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Todos no Pódio


Gonçalo Galvão Gomes

Cabeça de lista ao círculo Europa

nas eleições legislativas de 2015 e 2019


As presidenciais foram aquelas competições modernas em que todos os participantes levaram uma medalha. O Marcelo ganhou porque ganhou. A Ana Gomes celebrou vitória por ficar à frente de um indivíduo, que há poucos anos ninguém sabia quem era. André Ventura, o tal indivíduo, congratulou-se por ter conseguido muitos votos, apesar de ter ficado atrás de quem disse que não ficaria. O João Ferreira foi vitorioso no campeonato dos radicais de extrema-esquerda. A Marisa, depois de uma campanha desastrosa, ainda teve o êxito de ter ficado em quinto. O Tiago Mayan festejou um resultado de pouco mais de 3%. O Tino, que nem em Rans ganhou, ficou contente com o seu triunfo.


Por seu lado, os partidos também ganharam todos. O PS agarrou-se à vitória de Marcelo e Ana Gomes. O PSD celebrou Marcelo. O CDS emergiu para também se colar a Marcelo. O PAN veio de imediato clamar o resultado de Ana Gomes. A IL vangloriou-se de ter aumentado a votação face às legislativas. O partido unipessoal de extrema direita fez festa. O PCP não conseguiu falar em derrota, apesar de ter sido cilindrado no “seu” Alentejo. O BE, considerou a campanha um sucesso, porque “trouxe o serviço nacional de saúde para a agenda”.


Claro que na prática, a história foi diferente. Existiram vencedores e vencidos. Derrotas pequenas e enormes derrotados, mas isso pouco interessa. Portugal habituou-se a viver das vitórias morais.


O que não pode ser considerada uma vitória, e muito menos moral, é a chegada do país ao pódio mundial, com uma das maiores taxas de infeção de Covid19 (novos casos por 100.00 pessoas). Como qualquer humano com idade superior a 6 meses se lembrará, até há bem pouco tempo, quando um país atingia um número para além do aceitável em termos de infeções, os respetivos governos eram responsabilizados diretamente pela situação.

Ouvimos, durante meses, falar na responsabilidade de Donald Trump, de Bolsonáro, de Boris Johnson e do governo sueco na gestão da crise. Mas quando chegamos a Portugal, a responsabilidade é…dos portugueses. Sim, é minha, é vossa, é dos meus pais e dos vossos. Não é do primeiro-ministro, não é da ministra da saúde, não é dos eventos partidários e das milhentas exceções que o governo permitiu. É das famílias, que ousaram partilhar uma refeição com os que lhes são mais próximos e que teimaram em celebrar o natal, com algum sentido de fraternidade.


A responsabilidade individual não ser pode imiscuída desta equação e de forma geral, a substituição da ética pessoal, pela figura coletiva do Estado, é um dos problemas que mais me preocupa no campo político-filosófico, mas, nem os portugueses são os piores do mundo na prevenção pandémica, nem o nosso comportamento individual e ético, é o mais errático entre todos os povos do planeta.


Talvez tenhamos sim, um dos piores governos a gerir esta pandemia, e teremos com certeza, um dos que mais foge às suas responsabilidades políticas.


Há uns meses, escrevi que Cristina Gatões, a ex-diretora do SEF-Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que foi demitida na sequência do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, ter sido barbaramente espancado até à morte por funcionários do SEF, poderia vir a ter à sua espera, um cargo diplomático no Reino Unido.


Vejo-me agora obrigado, a ter que corrigir esta informação, Cristina Gatões acabou de ser contratada, não pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas pelo Ministério da Administração Interna, para ser assessora de direção…do SEF.

E são estas pessoas que vos querem dar lições de ética?


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