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Comunidades Portuguesas esquecidas em tempos de pandemia

Carlos Gonçalves

No momento em que Portugal tenta regressar à normalidade é importante, tendo em conta que somos um país repartido pelo Mundo, ter em atenção também a situação nas nossas comunidades espalhadas pelo Mundo que têm enfrentado a pandemia da covid-19 de uma forma muito diferenciada.


Se é verdade que esta pandemia é um fenómeno com incidência à escala global também não é menos verdade que consoante os países e os continentes há mais ou menos capacidade de resposta para lidar com esta crise sanitária.

Assim, independentemente de termos vários países, nomeadamente na Europa, em que as nossas comunidades beneficiam de sistemas sociais e de saúde com níveis aceitáveis de proteção, continuam a existir importantes comunidades em países onde essa resposta é menor ou inexistente, tendo aí a pandemia os efeitos devastadores que vão sendo noticiados.


Tendo exatamente em conta o carater excepcional da situação que estamos a viver, quer do ponto de vista sanitário quer do ponto de vista económico e social, entendeu-se, tanto no plano nacional como no plano europeu, por bem desenvolver um conjunto de programas e medidas excepcionais para responder a esta crise.

Neste âmbito, foram apresentados diversos instrumentos de apoio às diferentes áreas da governação no plano nacional, muitos deles a beneficiar da chamada “bazuca europeia” que irá permitir a Portugal receber mais de 15 mil milhões de euros deste plano de recuperação.


O curioso é que mesmo tendo as nossas Comunidades características muito próprias e sendo consideradas, nos discursos oficiais, como uma mais valia para o nosso país, estas não mereceram, da parte do Governo português, qualquer medida concreta de apoio perante o avanço deste surto pandémico.


Desde logo, tendo em atenção a rede consular e os serviços que presta no estrangeiro a todos aqueles que a ela recorrem. Os portugueses que residem fora de Portugal e que, ainda antes do surgimento desta pandemia, sabiam já que os serviços consulares estavam numa situação de quase rutura, viram agora essa realidade ser agravada pelos constrangimentos impostos pelas medidas de contenção da covid-19, sem que o Governo tenha tomado quaisquer medidas excecionais para solucionar os problemas existentes.


Ao mesmo tempo, seria também expetável para todos aqueles que conhecem as comunidades portuguesas, que o Governo tivesse apoiado, sem reservas, o movimento associativo da diáspora, que enfrenta enormes dificuldades perante esta pandemia. Defendemos, em vários momentos, que perante o papel fundamental que estas associações prestam aos nossos compatriotas no plano social, no plano cultural e até no âmbito do ensino da língua portuguesa, o Governo deveria ter disponibilizado um apoio excecional para as associações em maiores dificuldades.


Ora, nem isso aconteceu como a situação foi ainda agravada com o atraso do pagamento dos subsídios atribuídos em 2019. Uma situação totalmente incompreensível perante a situação que vivemos e que revela uma enorme falta de sensibilidade do Governo ao não reconhecer o papel agregador que essas associações desempenham no seio das nossas comunidades.


A inação do Governo vem, mais uma vez, provar que este executivo socialista não entende o papel fundamental das nossas comunidades na realidade nacional, não sendo capaz de passar dos discursos de ocasião para políticas concretas que contribuam para fortalecer os laços entre Portugal e a sua diáspora.

Na Assembleia da República quando converso com os meus colegas eleitos por outros círculos eleitorais todos eles referem, seja com elogios ou com críticas, as medidas do Governo, aplicadas excepcionalmente às suas regiões tendo em conta o impacto da pandemia da covid-19.


Infelizmente, como eleito por um dos círculos da emigração, não posso sequer emitir opinião sobre este tipo de medidas pois elas não existem para o meu círculo eleitoral. Parece que num momento em que tanto necessitavam as comunidades ficam, mais uma vez, entregues a si próprias, não merecendo o apoio concreto do Governo de Portugal.


A relação entre Portugal e as suas Comunidades não pode ser assente numa relação desigual em que uma parte continua a manter uma ligação permanente e forte ao seu país, consolidando um laço afetivo que nunca desaparece e a outra, aquela que devia ter um cuidado especial com todos os portugueses que vivem fora do nosso país, a demonstrar uma enorme insensibilidade num momento em que o seu apoio era mais do que nunca necessário.


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