir de abril de 2018.

mais...



Tancos/armas: Presidente ficou preocupado com relatório, mas já não está

O Presidente da República confessou hoje ter ficado com “uma preocupação legítima” com o relatório noticiado no sábado atribuído aos serviços de informações militares, mas que, depois das explicações, “deixou de ter razão de ser”.

“Aquilo que era uma preocupação legítima do Comandante Supremo das Forças Armadas deixou de ter razão de ser” depois de ter recebido as explicações do Estado-Maior-General das Forças Armadas e dos serviços de informações, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final da Festa do Livro, no Palácio de Belém, em Lisboa.

mais...


Refugiada encontra mala com 14 mil euros

 

A adolescente de 16 anos vive num abrigo em Berlim e encontrou a mala com dinheiro no metro.

 

 

Uma adolescente refugiada do Iraque, com 16 anos, entregou uma mala com 14 000 euros à polícia alemã. A rapariga encontrou a mala perdida, numa altura em que está a viver num abrigo para refugiados em Berlim. 

De acordo com a agência de notícias DPA, a jovem encontrou a mala no metro. 

Fonte policial disse que a proprietária da mala é uma mulher com 78 anos, que a esqueceu acidentalmente na carruagem. 

A lei alemã manda entregar até três por cento do valor dos itens valiosos que sejam devolvidos. 


Antologia de poesia lusa e alemã documenta história do século XX em rimas

Com a chancela da Tinta-da-China, esta antologia de 528 páginas, escritas em português e alemão, intitulada 'Às Vezes São Precisas Rimas Destas -- Poesia Política Portuguesa e de Expressão Alemã (1914-2014)', reúne mais de cem textos de quase cem poetas, traçando um panorama dos acontecimentos políticos desde a I Guerra Mundial até ao século XXI.

Luiza Neto Jorge, Sophia de Mello Breyner ANdresen, Ruy Belo, Fiama Hasse Pais Brandão, Natália Correia, José Gomes Ferreira, António José Forte, Ana Hatherly, Mário-Henrique Leiria, David Mourão-Ferreira, Almada Negreiros, Carlos de Oliveira, Alexandre O'Neill, Fernando Assis Pacheco, Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Miguel Torga, Vasco Graça Moura, José Afonso, Manuel Alegre, Eugénio de Andrade e Mário Cesariny são apenas alguns dos autores portugueses incluídos no livro.

mais...


Comissão Europeia pede a Ryanair para respeitar direitos dos passageiros

A Comissão Europeia pediu à Ryanair para "respeitar plenamente" os direitos dos passageiros, após a companhia aérea irlandesa ter anunciado na sexta-feira o cancelamento de 2.000 voos até finais de Outubro.

"Graças à União Europeia, todos os passageiros cujos voos foram anulados têm um conjunto de direitos no direito europeu", declarou hoje Violetta Bulc, comissária com o pelouro dos Transportes.

"Isso inclui o direito ao reembolso, ao reencaminhamento ou a um voo de regresso, bem como o direito a assistência e em determinadas circunstâncias o direito a indemnização", referiu Bulc em comunicado.

mais...


Empresa que representa Tony Carreira considera acusação de plágio “sem fundamento”

A Regi-Concerto, que representa e agencia Tony Carreira, considera “sem fundamento e insuscetível de perturbar” o trabalho do cantor a queixa que originou a acusação do Ministério Público (MP) de que plagiou 11 músicas de autores estrangeiros.

“Questões passadas de direitos autorais foram resolvidas em devido tempo com quem de direito. O Tony Carreira considera a queixa sem fundamento e insuscetível de perturbar o seu trabalho em prol de um público que o segue há 30 anos. Inicia-se agora a fase do processo em que o Tony Carreira terá oportunidade de se defender, o que fará serenamente, certo da razão que lhe assiste”, reage a empresa, em comunicado divulgado hoje na sua página oficial da rede social Facebook.

mais...


Teresa Soares, Secretária-geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas

Teresa Soares
Teresa Soares

 

"A propina só serviu para fazer desaparecer milhares de alunos"

 

O ensino do Português é uma das questões que mais preocupa a comunidade. Ainda há pouco tempo, em Março, realizou-se uma conferência com a presença dos mais altos responsáveis da diplomacia lusa na Alemanha e onde Teresa Soares, também presente, levantou questões que são tratadas nesta entrevista.  

mais...


Cristina Torrão
Cristina Torrão

Queremos mais crianças, ou não?

 

Todos conhecemos o problema do envelhecimento da população e estávamos convencidos de que seria irreversível. Maior foi o meu espanto ao constatar que a Alemanha enfrentará, em breve, uma falta de professores. Prevê-se um verdadeiro boom de alunos, nos próximos quinze anos: em 2025, haverá mais 4%, passando a 8% em 2030. Boa ou má notícia?

Em Portugal, toda a gente se queixa da falta de crianças e do fechamento de escolas, em dimensões que se podem considerar dramáticas em certas regiões do interior. Criam-se agrupamentos escolares cada vez maiores e descaracterizados e protestam os pais, cujos filhos têm de mudar para uma instituição de ensino longe de casa. Além disso, clama-se que haverá cada vez mais reformados, enquanto diminui o número de pessoas no ativo, o drama de uma Europa envelhecida, onde mal nascem crianças e as despesas com os cuidados aos mais velhos explodem.

mais...


Jovens portugueses nos EUA em risco com fim de programa que protege quem imigrou em criança

Foto: Reuters
Foto: Reuters

Um número indeterminado de jovens portugueses, que pode chegar às várias centenas, está em risco de deportação depois de Donald Trump ter decidido terminar com um programa que protege pessoas levadas para os EUA de forma ilegal em crianças.

Os EUA não divulgam o número de beneficiários por país do ‘Deferred Action for Childhood Arrivals' (DACA), mas organizações que prestam apoio a imigrantes portugueses em Rhode Island, Massachusetts, Nova Iorque, Nova Jérsia e Califórnia garantiram à Lusa que foi um programa muito popular nas suas comunidades.

mais...