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Sim ou não: dados lançados

Eberhard Fedtke

e Ana Carla Gomes Fedtke


Estão ambos sentados num banco na estação. Olham pensativos para os poucos metros da partida dum comboio. É o mesmo banco de madeira de há 18 anos, quando chegaram de Portugal e desembarcaram física e mentalmente esgotados após uma viagem de 35 horas, sem dormir um minuto. Era um dia de outubro nublado e fresco, de um frio diferente, seco, sem a humidade intensa que conheciam na sua terra à beira do Atlântico. Não lhes desagradou o novo ar desta grande capital europeia. “Os emigrantes têm, antes de mais, de sorver o ar estrangeiro”, alguém lhes havia dito. Imediatamente, chegou um representante da comunidade portuguesa que os conduziu ao apartamento provisório em que iriam ficar. Pura vida de emigrante. Lembram-se de cada pormenor, da ansiedade que sentiram, como se fosse ontem.


“Naquela altura, o chefe da estação era um homem de chapéu vermelho; agora é uma mulher”, disse ele. “Eles implementam a igualdade de género”, respondeu ela. As nossas personagens principais estão a representar o ato de ´regressar à pátria´. A bem dizer, trata-se apenas de um ensaio levado a sério. Como é voltar e partir, ao cabo de 18 anos de emigração, em que os seus três filhos nasceram ´fora´? É o que pretendem simular aqui com todo o realismo possível, a plataforma representando a fronteira crucial que separa o hoje do amanhã. A funcionária, com o chapéu vermelho, sorri para eles. Há alguns dias, quando o nosso casal aqui se sentou pela primeira vez, ela perguntou-lhes delicadamente se queriam embarcar. Eles devolveram o sorriso: ainda não.

Tinham junto de si a mesma mala singela de há 18 anos, sem rodinhas, mas digna de respeito de tão viajada. Reverência, sem dúvida. E meritória pitoresca! Ele queria ser o mais autêntico possível; trazia o mesmo sobretudo que na altura, um modelo alentejano comprido e quente, com colarinho espesso, que agora em setembro atraía os olhares trocistas de outros viajantes. Ela, por seu turno, já não envergava nenhuma peça de roupa exterior da ´minha terra 2001´, estando impecavelmente trajada segundo as tendências da moda europeia 2019 e adornada com uma elegância feminina.


“Estamos a fazer esta experiência pela oitava vez”, disse ele em tom casual. “É a sexta vez”, corrigiu ela, repetindo a contagem. “Pois bem, arredondemos para sete”, concluiu ele, passando-lhe carinhosamente o braço por cima dos ombros. Ela apertou a mão dele com mais força. Uma atmosfera de partida fictícia, mas cheia de encanto autêntico.


A ideia de um regresso a Portugal nunca se dissipou nos 18 longos anos, não obstante a boa estabilidade profissional no país de acolhimento. Nem a integração social alcançada impediu o despertar, por vezes angustiado, da ligação à terra natal. “A emigração pode parecer um exílio”, murmurou ela perdida em pensamentos, “um sacrifício duradouro”.

Que lhes reservaria um retorno? No seu novo programa de regresso, de março de 2019, o estado português tinha em vista atribuir cerca de 6.500 euros a uma família que optasse por voltar à pátria. Tal não teria, categoricamente, o efeito de um ´tapete vermelho´ de chegada, soava antes a uma magra ajuda económica. “Na verdade, um motivo para não regressar”, afirmou ele com sarcasmo, “chega apenas para dois meses para nossa família”.


