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TAP: Porquê? Para quê? Para quem?


Gonçalo Galvão Gomes

Cabeça de lista ao círculo Europa nas eleições legislativas de 2015 e 2019


A proposta de Orçamento de Estado de 2021, trouxe-nos mais confirmações do que surpresas. O financiamento (encoberto) do Novo Banco através do fundo de resolução, a criação de medidas altamente burocráticas e de difícil aplicação como o crédito de IVA, a falta de incentivos para as empresas e para a criação de postos de trabalho, a incapacidade de reduzir impostos, de tornar o estado mais eficiente, menos pesado e menos burocrático, ou seja, é um orçamento à Partido Socialista.


As medidas de combate à pobreza são insuficientes e algumas até caricatas, por exemplo, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, afirmou que “as famílias carenciadas terão ‘vouchers’ para melhorar eficiência energética dos edifícios”. Alguém imagina que uma família com carências económicas, irá despender parte do seu orçamento a instalar painéis solares? O governo acha que sim e até disponibilizou verba para isso.


Muito mais poderia ser dito sobre este orçamento e sobre os partidos (e deputados únicos), que o deixaram aprovar com cumplicidade e pouca reivindicação, mas deixarei este tópico para o decorrer da legislatura e para pedir contas, não só ao Partido Socialista, mas a todos os que amistosamente têm partilhado a sua cama.

Como o título sugere, é sobre a TAP que vos quero escrever este mês.


O presidente Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda há meses: “É Importante é que a TAP sirva Portugal e os portugueses”. Destacou, também, a importância que a transportadora aérea nacional tem para as comunidades. Pedro Nuno Santos, o Ministro das Infraestruturas, diz que, se a TAP vier a dar lucros, os portugueses também vão aproveitar essa receita. Esta última parte parece uma piada, mas não é.


foto: Marc Najera - Unsplash

Arrisco-me a dizer com alguma certeza, que a maioria dos portugueses nunca viajou na TAP e nem é por preconceito em relação à empresa, a maioria, nunca viajou sequer de avião. Para muitos portugueses, viajar de avião é um luxo, para outros, uma necessidade, mas apenas uma pequena percentagem o faz por lazer. Mesmo para esta último grupo, onde me incluo, a TAP, pelo seu preço mais elevado e qualidade pouco diferenciadora em relação às outras companhias, não é a primeira escolha.


Dizem também, que a TAP serve os portugueses porque transporta pessoas de fora, nomeadamente, turistas e empresários e isso beneficia toda a gente, mesmo quem não viaja de avião. Este argumento é bastante falacioso, para além de já existirem outras operadoras a voar para Portugal Continental e ilhas, alguém acredita que sem a TAP, Portugal ficaria sem rotas e removido do mapa turístico mundial?

Quem defende a manutenção desta empresa, que de estratégica, só mesmo a periodicidade com que drena impostos dos contribuintes, cria quase sempre um cenário dantesco, como se sem a TAP, nos fossemos tornar um país isolado, numa espécie de Coreia do Norte mas pior, porque até a Coreia do Norte tem companhias a voar para Pyongyang.


Obviamente que nada disso aconteceria. Nem ficaríamos isolados, nem perderíamos o interesse turístico. As rotas existentes, seriam maioritariamente absorvidas por outras companhias e as que não são rentáveis, desapareceriam.


É trágico que alguns destinos sem rentabilidade e com poucos passageiros deixem de se realizar, criando a necessidade de algumas pessoas passarem a fazer escala?


Não é. Trágico é o país continuar a querer ter joias na coroa, mas ter uma coroa de pau.


No topo da Europa, a Norwegian Air, companhia aérea norueguesa, está também a passar por dificuldades financeiras. A resposta do governo norueguês foi clara, nesta fase, ajudar uma companhia aérea ”não é uma boa forma de aplicar o dinheiro dos contribuintes”. O país em que o salário médio ultrapassa os 4 000 euros e tem uma das maiores reservas de petróleo do Mundo, acha que é um desperdício meter dinheiro dos contribuintes numa companhia aérea. Portugal, o país que esteve na bancarrota 3 vezes nos últimos 45 anos e ciclicamente precisa do FMI para pagar as contas, acha que não.


No fundo, Portugal é aquele tipo que deve a toda a gente, que manda os filhos sem pequeno-almoço para a


escola, que vive numa barraca mas insiste no Mercedes à porta.


Quando João Cotrim Figueiredo, deputado da Iniciativa Liberal, perguntou à ministra da saúde no plenário do parlamento “o que faria com os 1700 milhões que o Governo enterrou na TAP?” a resposta foi inconclusiva.

Vai daqui uma ideia, teria ajudado imenso a reduzir os milhões de consultas e cirurgias que o SNS tem em atraso devido ao seu subfinanciamento, má gestão e algum fundamentalismo ideológico do governo.


TAP: Porquê? Para quê? Para quem?


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