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"Enquanto Presidente terei sempre em mente a necessidade de fortalecer a diáspora portuguesa"

Entrevista | André Ventura


TPP

PT Post Qual deverá ser o papel de Portugal no contexto europeu e mundial?


André Ventura Portugal sempre teve, como a história mostra, um papel determinante na definição da história europeia e mundial. Foram os portugueses a descobrir e a globalizar o mundo. Infelizmente, essa capacidade de progresso perdeu-se, mas deve voltar a ser um objetivo do país: estar onde está o progresso e a modernidade; fazer parte do motor da Europa e não estar na sua cauda, como um qualquer país sem história e sem importância.


PTP As legislaturas são para cumprir até ao fim? Como olha para o atual Parlamento, especialmente considerando não haver um acordo formal que garanta o apoio de uma maioria ao governo? Preocupa-o mais a estabilidade ou o vigor do governo, particularmente num contexto de várias dificuldades que se antecipam para o futuro próximo?


AV Uma legislatura é para cumprir até ao fim se tiver condições para defender os interesses do país até ao fim, o que não se verifica com o Executivo de António Costa. O atual Governo está à beira de cair e todos no Parlamento sabem isso quando o Orçamento do Estado, que é o documento mais importante da ação governativa, é aprovado graças aos votos de duas deputadas não-inscritas. Este pequeno pormenor é sinónimo do quão sozinho e quão frágil está o Governo de António Costa. Um Governo que não tenha estabilidade parlamentar jamais poderá ser um governo com vigor, pois não tem as ferramentas necessárias para fazer a ação executiva que lhe compete.


PTP Um dos problemas centrais que os portugueses a viver fora de Portugal enfrentam, é a dificuldade no exercício do seu dever cívico de votar. Seja pela distância que alguns portugueses vivem dos consulados ou pelo facto de eleições diferentes terem métodos de voto diferentes (presencial ou postal). Qual é a sua posição em relação a isto, como vê a inclusão do voto eletrónico para quem vive fora de Portugal e o que poderemos esperar da sua presidência e da sua influência enquanto presidente, relativamente a esta questão?


AV O voto dos portugueses é essencial e falo de todos os portugueses: sejam os residentes ou os não-residentes no país. O que aconteceu nas últimas eleições mais não fez do que envergonhar a democracia portuguesa, pois houve situações de emigrantes que foram impedidos de votar por os boletins de voto não terem sido enviados a tempo e outros casos houve em que não chegaram de todo. O voto eletrónico será uma opção viável quando houver um sistema informático que garanta a inviolabilidade dos resultados. Enquanto Presidente da República terei sempre em mente a necessidade de fortalecer a diáspora portuguesa, de apoiar todos aqueles que tiveram de sair do seu país em busca de melhores condições de vida e de trabalho e de garantir que tal não se volte a repetir. Há que garantir que Portugal é um país apelativo para os seus cidadãos.


PTP O ensino da língua portuguesa no estrangeiro para portugueses de segunda e terceira geração, é um tema muito relevante para quem vive fora, nomeadamente desde a criação da propina de ensino, mas também as várias limitações que os cursos de português oferecem aos pais de crianças e adolescentes, que vão desde a localização aos horários. É importante para si que o governo invista no ensino do português e podemos contar consigo na defesa deste tema?


AV A defesa da língua portuguesa deve assumir um papel preponderante na atuação do governo português, uma vez que este é um património muito importante do povo português. Eu estarei sempre na primeira linha de defesa da nossa língua.


PTP Qual é a sua opinião relativamente às tragédias humanitárias no Norte de Moçambique e enquanto Presidente e Comandante Supremo das Forças Armadas, que posição tomaria em relação a este assunto?


AV Têm sido verdadeiras tragédias humanas com a perda de demasiadas vidas. Portugal não pode ignorar o que se está a passar num país como Moçambique que é uma ex-colónia, um país da lusofonia e que está a sofrer com estes ataques terroristas.


PTP Denuncia com regularidade a podridão do sistema político e das elites que têm dirigido o país. Que visão tem para o exercício da política? Revê-se no sistema semi-parlamentar? Ou proporia uma revisão constitucional que o orientasse mais no sentido parlamentar ou presidencial – qual a sua preferência?


AV É do domínio público que eu e o CHEGA defendemos uma alteração da constituição que permita a instauração da IV República que, entre outros aspetos, prime por um regime em que o Presidente da República possa e deva ter um papel mais ativo na condução do país ao invés de se remeter a um papel de corta-fitas da República.


PTP Como tenciona exercer o cargo de Presidente da República? Gostaria de exercer uma magistratura de influência que impactasse a moralidade dos portugueses?


AV Que impactasse a moralidade dos portugueses e do próprio país, especialmente junto das outras nações. Portugal tem de voltar a ser um país cujas decisões e opiniões sejam tidas em conta e não estar sempre a navegar a onda daquilo que são as disposições de outros países. Portugal precisa de voltar a ter um papel preponderante no plano geoeconómico mundial.


PTP Uma outra bandeira do partido que dirige é o controlo de fronteiras e restrição da imigração. Faz sentido um português a viver fora de Portugal votar em si face à experiência de emigração que terá tido?


AV Essa é uma confusão que tem sido feita em relação ao que é o propósito do CHEGA. O que nós defendemos é um maior rigor no controlo de quem vem para o nosso país. Nunca dissemos que somos contra os imigrantes que vêm para Portugal para trabalhar, para contribuir para o desenvolvimento do país e para se integrar corretamente na sociedade. O que não queremos, nem é desejável, é uma abertura de fronteiras total sem qualquer tipo de controlo, especialmente quando sabemos que existe em vários países europeus um problema chamado terrorismo islâmico.


PTP Esteve recentemente com Marine LePen, que não tem sido propriamente uma aliada na questão do ensino da língua portuguesa nas escolas francesas. Teve oportunidade de falar com ela sobre este assunto? Tentou exercer alguma influência nesta matéria?


AV Exerço sempre, na medida do que me é possível, uma influência positiva na defesa de Portugal e do povo português. E sempre irei pautar a minha trajetória política por um magistério de influência neste sentido.


PTP Como avalia os governos polaco e húngaro, considerando que são frequentemente apontados como iliberais? Desejaria que o governo português adoptasse a mesma linha de acção política?

AV Em algumas matérias sim, mas em outras não.


PTP Disse que se demitiria se tivesse um resultado inferior ao da candidata Ana Gomes. Disse, depois, que deixaria isso à consideração do partido. O que é que isso significa? Irá haver um congresso extraordinário do Chega se não atingir o resultado esperado?


AV Se ficar atrás da doutora Ana Gomes significa que falhei os meus objetivos e os do partido e, por essa razão, é normal que coloque o meu lugar à disposição para que os militantes decidam se querem que eu continue à frente dos desígnios do partido. Eu olho para a política com objetivos e quando estes objetivos falham é preciso retirar consequências. E eu assim o farei.



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