Aqui, ele trabalha como especialista na área da construção numa empresa de restauro de edifícios antigos que lhe permite aplicar da melhor forma os seus singulares conhecimentos técnicos da verdadeira reabilitação de palácios, castelos, casas senhoriais e igrejas. Foi esse o motivo por que foi recrutado naquela altura. Na sua nova terra, havia granjeado a reputação de derradeiro especialista nos mais complexos trabalhos de renovação. Antes de outros, só os portugueses, como é sabido no setor, são capazes, por exemplo, de erguer um arco romano, além de efetuar os delicados trabalhos de restauro em construções degradadas pelo tempo. Ele fora diversas vezes premiado pela Câmara de Comércio e Indústria local, sem ter feito nenhum exame da especialidade como mestre de obras segundo as regras austeras. A habilidade estética como estucador, adquirira-a na empresa de um tio na Figueira da Foz. Não tendo filhos, caberia ao sobrinho assumir as rédeas da empresa. Gerou-se, pois, a primeira contenda, quando ele anunciou a sua intenção de emigrar. Um ato igualmente reprovado por outros familiares, que o viam como desrespeitoso e desleal. Porém, a oferta no estrangeiro era por demais tentadora, além de que lhe corria nas veias muito do espírito aventureiro português. Mais de metade dos portugueses vivem ´for´, espalhados por mais de 80 países. A sua esposa, frustrada com o trabalho em tempo parcial mal pago e incerto, queria ´sair da miséria profissional´. Ela trabalhava no serviço de quartos num hotel em Coimbra. Foram os hóspedes que visitavam esta metrópole histórica pelo esplendor da cidade velha e a majestosa universidade, a segunda mais antiga da Europa, que inspiraram o seu desejo de viajar rumo a outros horizontes profissionais do globo. Quando, nos meses de verão, os emigrantes chegavam ao volante de sumptuosos automóveis de luxo, ostentando a riqueza, as suas histórias aliciantes impressionavam-na sempre profundamente. O dinheiro, a felicidade e o glamour eram para ela intangíveis. Além disso, ela desejava ainda conhecer do grandioso mundo chique ´antes de ter filhos´. Este sonho dela tinha o seu ensejo na próspera Europa Central. Finalmente foi assim que ambos se lançaram juntos na aventurara, o espírito tão pleno de coragem quanto de fantasias, embarcando no comboio em direção a norte e a um destino migratório desconhecido. Munidos de toda a juventude e repletos de energia.


Logo após a chegada ao país de destino, ela frequentou avidamente o curso de língua para emigrantes na localidade. Poucos meses depois, tal era o domínio da nova língua, foi imediatamente contratada por uma agência de viagens na cidade. Foi a gloriosa concretização de um íntimo plano, depois de um primeiro trabalho enfadonho nas limpezas. Já ele não se empenhou num curso de língua com o mesmo afinco, sobretudo por conta das múltiplas deslocações a estaleiros no país; por outro lado, trabalhavam no seu grupo outros portugueses, italianos e espanhóis, com quem comunicava sem esforço em ´românico´. Quanto ao mais, ele conseguia perfeitamente entender-se com as suas fachadas, cornijas e ornamentos de pedra em português, que era, de resto, o que resmungava quando ela o incitava incisivamente a indagar a alma e o espírito do país através da própria língua. Na família, falava-se, naturalmente, a língua materna, para benefício dos três filhos, todos nascidos ´fora´ e detentores de dupla nacionalidade. Durante o infantário e a escola, estavam tão perfeitamente familiarizados com a língua autóctone, que só se lhes conseguia discernir a origem pela aparência – a filha de 17 anos, pelo nariz românico, o filho de 16 anos, pela fisionomia árabe e a outra filha de 14 anos, pelos olhos verdes góticos e cabelo frisado de um negro-carvão.

Os pais abordar o tema ´regressar à pátria´, conscientes de como os filhos reagiriam. Estes não queriam ouvir palavra sobre o assunto. Gostavam de passar férias em Portugal ´em casa da avó e do avô´, mas viver para sempre no país? Nem pensar! Aqui, estavam socialmente integrados em todos os domínios e conservavam um sem-número de amigos desde o infantário. Os dois mais velhos estavam a caminho dos exames finais e a filha mais nova entrara para a equipa nacional de ginástica. Desistir de tudo isto?


