A minha admiração pelo Portugal Post

O Portugal Post é o único jornal em língua portuguesa para a nossa comunidade na Alemanha. E já existe há 24 anos, para grande benefício de todos. Ao longo do tempo foi resistindo às dificuldades, às incompreensões e até às injustiças. Mas continua ativo e dinâmico, e é isso o mais importante.

Tive a oportunidade de visitar oficialmente a redação do jornal e falar com o seu diretor, Mário Santos, no passado dia 19 de Fevereiro em Dortmund. Foi um ato de modesto reconhecimento da importância que o jornal tem para a comunidade portuguesa na Alemanha.

Ouvindo as pessoas e as instituições, creio que muitas vezes a nossa comunidade não percebe bem a importância de ter regularmente, todos os meses, um jornal que lhes leva informações úteis e temas de reflexão sobre como os portugueses se inserem no país, sobre assuntos nacionais ou relacionados com a vida das comunidades, que lhes dizem diretamente respeito e que, portanto, deveriam suscitar o seu interesse.

Os partidos políticos podem transmitir as suas mensagens, o movimento associativo pode anunciar as suas iniciativas e vê-las nas páginas do jornal, e a comunidade em geral pode ter acesso a muita informação útil sobre questões de natureza social ou jurídica, como a que tem a ver com o trabalho ou as pensões de reforma. Também os assuntos relacionados com as atividades consulares, com o ensino e com a cultura são presença constante no jornal. Tudo questões fundamentais para a vida dos portugueses que residem, trabalham ou estudam na Alemanha.

E no entanto, apesar da imensa utilidade do jornal, nem tudo são maravilhas e facilidades. Seria muito bom e um excelente sinal se fizéssemos tudo para aumentar o nosso sentido de comunidade, reconhecendo a sua importância. Em sentido oposto, seria uma perda irreparável para a nossa comunidade se, por absurdo, o jornal deixasse de ser publicado.

Os serviços públicos, a começar pelos consulados e embaixadas não deveriam apenas usar o jornal, mas também ajudá-lo. O mesmo deviam fazer as empresas e as associações, os restaurantes e os comércios. Não apenas para fazer publicidade, mas acima de tudo numa lógica de serviço à comunidade, o que seria um excelente contributo para a sua coesão e capacidade de afirmação.

A imprensa nas comunidades desempenha um papel de grande relevância na informação, formação e coesão dos portugueses residentes no estrangeiro e o Portugal Post é um bom exemplo disso. E é também por essa razão que a sua autonomia editorial e independência na análise e na crítica devem ser compreendidas e respeitadas, como é normal na vida em democracia. A existência de órgãos de imprensa nas comunidades é um sinal de vitalidade democrática e, ao mesmo tempo, de preocupação com a melhoria das condições de vida das pessoas, além de ser uma imensa riqueza que permite que cada um se exprima livremente e veja e reveja nas iniciativas que se realizam.

É por isso que admiro quem dirige jornais ou anima programas de rádio nas comunidades, que pelas dificuldades naturalmente inerentes à sua atividade, maior razão há ainda para serem reconhecidos e apoiados. E é também por isso que presto publicamente o meu reconhecimento ao diretor do Portugal Post, o Mário Santos, que há tantos anos já presta à nossa comunidade na Alemanha esse inestimável serviço público, procurando ter uma comunidade melhor informada, mais forte e mais coesa, com mais voz tanto na Alemanha como em Portugal. Obrigado Mário!

 

Paulo Pisco

Deputado do PS eleito pelas Comunidades