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Eleições federais alemãs de 2021 ganham ritmo

Atualizado: Ago 31

A um ano das eleições federais de 2021, o SPD surpreendeu com o anúncio de Olaf Scholz, ministro das Finanças, como candidato do partido a chanceler. Markus Söder ganha favoritismo na CDU/CSU depois de ver a sua popularidade mais do que duplicar na sequência da gestão que fez da Covid-19 na Baviera.


Lusa / TPP


Falta mais de um ano para as eleições que escolhem o sucessor de Angela Merkel e o seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), só deverá escolher o seu candidato no outono. O SPD decidiu anunciá-lo já este mês: Olaf Scholz, atual ministro das Finanças e um dos rostos do governo que tem marcado a resposta à crise de covid-19. Este anúncio teve lugar no dia imediatamente a seguir à manifestação de abertura do partido à constituição de uma coligação SPD-Grüne-Linke (Rot-Rot-Link) e mesmo à possibilidade de o SPD não liderar uma coligação com os Verdes, ambas decisões impensáveis até esta data e que geraram perplexidade face à moderação do candidato escolhido para chanceler.


A escolha de Olaf Scholz “foi lógica e uma condição necessária para recuperar o papel importante que o SPD desempenhou na política alemã de 1958 até ao fim da chancelaria de Schröder”, assumiu em declarações à agência Lusa o politólogo Oscar Gabriel. No entanto, adianta o analista político e sociólogo alemão, falta entender os motivos que levaram o partido a não escolher Scholz como seu líder, preferindo Norbert Walter-Borjans, antigo ministro das Finanças do estado da Renânia do Norte-Vestefália, e a deputada Saskia Esken. “Nesta competição, ele foi conscientemente prejudicado pelo seu partido, especialmente pela ala esquerda. O seu sucesso na corrida a chanceler vai depender de uma série de fatores, principalmente da coesão do SPD, do apoio que lhe for dado por outros líderes, do ajuste político entre o candidato e o programa, de uma campanha eleitoral conduzida de uma forma competente, entre outros”, sustentou. Ainda assim, olhando para a última década, o professor emérito da Universidade de Estugarda, admitiu “ter dúvidas se essas condições serão plenamente atendidas durante o próximo ano”.


O SPD que, de acordo com as sondagens das últimas semanas, não conseguia reunir 15% dos votos dos alemães, atingiu, num estudo de dia 12 de agosto do instituto INSA, 18%, ultrapassando os Verdes e recuperando o segundo lugar na lista de partidos mais votados. Uma sondagem que espelha as intenções de voto dos alemães já depois de conhecido o nome, escolhido por unanimidade, que disputará a corrida à chancelaria. Apesar disso, a CDU, partido que lidera a coligação que forma o governo, tem também reforçado a sua posição, conseguindo entre 36% a 38% das intenções de voto.


“É altamente improvável que o SPD consiga reunir mais de 20% dos votos até ao dia das eleições. Por outro lado, Scholz é o líder político social-democrata mais popular. O seu desempenho a gerir a crise atual é considerado positivo pelo público e o seu partido melhorou três pontos percentuais na sondagem mais recente, depois de ter sido nomeado candidato à chancelaria”, destacou Oscar Gabriel, lembrando que o SPD não foi além dos 20% nas últimas eleições gerais, em 2017. “Seria um grande sucesso para ele e para o partido se conseguissem entre 25% a 30% dos votos e, dessa forma, superassem os Verdes. Disso também depende a decisão dos democratas-cristãos sobre a sucessão de Merkel como candidata à chancelaria”, acrescentou.


“Feliz com a nomeação” e com “vontade de vencer”, Olaf Scholz, de 62 anos, antigo secretário-geral do SPD, ministro do Interior e presidente do Estado federado de Hamburgo, considerado por muitos da ala conservadora do partido, quer deixar os maus resultados para trás e liderar uma “nova era” que “está a começar”.


O politólogo Oscar Gabriel acredita que a escolha de Scholz não surpreendeu a CDU, mas sim o ‘timing’. Ele é, seguramente, “o maior adversário do futuro candidato da União, seja ele qual for”, realçou.


Angela Merkel já fez questão de assegurar, mais do que uma vez, não estar disponível para um novo mandato. O nome que mais se destaca é, por agora, o de Markus Söder, primeiro-ministro da Baviera, o maior Estado federado da Alemanha.



O também líder da União Social Cristã (CSU), partido irmão da CDU na Baviera, tem também visto reforçada a sua popularidade devido às medidas tomadas durante a pandemia de covid-19, conforme evidenciado pelo barómetro político da ZDF em Julho. De acordo com esta sondagem, 64 % da globalidade dos eleitores e 78 % dos eleitores da CDU/CSU acreditam que Söder seria um bom candidato a chanceler, enquanto em Março passado apenas 30 % dos eleitores o afirmavam.


No entanto, ainda recentemente, Söder viu-se obrigado a pedir desculpa em público a cerca de 44 mil pessoas que tiveram de esperar uma semana pelos resultados de testes ao vírus, nomeadamente em resultado da exigência de teste a quem regresse à Alemanha de regiões consideradas de alto risco.


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