Os pais sentiam, contudo, falta de algo, ela mais do que ele. Nas tardes cinzentas e frias, típicas do clima da Europa Central, revisitavam e articulavam, melancólicos, as suas memórias: o clima limpo de Portugal, sem poluição ambiental, o aroma da brisa marítima por toda a parte, o ambiente social pacífico no país, os alimentos genuínos, em que um tomate ainda sabe a tomate e o polvo salta do barco de pesca espontaneamente para a frigideira, a animação das festas, feiras e festivais locais, o fado vernáculo em locais autênticos, a doce equanimidade ao lidar com prazos e compromissos, o caráter não é rigorosamente vinculativo à própria palavra, geralmente tolerado, o beijinho matinal da mulher do padeiro, o abraço do inescrutável diretor do banco, o tom humano geral da convivência diária, mesmo ante a curiosidade inquisitorial, inveja ou hipocrisia de algum vizinho ou colega de trabalho, o aroma condimentado do azeite queimado no mercado, o barulho nos cafés dos milhões de ´treinadores de bancada´ do futebol, cada qual dono da verdade e, ainda, os foguetes em toda e qualquer ocasião. Em contrapartida, a seriedade genética no país de destino, a pontualidade meticulosa, a credibilidade estrita, o cumprimento proativo da palavra, a observância estrita de prazos, a disciplina no trânsito, a higiene pública exemplar em toda a parte, o encontro de pessoas com a devida distância e cortesia, bem como outras virtudes notáveis em que assenta o sólido milagre económico deste povo nórdico.


A ordem absoluta pode, contudo, ser provocadora, quase paralisante. Ambos viam num pouco de improvisação banal e irracional um bálsamo de boa disposição, que promovia mesmo a alegria de viver. Almejavam mais no dia-a-dia do que simplesmente sentirem-se acorrentados ou aprisionados numa jaula – ainda que dourada. Os nossos pretendentes ao regresso sentiam em si, ela mais do que ele, um pouco de tudo o que compunha a sua visão comparativa: queriam corajosamente tornar a passar o sinal vermelho num cruzamento, conduzir à noite com um farol fundido sem serem multados, chegar atrasados a uma festa, vaguear um dia no mercado sem objetivo, tagarelar com a cesteira idosa e a sonora vendedora de peixe sobre o contrassenso do IVA excessivo, sentar-se ao sol a beber uns copos de vinho verde, cujo sabor, como é sabido, facilmente se deteriora com a exportação, gozar romanticamente o pôr-de-sol na praia, com pês na água, sentir a magia da sua ´minha terra´, saboreá-la, cheirá-la e desfrutá-la na sua origem.


Disseste ´caráter não vinculativo da própria palavra e falta de credibilidade´? ele continuou. ´Vê as estatísticas oficiais do divórcio. Portugal ocupa o primeiro lugar na União Europeia. Haverá ato mais perjuro e desvinculado que este, por amor de Deus?´


As saudades de casa assaltavam-nos em vagas intensas, sobretudo ao verem Portugal na televisão. Nenhum país consegue tão habilmente viver à margem da realidade com telenovelas cor-de-rosa como o dos ilusionistas e eufóricos lusitanos; um perigo, quando o feitiço e a elegância cinematográfica encobrem desmesuradamente a realidade sóbria. No caso dela, esta ânsia de viajar para Portugal tomava proporções por vezes arrebatadoras; o pânico das saudades do céu azul e do sol levavam-na autenticamente a perder a cabeça. Já ele lidava com estes delírios de forma mais serena e realista: não existiam em mais parte nenhuma tantos trabalhos de restauro estrutural que todos os dias lhe enlevassem o coração. Em Portugal, os tesouros arquitetónicos degradam-se. Há falta de dinheiro. Será? Ou será falta de piedade?


Os pais fizeram uma comparação minuciosa dos respetivos estatutos sociais aqui e em Portugal, ignorando o escasso e ridículo montante de 6.500 euros, para eles um atestado de pobreza a nível estatal. Enquanto restaurador de excelência com emprego fixo, ele ganhava três a quatro vezes mais do que alguma vez seria possível em Portugal, mesmo considerando a possível reabertura da empresa do tio – entretanto fechada. No seu arcaísmo, o direito do trabalho português não garante a mesma segurança do emprego numa relação contratual por conta de outrem. Ficasse ele aqui, a sua pensão de reforma seria muito superior e, o que é mais importante, estaria assegurada. Se ele optasse pela reforma antecipada, teria de contar com uma penalização significativa, tornando-se difícil sustentar os três filhos ainda dependentes. Para receber uma ótima pensão, só faria sentido regressar a Portugal ao atingir a idade da reforma. Até lá, tinha ainda muitos anos pela frente. No caso dela, a perspetiva de continuar com a atividade no setor hoteleiro apresentava-se mais promissora. Portugal é desde há anos considerado o melhor destino turístico, com tendência crescente. Uma mudança para o provocar-lhe-ia igualmente grandes cortes na pensão de reforma, com o risco crescente da falta de segurança do emprego. No ramo hoteleiro português vêm-se mulheres no máximo até aos 30 anos, a trabalhar como rececionistas. Ao serviço de quartos ela não queria voltar. Finalmente: a perspetiva de arranjar habitação para uma família de cinco pessoas em Portugal também nada tinha de tentador, dado o elevado valor das rendas.


