Novo presidente do Camões pede envolvimento de vários ministérios nas competências do instituto

O novo presidente do instituto Camões, Luís Faro Ramos, exortou

"todo o Ministério dos Negócios Estrangeiros" bem como vários outros ministérios a assumirem "como centrais" as áreas da cultura e língua portuguesa e da cooperação.

"Se considerarmos que os temas que ocupam o Camões são centrais no contexto da política externa de Portugal, então assim devem ser assumidos por todo o universo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como nas respetivas áreas de responsabilidade, por outros ministérios relevantes para essa política externa, desde logo os chamados ministérios de soberania, Defesa, Administração Interna e Justiça, mas também outros, como Cultura, Economia, Educação, Ciência e Tecnologia ou Ensino Superior", sustentou Luís Faro Ramos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, deu posse ao embaixador como presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

Para o novo responsável, "cooperação, cultura e língua valem por si, mas têm um potencial enorme para se beneficiarem mutuamente e adicionarem valor à política externa global desde que sejam pensados e executados numa ótica de integração e inclusão".

O diplomata destacou os principais objetivos do organismo que vai passar a presidir: "Tratar a língua portuguesa como uma das mais importantes línguas globais do mundo de hoje, definir um novo modelo para a cooperação, desenvolver a cooperação multilateral no âmbito da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e modernizar a relação com as comunidades portuguesas".

Entre os desafios, destacou o desenvolvimento de conteúdos digitais para o ensino de português no estrangeiro, as parcerias com a Cultura e o Ensino Superior para a promoção da diplomacia cultural e científica e a colaboração entre Camões, AICEP e as empresas.

Ao ministro dos Negócios Estrangeiros, deixou um pedido: que o Camões seja considerado de "modo equivalente aos outros serviços" do ministério na colocação de pessoal diplomático, "nomeadamente de jovens diplomatas, propiciando um melhor e desejável envolvimento do corpo diplomático português nas áreas da cooperação, cultura e língua".

O novo responsável sucede a Ana Paula Laborinho, que deixa o Camões ao fim de oito anos para criar o escritório em Lisboa da Organização dos Estados Ibero-Americanos.

Luís Faro Ramos, 55 anos, era, até agora, embaixador português em Havana (Cuba), depois de ter estado em Tunes (Tunísia). Foi também diretor geral de política de Defesa Nacional, entre 2010 e 2011.

Lusa