Colectânea de contos:  Livro "Contos da emigração, homens que sofrem de sonhos” Nas livrarias a partir do dia 21 de Março

A literatura recente está em dívida para com a emigração, dívida essa que poderá ser em parte corrigida com a publicação de uma colectânea de contos da emigração pela Oxalá Editora. Paulo Pisco, deputado eleito pelas comunidades portuguesa na Europa prefacia esta colectânea de contos, e sobre estas histórias escreve:

"O livro “Contos da Emigração – Homens que Sofrem de Sonhos”, um título bonito e romântico, apresenta um conjunto de dez histórias ficcionadas sobre uma realidade muito poderosa, que é a emigração portuguesa, que é vasta e está espalhada por todos os continentes. Nos contos, bem escritos e bastante expressivos, os portugueses estão representados na sua complexidade social, psicológica, económica e cultural, que caracteriza a vida daqueles que um dia se sentiram impelidos a deixar o país, para procurarem noutras paragens as oportunidades que não encontravam em Portugal, para terem mais horizontes para si e para os seus. Mesmo que também haja quem partiu levado pela aventura e pela curiosidade de conhecer o mundo, algo igualmente familiar aos portugueses”,

 A colectânea inicia-se com  um  conto de Ana Cristina Silva (Prémio Fernando Namora) que relata  a passagem a salto para terras de França nos anos sessenta, cujo título é exactamente “ A salto.” Também as aventuras e tragédias da viagem de um emigrante até ao país de acolhimento servem de cenário ao extraordinário conto de José Rodrigues Migues, “O Viajante Clandestino”.

Os contos de Cristina Torrão e Isabel Mateus – respectivamente, “Vidas Adiadas  e o “Apelo do Vale” - centram-se nos dramas da emigração dos anos sessenta, nas horas excessivas de trabalho dos emigrantes, no desencontro com os filhos que não são criados pelos pais porque ficaram em Portugal e no desencontro com o próprio Portugal, quando passados anos, demasiados anos depois, regressam ao seu país.    

Nuno Gomes Garcia (semi-finalista do prémio Leya), no conto “O Sobrinho”, coloca os dramas da emigração dos anos setenta e da emigração recente num país de cenouras para onde emigram as cebolas. Esse registo metaforizado permite-lhe a abordar a exploração dos emigrantes mais antigos e dos recém-chegados e a discriminação e violência em relação aos emigrantes.  

O conto de Rita Uva,” Partida Largada, Fugida”, centra-se igualmente na emigração recente de jovens quadros por causa da crise, o primeiro impacto da vida na Alemanha e a sua inevitável adaptação.

 Gabriela Ruivo Trindade (Prémio Leya), Miguel Szymanski e  Luísa Coelho partilham nos seus contos  o tema da interculturalidade e da questão das origens culturais. “Cab Driver” de Gabriela Ruivo Trindade relata-nos as aventuras e percepções de um taxista português emigrado em Londres em relação a clientes de diferentes  culturas. “A minha Bicicleta Verde” é um conto auto-biográfico sobre as origens portuguesas e alemãs do autor. Luisa Coelho, por seu lado, no conto Uma História Verdadeira”, explora o cruzamento de culturas europeias na origem de uma personagem africana.

Por último, a colectânea contém ainda um conto do nosso grande Eça de Queirós, -“Um Poeta Lírico” -  que nos conta a história de um poeta grego, nas andanças do narrador pela Inglaterra.

     “Este conjunto de contos tem essa virtude maior que é a de nos fazer viajar pelas vidas daqueles que um dia tiveram de deixar o país, pelas suas dificuldades e dramas, pelos seus sonhos e ambições, pelo seu impulso aventureiro, pelas suas experiências nos países de acolhimento e como vivem a sua ligação a Portugal”, pode ler-se no prefácio de Paulo Pisco.

Um conjunto de narrativas que constituem um tributo a todos aqueles que um dia tiveram de emigrar.

MS