Partido de Angela Merkel quer revogar dupla nacionalidade aos filhos de imigrantes

A União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler alemã Angela Merkel, pronunciou-se a favor de revogar a fórmula de concessão da dupla nacionalidade a filhos de imigrantes nascidos no país e reimplantar a obrigatoriedade de escolher uma das nacionalidades.

O congresso do partido, que está a decorrer em Essen, adotou por maioria a revogação da norma atual (aprovada em 2014 durante a grande coligação do Governo Merkel), proposta pela Juventude da União.

Esta norma afeta principalmente crianças de pais turcos, que, se a iniciativa da CDU seguir em frente, teria permissão para manter as duas nacionalidades até a maioridade e, em seguida, deve decidir por uma.

O próprio ministro do Interior, Thomas de Maizière, defendeu perante o congresso a fórmula vigente, em vez de proceder à sua revogação, mas os delegados pronunciaram-se contra.

Thomas de Maizière argumentou que no caso de o partido ganhar as eleições gerais de 2017, não será possível revogar a norma da dupla nacionalidade porque nenhum dos potenciais novos aliados apoiará esta medida.

Jens Spahn, membro da direção da CDU, pronunciou-se a favor da revogação, recordando que além dos compromissos futuros da coligação, um congresso deve servir para deixar clara a posição do partido.

O congresso entrou hoje na discussão de conteúdos programáticos para a campanha eleitoral das eleições gerais de 2017, depois de confirmar Merkel como líder da formação, com 89,5% dos votos.

A Alemanha acolheu 890.000 refugiados em 2015 e, apesar de o número de entradas ter caído significativamente desde então, essa “política de portas abertas” retirou a Merkel apoio entre os conservadores e beneficiou o partido populista e xenófobo Alternativa para a Alemanha (AfD), que passou de menos de 5% de votos nas últimas eleições para 12% de intenções de voto nas sondagens.

No seu discurso, Merkel advertiu que as eleições de 2017 vão ser “as mais difíceis” em que participou, considerando que o país está dividido, e pediu aos alemães que “desconfiem das respostas fáceis”.

A lei do asilo, as relações com a Turquia, como país chave para reduzir o afluxo de refugiados à União Europeia (UE), e outras propostas, tais como a proibição da burca e véus integrais islâmicos em espaços públicos são as principais questões a debater no último dia de congresso da CDU.

Lusa