´Regressar´ era definitivamente uma questão familiar. Não podiam deixar os filhos ´fora´. A filha de 17 anos quer estudar medicina. É possível fazê-lo em Portugal, porém, as perspetivas de carreira são limitadas e os salários não se comparam aos do mercado alheio. De acordo com as sucessivas notícias dos telejornais, o sistema de cuidados de saúde português parece um ´estaleiro em ruínas´. O filho de 16 anos quer seguir estudos teatrais e música. Em Portugal, sem grandes perspetivas de uma ocupação satisfatória posterior, acaba por conseguir talvez uma atividade como cantor ocasional em festas de casamento ou como animador nalgum grupo itinerante a atuar em feiras e festivais pelo país fora. A filha mais nova, que gostaria de ser professora, teria de concorrer todos os anos ao seu posto de trabalho, uma indigna comédia político-social para a verdadeira elite do povo que educa a nova geração, sem paralelo nos países civilizados. Eles exaltam-se, pensando na educação académica dos filhos, quase ao ponto da fúria:


“Estas propinas antiquadas”, diz ele irritado, “que barram a inteligência das classes média e baixa”. “Os testes nas universidades, ao que consta, são identificados com o nome completo; a imparcialidade dos corretores é para rir.” “E depois este sistema egocêntrico de favorecimento nesta ´elite´ encantadora, com sinais visíveis de consanguinidade biológica, uma incubadora a abarrotar de mediocridade intelectual sem nenhuma criatividade e inovação adequadas.” “Não há um único anúncio de emprego de cargos superiores, não há concorrência focada em determinados objetivos, mas sim o peso das ´cunhas´ e os cargos destinados aos ´próprios familiares´. Ela gesticula animadamente: “E depois esta mania de tratar toda a gente por ´doutora´ e ´doutor´, sem que tenham feito um doutoramento; uma ostentação fútil e fictícia. É um vício genético de falso ornamento”, sublinhando ela o foco da conversa, enquanto desenterrava as suas memórias do hotel em Coimbra, onde incrivelmente muitos hóspedes se tratavam por ´doutor´. Provavelmente segurava neste momento diante dos olhos a sátira de Joaquim Peito, de junho de 2013, dedicada à pergunta autocrítica “Por que somos um país de doutores?”, tão elegante quanto assertiva, publicada no Portugal Post, o seu jornal para emigrantes preferido, que aguardava cada mês com impaciência e lia minuciosamente, palavra por palavra, preferindo piadas sobre vaidade da ´elite´ .


“Está escrito que até 2060 mais de 2 a 3 milhões de portugueses vão deixar o país por não terem nenhuma perspetiva digna de futuro. Quem não pertencer à classe privilegiada, por melhores que sejam os resultados na universidade, tem de tentar a sorte no estrangeiro.” “E depois, o nosso belo país vai tornar-se em breve num magnífico lar de idosos, com vários distritos rurais sem jovens.” “E nas fronteiras e aeroportos do país, têm de pôr cartazes a dizer: cuidado ao entrar no país; podes tropeçar em idosos.” Portugal tem a quinta estrutura etária mais envelhecida do mundo. “Ou seja, uma quota cada vez maior de idosos no país, e a nova geração produtiva de jovens lá ´fora´”, profetiza ele com ironia.


Eles decidem ser mais moderados ao prosseguirem com a análise do seu país natal. Mas o que concorre para o verdadeiro quotidiano são as opiniões de especialistas conhecedores de Portugal aqui na sua comunidade de diáspora. Eles resumem em catadupa:


