Ex-editora da Berlinda inicia Tertúlias em Lisboa

 

Inês Thomas Almeida é uma mulher que não pára e para onde vai faz a diferença. Todos nos lembramos da energia que pôs no seu projecto, no «seu cavalo de batalha», a Berlinda, o magazine cultural transversal à língua portuguesa que criou do nada. O Portugal Post acompanhou-a logo no início com uma entrevista muito intimista sobre a ex-cantora lírica e os seus projectos para Berlim. Nessa altura, estava na forja o festival da Berlinda, um evento das culturas lusófonas, que realizou em Berlim com muito sucesso e que teve lugar entre 17 de Outubro e 17 de Novembro de 2012.

Entretanto, mudou de país e de rumo. Foi há pouco mais de um ano que Inês Thomas Almeida trocou Berlim por Lisboa e entregou a Berlinda a Tiago Pais, proprietário do espaço Sete Mares. Após umas merecidas férias de praia, Inês voltou em forma à capital e iniciou a primeira de um ciclo de Tertúlias da Calçada da Tapada. 

Inês Thomas Almeida descreve as suas tertúlias como “um lugar de encontro e partilha, na senda dos salões literários de Berlim, na viragem do século XVIII para o século XIX, e das tertúlias portuguesas que por cá se fizeram e ganharam tradição, pelo menos já desde o fim do Antigo Regime. A ideia é retomar a saudável tradição da tertúlia e promover um ameno encontro de amigos (os presentes e também os  futuros) onde o epicentro seja a troca, a exposição e a discussão de ideias”. 

A primeira Tertúlia ocorreu em 25 de Novembro de 2016, com a presença do Portugal Post, que viu nascer estas tertúlias, e também da professora Joana Rabinovitch e da jornalista Fátima Roldão Medina.

Os temas abordados nos encontros que se seguiram ao longo de 2017 foram: O Terramoto de 1755, Eça de Queiroz e o seu tempo, Prantos, Amores e Outros Desvarios, Colectânea de Contos da Escritora Teolinda Gersão, com a presença da escritora, e Grandes Outsiders da História.

O tema da última tertúlia foi a "Herança Sefardita" e realizou-se no passado dia 31 de Agosto. A tertúlia contou com a presença do rabino de Belmonte, Elisha Salas, e também do crítico literário do Público, José Riço Direitinho, do pianista do Coro do São Carlos, Nuno Margarido Lopes, além da correspondente do Portugal Post em Berlim, Cristina Dangerfield-Vogt, e outros convidados. A conversa fluiu até às primeiras horas da madrugada. Todos os convidados contribuíram com doces e salgadinhos, regados pelos vinhos da Nieport, cortesia desta família. Os participantes contaram histórias sobre a vida sefardita, os seus costumes e a sua cultura, que marcaram vários séculos da História de Portugal, incluindo experiências pessoais de alguns sefarditas portugueses presentes nesta agradável e interessante reunião. A viagem dos sefarditas para o Império Otomano e a história de Dona Grácia, da autoria de Aaron Nommaz, recentemente publicada em livro na língua turca, foi uma contribuição da correspondente do PP, e cujos artigos sobre esta fascinante matéria o jornal publicara em edições anteriores.

Inês Thomas Almeida fez as honras da casa, interpretou canções sefarditas, acompanhada ao piano por Nuno Margarido Lopes, e moderou as conversas e apresentou os vinhos.

Para os interessados neste assunto, que estejam em Lisboa, no próximo dia 29 de Outubro, terá lugar no CCB, uma conferência sobre Grácia Nasi, a banqueira judia portuguesa que organizou uma rede de resgate dos judeus ibéricos para o Império Otomano, e que também foi tema desta última tertúlia.

 C.D-V

 

Foto-legenda. Da direita para a esquerda: José Riço Direitinho, Inês Thomas Almeida,Cristina Dangerfield-Vogt, Rabino de Belmonte, Elisha Salas, Joana Rabinovitch, entre outros 

 Cortesia de Inês Thomas Almeida