Mulheres que lutam contra cancro da mama dão a cara por calendário solidário

Os rostos de 24 mulheres do litoral alentejano que enfrentaram com garra o cancro da mama são a cara de um calendário solidário, lançado para angariar fundos destinados à associação Missão Coragem, que apoia vítimas da doença.

O calendário "Mulheres como Nós" é um projeto "positivo" e "solidário" feito "com mulheres" e "para mulheres", que "não permitem que o cancro escreva o guião das suas vidas", descreve Ana Morais, coordenadora do núcleo de Grândola da Missão Coragem, também ela vítima da doença.

"Aos 40 anos tive a notícia de que tinha cancro da mama, foi detetado por mim, notei um caroço no peito, fiz uma ecografia, fiz uma mamografia e percebeu-se que havia necessidade de fazer uma biópsia", recorda.

Só com a remoção do nódulo foi possível uma análise profunda, que detetou "um carcinoma em fase muito inicial". Teve que se submeter a uma segunda intervenção cirúrgica, fazer radioterapia durante um mês e depois um tratamento hormonal, que significa ter de levar "uma injeção de três em três meses".

Durante este processo conheceu, através de um folheto no hospital, a Missão Coragem, uma associação do litoral alentejano, com sede em Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, que ajuda mulheres com cancro da mama, através da doação de próteses e soutiens adaptados ou de outras contribuições para resolver necessidades sentidas pelas vítimas da doença.

A ideia de fazer um calendário surgiu como uma forma de angariar fundos para a Missão Coragem e simultaneamente promover a "sensibilização e a prevenção" da doença, procurando contribuir para que as pessoas "não tenham medo de fazer os exames com receio de receber uma notícia negativa".

"É preferível receber uma notícia negativa com tempo, do que já com menos margem de manobra para poderem ter tempo de tratar, porque cada vez há mais sucesso se as coisas forem feitas atempadamente", alerta.

A opinião é partilhada pelas "modelos" do calendário, mulheres corajosas que enfrentam a adversidade com um sorriso no rosto e que querem contribuir para ajudar outras que estão a passar pelo mesmo, para que saibam que "não estão sozinhas".

Mamografia, ecografia, biópsia, mastectomia, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e tratamento hormonal são algumas das palavras que se repetem conforme seis das 24 mulheres partilham as suas histórias com a agência Lusa.

Cristina Pina, de Sines, demorou algum tempo a decidir ir ao hospital para saber a razão de uma "dor" na mama. Tinha um "cancro maligno".

Sem qualquer sintoma, o cancro de "grau cinco" de Maria de Fátima Batista, de Santiago do Cacém, hoje com 56 anos, foi detetado num rastreio.

Aos 49 anos, Isabel Feliciano, de Santiago do Cacém, hoje com 51, conseguiu o diagnóstico da doença, após "cerca de seis meses" a insistir junto dos médicos que "alguma coisa não estava bem" consigo, embora durante esse período lhe dissessem "que não tinha nada".

Teresa Mendes, de Grândola, agora com 40 anos, foi submetida a uma cirurgia aos 38, cerca de um mês depois de ter reparado no reflexo do espelho "que tinha a pele do peito diferente".

Residentes na aldeia do Carvalhal, na costa do concelho de Grândola, Carmélia, de 53 anos, e Sandra Duarte, de 42, são irmãs e companheiras na luta contra o cancro da mama.

Carmélia descobriu o cancro aos 35 anos, quando procurou os médicos para detetar a origem de uma dor. Ultrapassou a doença, mas voltou a ter que travar nova batalha anos mais tarde.

Foi nela que Sandra encontrou apoio quando, em 2015, foi detetado um nódulo num rastreio de rotina.

"Eu não sabia o que se ia passar, mas sabia o que esperar, foi muito importante ter a minha irmã", reconhece, defendendo ser "muito importante as pessoas perceberem que não estão sozinhas, que há alguém que as percebe", sendo essa uma das razões pela qual decidiu dar a sua cara por esta causa.

O calendário solidário "Mulheres como Nós" foi feito da boa vontade de pessoas que lutaram ou estão a lutar contra o cancro da mama, com o contributo de cinco fotógrafos que aceitaram o desafio e se voluntariaram para as sessões fotográficas.

Os calendários podem ser adquiridos pelo valor de cinco euros em vários estabelecimentos das localidades de Grândola, Melides, Santiago do Cacém, Vila Nova de Santo André, Cercal do Alentejo, Sines e Odemira ou através da página no Facebook "Calendário Solidário - Mulheres como Nós".

Texto e foto: Lusa