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Episódio da História de Portugal

contado de uma forma palerma e sem um pingo de objectividade


Bocage


João Pedro Santos

O Manuel Maria ligou-me no outro dia para discutir poesia. Viram? Rimou e tudo.


Bocage Olá meu caro João Pedro, antes de mais parabéns pelas 41 primaveras. Eu bem queria ter lá chegado quando estava vivo mas fiquei-me pelos 40. Já me estás a ganhar em 1 ano.


João Pedro Calma que as contas fazem-se é no fim. Isto até ao lavar dos cestos é vindima. Estás bonzinho? O que me contas?


B Eh pá estou aqui a brincar com um soneto, preciso de uma opinião honesta.


JP Sabes que a honestidade tem muito que se lhe diga, ainda para mais nos dias de hoje com as redes sociais sempre prontas a desdizerem um gajo mas enfim, chuta lá isso.


B Ok, mas não partilhes isto nos stories porque se não lixa-me os direitos de autor todos e depois ainda vão dizer que é de algum livro de auto-ajuda com receitas vegans e chás de gengibre com limão e açafrão como tenho visto para aí a monte.


JP Mas olha Manuel Maria, digo-te já que essas infusões são muito boas para a saúde de uma pessoa.


B Prefiro medronho. O medronho também mata o bicho por inteiro com a grande vantagem de te embriagar pelo caminho. 2 em 1, como aqueles shampôs que trazem amaciador ou amaciadores que também lavam o cabelo, nunca percebi bem a ordem. Mas pronto isso agora não vem ao caso. Quanto ao soneto, aqui vai disto:


Que seja curto ou comprido

Que seja fino ou mais grosso

É um orgão muito querido

Por não ter nem espinhas nem osso.


O que achas?


J P Eh pá... vai direto ao assunto sem ser demasiado descritivo. Eu ainda assim prefiro Calippo, é sempre do mesmo tamanho e ainda vem com sabor a limão.


B Anotado, apesar de te achar um pouco confuso quanto ao tema. Mas sempre posso acrescentar algo.


Que seja curto ou comprido

Que seja fino ou mais grosso

É um orgão muito querido

Por não ter nem espinhas nem osso

Traz é um grande senão

Não vem com sabor a limão.

© Joseolgon CC BY-SA 3.0

J P Muito melhor Manuel Maria. Pelo menos adicionaste um sabor o que dá logo azo a uma outra leitura.


B Calma que ainda não acabou:


De incalculável valor

Ninguém tem um a mais

E desempenha no amor

um dos papéis principais


J P Espero que isto não descambe. Olha as crianças Manuel Maria.


B Não tem mal algum, é anatomia. As crianças mais do que ninguém precisam de aprender. E por aí vai:


Quando uma dama aparece

Ei-lo a pular com fervor

Se é de um rapaz estremece

O de um velho, tem pouco vigor


J P Temo o pior...


B O seu nome não é tão feio

Pois tem sete letrinhas só

Tem um R e o A no meio

Começa com C e acaba em O.


J P Manuel Maria...


B Nunca se encontra sozinho

Vive sempre acompanhado

Por dois orgãozinhos

Junto de si, lado a lado.


J P Pronto já estou a ver tudo.


B O nome destes porém

Não gera cá confusões

Tem sete letras também

Tem L e acaba em ÕES.


J P Vamo-nos deixar de rodeios, está para aqui uma pornografia pegada.


B Qual pornografia qual quê, não sejas tonto. Presta atenção:


Vou acabar com embalo

E com as más impressões

Os órgãos de que eu falo

São o Coração e os Pulmões.


J P Ufaaa, que eu já começava a ver a minha vida a andar para trás... estava mesmo com a cabeça a pensar em safadezas... mas olha que está muito bem apanhado, tu és mesmo levado da breca com os trocadilhos. Fazes-me lembrar aquela malta que andava para aí há uns anos, os Malucos do Riso. Era rir a bom rir.


B Bom, não sei quem são esses poetas, provavelmente não serão do meu tempo.

Para finalizar deixo-te esta singela quadra que escrevi no outro dia:

A vida é filha da p**a

a p**a é filha da vida

Nunca vi tanto filha da p**a

na p**a da minha vida.


J P Antes de mais agradeço-te os asteriscos porque, a bem dizer, este jornal ainda é um lugar de e para a família. Quanto à quadra, é muito pertinente, foi pensada no século XVIII mas podia muito bem ter sido escrita ontem à tarde. Afinal o segredo de um clássico reside na sua intemporalidade, seja ele sobre p**as, corações ou pulmões.

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