“A Vida numa Mala” - Livro sobre a emigração na Alemanha faz a ponte entre o passado e o presente

Entrevistas a portugueses e turcos que emigraram nos anos 60 para a Alemanha; uma viagem às raízes do milionésimo trabalhador estrangeiro a chegar à Alemanha, Armando Rodrigues de Sá e depoimentos e entrevistas a novos emigrantes e a “viajantes” que tinham razões diferentes, mas destinos comuns,  tudo isto, e muito mais, cabe no livro “A Vida Numa Mala” da Autoria de Dangerfield-Vogt e Svenja Länder recentemente editado pela Oxalá Editora. Este livro irá figurar na  história da emigração como  “um testemunho histórico e uma reflexão sobre vidas de andarilhos que, no fundo, são os imigrantes todos”.

 

“A ideia do projecto de livro A Vida Numa Mala nasceu da viagem que Svenja Länder e António de Sá, neto de Armando Rodrigues de Sá, voltam a fazer cinquenta anos depois da viagem do seu avô em 1964, no âmbito das comemorações do 50º aniversário da chegada do milionésimo Gastarbeiter a Colónia e da assinatura do acordo de recrutamento de trabalhadores portugueses para a Alemanha. A Vida Numa Mala é o primeiro livro dedicado a Armando Rodrigues de Sá, quer em português quer em alemão, e o primeiro que se debruça sobre a sua história, a sua vida privada e os seus pensamentos. Não só pretendemos homenagear Armando Rodrigues de Sá, como apresentamos ao público um Armando símbolo da imigração na Alemanha, e não só da comunidade portuguesa, mas também de todos aqueles que um dia partem à procura de uma vida melhor rumo à Alemanha. Daí fazermos a ponte para outras comunidades, escolhendo a mais significativa em números e em visibilidade, a turca, e para a questão dos refugiados. Estes temas estão interligados e, actualmente, alcançam e motivam um público muito vasto.”

É desta forma que que as autoras do livro “A Vida Numa Mala”, Cristina Dangerfield-Vogt e Svenja Länder respondem quando confrontadas com a pergunta sobre as razões da publicação de um livro que tardava em aparecer para prestar homenagem e lembrar o mais célebre de todos os que emigraram para a Alemanha nos idos dos anos 60, o português  milionésimo “Gastarbeiter” Armando Rodrigues de Sá.

Mas o livro “A Vida Numa Mala” não pára nem se esgota na viagem que as autoras fizeram aos anos 60 e às raízes de Armando Rodrigues de Sá.

“Quase se poderia dizer que se trata de um livro on the road para a Alemanha que não é apenas sobre Armando. A viagem do milionésimo Gastarbeiter de Lisboa para Colónia em 1964 e a do seu neto e da historiadora alemã em 2014 são o leitmotiv do livro, mas este não se esgota na história oficial daquela figura histórica da imigração na Alemanha. No nosso projecto, aprofundámos a figura de Armando, partimos à procura da sua história pessoal inserida no contexto familiar e local, pesquisámos e analisámos vários temas no âmbito das Migrações e recolhemos muitos outros depoimentos pessoais, fazendo a ponte para os refugiados, o que nos leva para além da emigração portuguesa nos anos 60. As migrações têm algo de fuga que deixa um sabor amargo na boca, independente dos motivos que levam as pessoas a partir”. 

Sem revelar o que  “as outras histórias” são, o livro merece ser lido como uma justa homenagem aos emigrantes, como aponta Cristina Dangerfield-Vogt.

