MNE: Portugueses mostram como é possível boa integração sem violar identidade dos migrantes

O ministro dos Negócios Estrangeiros deu hoje o exemplo da facilidade de integração dos emigrantes portugueses para defender que é possível, em Portugal, acolher migrantes “sem que a sua identidade seja violada”.

As comunidades portugueses são “bem integradas e não tiveram de sacrificar nenhum elemento da sua identidade originária”, disse hoje Augusto Santos Silva, intervindo numa conferência de dois dias sobre migrações e relações interculturais, organizada pela Universidade Aberta.

“As nossas comunidades no estrangeiro mostram que é possível integrar as migrações sem violar as suas identidades, e o acolhimento que damos aos nossos imigrantes mostra que é possível desenvolver políticas públicas, com apoio social largamente maioritário, tratando os imigrantes no respeito pelos seus direitos”, sustentou.

Há 15 milhões de portugueses e lusodescendentes em todo o mundo. Em Portugal vivem 10 milhões de portugueses e quase 500 mil estrangeiros.

Santos Silva comentou que não há registo de “dificuldades de integração”, ressalvando: “Não digo que eles vivam no paraíso. Sei que as desigualdades sociais existem. (…) Não há em Portugal nenhum eixo de discriminação que funcione apenas porque se lida com um estrangeiro, o que é um valor inestimável da sociedade portuguesa”.

O governante defendeu que a Europa “precisa de mais gente”, ilustrando que no início do século XX, vivia na Europa entre ¼ e 1/5 da população mundial e, hoje, não chega aos 10%.

“A Europa vive uma situação como um outono muito tardio, se não já um inverno demográfico, um deles é Portugal”, alertou.

Santos Silva defendeu que, “ao contrário do que a extrema-direita europeia costuma dizer, a Europa precisa de imigrantes, seja por razões demográficas, económicas ou por coerência com os seus próprios valores”.

“A questão não é saber como impedimos a migração, mas como a regulamos”, destacou.

No mesmo sentido, o alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, sustentou que o diálogo intercultural “é muito mais do que a acomodação das culturas”.

“Na troca, ninguém tem de perder nada do que são os seus referentes. O limite é o da nossa Constituição, questões como os direitos humanos”, defendeu.

O responsável sustentou que as migrações têm “impactos positivos óbvios” na demografia, na sustentabilidade da segurança social ou na criação de emprego, enquanto a ineficácia da gestão dos fluxos e a não-integração dos migrantes conduzem ao aumento dos extremismos, exclusão social de grupos étnicos, crescimento de populismo, maior desemprego dos migrantes ou a desfiliação dos descendentes dos emigrantes.

A conferência, organizada pelo Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais da Universidade Aberta, decorre até sábado na fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Lusa