“Os bancos portugueses estão menos fidedignos, isto dito de forma suave. Transferir uma soma avultada no país é um risco desprotegido. Os predadores digitais servem-se das contas privadas das pessoas sem que os bancos se protejam como devem. Não se pode ter confiança em todos os seguros para a regulação de sinistros. Existem por toda a parte diariamente vergonhosos exemplos de proveito próprio em detrimento dos mais vulneráveis e ingénuos. As viagens nos pendulares são instáveis e uma aventura. Há falta de organismos públicos de fiscalização realmente eficientes para os cidadãos consumidores que procuram e precisam de proteção. Há negociantes que, se não se tem atenção, defraudam os clientes sem quaisquer escrúpulos. Um exemplo ilustre paradigmático: se uma pessoa põe o carro para mudar o óleo na oficina errada, está sujeita a trocarem-lhe os pneus novos à socapa e tirarem peças de substituição de automóveis velhos que faturam ao preço de peças novas. Reina um sistema de corrupção latente e dissimulado que se estende a todos os setores da economia, administração, política, militar, desportivo, a que se junta sobretudo o branqueamento de capitais de grandes montantes.” “O que é fiável ainda é a polícia judiciária, que descobre os esquemas, mas, no fim, acaba por não acontecer nada aos infratores que dissuada os outros; há muita coisa que é simplesmente arquivada.” “Até à mais alta instância judicial, nem todos estão de acordo com a credibilidade da jurisdição.” “Também há branqueamento de capitais e corrupção no desporto?” “De onde vêm todos os meses os ordenados milionários dos futebolistas profissionais mais caros? As somas gigantes que lhes transferem caem do céu, tudo pago por um pequeno punhado de espectadores nos estádios.”


“A palavra ´corrupção´ deveria ser retirada do uso corrente da língua e substituída por um outro conceito?” “Talvez por nada, já que o governo, conforme constatou acanhadamente o primeiro-ministro, não consegue sozinho travar a corrupção, daí que nenhum conceito sirva.” “É admirável como o primeiro-ministro consegue ter todos os dias aquele sorriso amistoso, sentado em cima de um monte de incompetência, proveito próprio, comodismo, superficialidade, preguiça, atraso, incredibilidade, falsidade, improvisação, incumprimento da palavra e corrupção aberta, como informa constantemente o jornalismo de investigação.” “Mas mais notável é como as regras parlamentares conseguem funcionar ativa e vigorosamente num contexto tão turbulento, como se Portugal fosse uma ilha serena de sorriso democrático elitista.” “Não sejas tão inflexível. Não há estruturas governamentais perfeitas. Não esqueças que Portugal tem em curso desde julho de 2017 um programa de reforço da diáspora em larga escala para os emigrantes que não pretendam regressar. Eles não estão esquecidos. O Presidente da República, com a sua mente sofisticada, não pára de exigir a todos os seus compatriotas princípios morais absolutos e preponderantes quer dentro do país quer fora dele.”


Nesse momento, acordam os dois. Em seu redor, um silêncio sepulcral. Foi um sonho comum, completamente realista. Respiram fundo: “Ponto final, ficamos pelos nossos filhos que têm a prioridade absoluta. Não vamos deixá-los ir para Portugal, com a notável coreografia social de uma classe com atitudes egocêntricas e das ilusões e dramas de sobrevivência degradantes da restante população, esta demonstrando uma tolerância incrível ao sofrimento e uma placidez exemplar. Também não vamos pela violência doméstica generalizada, de que quase nos esquecíamos, sobretudo contra as mulheres, a quem Portugal recusa a igualdade. Jamais tal coisa para as nossas filhas! Como não pertencemos à classe abastada, os nossos filhos nunca teriam as mesmas oportunidades sociais como aqui, ficariam chocados e tornariam logo a fugir. Nós aguardamos com paciência útil pela nossa reforma, com pensões fabulosas e liquidez permanente e de categoria na mão, especialmente em tempos de crise económica e na incapacidade de ajuda financeira do estado.


Entretanto, voltaremos nas férias, na ´nossa terra portuguesa´, e iremos descobrir a Madeira e os Açores, paraísos turísticos multicolores de umas espetaculares cinco estrelas, ainda desconhecidas para muitos de nós, portugueses continentais.” “Meu amor, não é de primeira categoria, algo que vale a pena apreciar e preservar?” “E dá-nos uma sensação primordial de pertença, inabalável mesmo estando ´fora´, e independente da visão turva que o estado tem da emigração e da remigração e os seus cantos fracos em áreas patrióticas das ambiciosas filosofias de ´regresso´ e ´diáspora´.”


Terá este país alegre e ´sem compromissos´ condições para voltar durante a vida ativa?


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