"A Vida Numa Mala é a viagem de comboio entre Lisboa e Colónia em 1964, com flashback para as memórias de Armando, e a de 2014. A viagem em dois tempos diferentes é o palco a que sobem várias figuras que contam as suas histórias de migração, do Ocidente e do Oriente, para a Alemanha, nos anos 60 e na actualidade. Este estilo on the road rumo à Alemanha, local de encontro destas pessoas com antecedentes socio-culturais tão diversos, é o elo de ligação entre as várias figuras que contam as suas histórias no nosso projecto. A Alemanha é o ponto de encontro e o elo que une as várias comunidades de imigrantes neste país. Gostaria ainda de mencionar que durante a viagem, António e Svenja passaram por Paris à procura de Armando, que mudara de estação naquela cidade em 1964. Esta escala na viagem deu-nos uma boa oportunidade para homenagear os emigrantes portugueses que desembarcaram em Paris à procura de uma vida melhor ou da liberdade nos anos 60, dedicando-lhes um capítulo precedido por duas histórias da emigração portuguesa em França."

No livro, os depoimentos de várias figuras vindas de diferentes partes do mundo, do passado e do presente, contam as suas histórias de migração, torna a obra num documento vivo.

“As entrevistas com os vários migrantes têm todo o tipo de referências culturais, religiosas, políticas, históricas, etc. que completam “os retratos” que tiramos aos vários migrantes que se encontram na Alemanha e que influenciam este país e que foram influenciados pela cultura predominante da sociedade de acolhimento. Por isso, cada leitor irá fazer uma leitura muito própria e pessoal e a sua identificação será muito variada. Uns identificar-se-ão com as viagens, outros com os sentimentos, outros com o que encontraram, outros com as ilusões e outros com as desilusões, e a saudade será comum a todos. O imigrante chega e enriquece o país de acolhimento, tornando-o mais diversificado. O que é interessante é que a percentagem da cultura do país de partida relativamente à do país de acolhimento varia da primeira à quarta geração de imigrantes. A que era predominante no início deixa de o ser, e na quarta geração constata-se, na maioria dos casos, mesmo uma inversão, um «homem novo» que resulta da interacção socio-cultural do país de origem dos pais, cada vez mais distante, e a do país em que se integrou.”

O livro é uma, por assim dizer, co-produção luso-Alemã. E melhor não poderia ser. A portuguesa Cristina Dangerfield-Vogt, jornalista e a alemã Svenja Länder, historiadora, especialista em questões emigração portuguesa na Alemanha, dão-nos a conhecer o seu encontro e a ideia do projecto do livro.

"Quando nos encontrámos em Berlim-Mitte há um ano e meio, não nos conhecíamos. A Svenja, que é historiadora, especializada em imigração portuguesa na Alemanha, cuja tese de mestrado sobre A Batalha (um projecto dos exilados políticos portugueses na RFA durante o salazarismo), entusiasmou-me para este projecto de livro. Começámos a trabalhar as duas com o mesmo objectivo, o de homenagear Armando e todos os outros que deixaram as suas terras em busca de uma vida melhor. O projecto foi crescendo. A minha experiência do Médio Oriente e o trabalho com migrantes e refugiados da Svenja apoiaram o alargamento do projecto a outros grupos. Tivemos muitas ideias inovadoras, umas semelhantes, outras que se completavam e cultivámos um profundo e descomplexado diálogo. O segredo do sucesso do nosso trabalho conjunto foi: nunca perder de vista que as pessoas homenageadas no projecto eram as «vedetas» e nós apenas os instrumentos da sua realização. De A Vida Numa Mala, um projecto realizado a duas mãos, por uma portuguesa e uma alemã, surgiu uma grande amizade intergeracional e intercultural.”

O lançamento e a apresentação oficial do livro foi realizado no passado dia 7 de Abril, na Embaixada de Portugal em Berlim. Agendadas estão apresentações em Portugal, Lisboa e Porto, apoiadas por meios visuais, leituras de textos e intervenções.

A obra é uma edição da Oxalá Editora e estará à venda nas livrarias em Portugal e Alemanha e nas plataformas digitais da Wook e Bertrand. De sublinhar que o livro tem o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e do Portugal Post.

 

Número de Páginas: 156

Editor: Oxalá Editora

ISBN: 978-3-946277-02-6

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