“A educação é a vacina contra a violência” (E.J.Olmos)

 

 

Por Cecília Loureiro | Psicóloga

 

 

A Convenção dos Direitos das Crianças refere no Artigo 28 que os Estados devem garantir uma Educação de qualidade às suas crianças, “tornar o ensino primário obrigatório e gratuito, encorajar a organização de diferentes sistemas de ensino secundário acessíveis a todas as crianças e tornar o ensino superior acessível a todos, em função das capacidades de cada um. A disciplina escolar deve respeitar os direitos e a dignidade da criança. Para garantir o respeito por este direito, os Estados devem promover e encorajar a cooperação internacional” (UNICEF), com o  objectivo fundamental de as preparar para assumirem uma vida responsável numa sociedade livre, baseada na compreensão, na paz, na tolerância, na igualdade de género e na fraternidade.

Igualmente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Plano Sectorial para a Igualdade, refere nas medidas 10 e 11 a necessidade de promover e reforçar iniciativas, nas Comunidades Migrantes, que visem reduzir, ou mesmo erradicar, as desigualdades e a violência de género.

Deste modo, a Prevenção da Violência e a Promoção dos Direitos Humanos na Escola revela-se uma prioridade para uma comunidade escolar igualitária e integrada.

A escola deve ser um espaço democrático, inclusivo e de formação integral, um lugar em que as crianças, docentes e famílias se sintam seguras e livres de violências.

 A violência deverá ser analisada como um problema educacional, seja pela sua emergência dentro da própria comunidade escolar - violência na escola -, seja pela consciência das relações que se estabelecem entre a violência na escola e o comportamento social. Sabemos que o impacto da violência no contexto escolar afecta o processo pedagógico na escola e as consequências na saúde psicológica e física são múltiplas, acarretando a violência nas suas diferentes formas [doméstica, de género , sexual, psicológica , entre pares ( bullying) e outras…], consequências nefastas que podem compreender; o abandono escolar, graves problemas psicológicos nas crianças/adolescentes com repercussões no Futuro. Estudos teóricos e práticos comprovam que a forma como as pessoas são tratadas na infância tem um impacto profundo, na maneira como se irão relacionar nas outras etapas da sua vida com os/as outros/as.

Com base nestes objectivos reunimos, novamente, com a Associação de Pais/Mães e Amigos/as da Escola bilingue “Grundschule Neues Tor “ que contou com a presença da Srª. Directora Frau Mihov.

Desta reunião resultou a convicção plena de que é URGENTE garantir uma educação inclusiva para uma Cidadania Participativa e Igualitária na Comunidade de Língua Portuguesa pretendendo-se implementar um Projecto com enfoque na Promoção da Igualdade de Género (IG), dos Direitos Humanos (DH) e na Prevenção Primária da Violência de Género (VG)- seguindo as linhas norteadoras do Projecto original da União de Mulheres Alternativa e Resposta -UMAR.

Uma escola saudável é possível quando o esforço e o compromisso é constante e efectivo do pessoal directivo, docente, alunos/as, pais/mães/educadores/as, autoridades educativas, instituições públicas, meios de  comunicação e a sociedade no seu conjunto