Entrevista: Manuel Campos, sindicalista, diplomata e homem de muitas vocações

“Fui o primeiro diplomata alemão oriundo da emigração”

Manuel Campos
Manuel Campos

Manuel Campos é uma personalidade da comunidade lusa na Alemanha cujo currículo não deixa ninguém indiferente. Nunca um português emigrante na Alemanha terá subido “tão alto” na Alemanha em actividades como o sindicalismo, a politica e a diplomacia.

Não é apenas por isto que Manuel Campos deve merecer honras de primeira página no PORTUGAL POST. O seu longo currículo é rico em actividades. Ao lermos a sua lista de “afazeres” sócio-profissionais fica-se com a impressão que Manuel Campos não ficou um minuto parado. A sua militância politica e sindical, à esquerda, reflecte também preocupações sociais em áreas como a defesa dos direitos trabalhadores emigrantes.

O leitor ficará a conhecer (se já não conhece) uma personalidade que pertence àquela dúzia de portugueses na Alemanha que, à sua maneira, marcaram a vida lusa neste país.

A actividade de Manuel Campos ainda não fica por aqui. O regresso à política portuguesa pode ser o próximo passo deste português natural do Porto que chegou aqui fugindo à ditadura, corria o ano de 1972.

 

 

Portugal Post_ A sua vida está recheada de actividades profissionais. Para além do seu trajecto profissional, andou pela política, pela cultura, pela poesia, sindicalismo, jornalismo, etc. Quer fazer-nos um resumo sintético das actividades profissionais e extra-profissionais que exerceu durante o seu tempo de permanência na Alemanha?

Manuel Campos_ Depois da minha chegada à Alemanha, em 21 de Dezembro de 1972, Kaiserslautern foi minha primeira cidade de residência. Durante algum tempo dei aulas de português. Segui para Mainz, onde trabalhei na Missão Católica, como Assistente Social do Padre José Cabral. Segui para Rüsselsheim, onde fiz minha primeira experiência de trabalho físico, na linha de montagem da Opel. Dali segui para Frankfurt, onde trabalhei como redactor do jornal Diálogo do Emigrante na Missão Católica daquela cidade. Dei aulas de Português e de Violão na Universidade popular (Volkshochschule - VHS), conseguindo a primeira Biblioteca de livros portugueses para essa escola. Militei no PS, filiei-me no SPD, para quem fiz muitos concertos de música, conhecendo num deles pessoalmente Willy Brandt. Entrei como funcionário para o IG Metall no dia 16 de Abril de 1974, organizando e formando sindicalmente  os trabalhadores portugueses da indústria metalúrgica. Durante esse período, que durou até 31 de Abril de 2013, escrevi poesia e fiz muitos concertos, para além de várias outras actividades. Fui jornalista oficial da Agência de Notícias LUSA até à queda do Muro de Berlim, redactor do Jornal de Notícias, 10 anos Locutor da ZDF, visitei Centros, Associações e Missões Católicas em todo a Alemanha, fui membro do Conselho das Comunidades (que abandonei quando me disseram que deveria ser a voz do Governo!), participei em vários projectos europeus sobre emigração e direito de asilo. Em 2002 candidatei-me à vaga de Conselheiro social na Embaixada da Alemanha em Brasília (para o Brasil e Chile), trabalhando em Brasília como diplomata alemão de 2003 a 2007. De Novembro de 2010 a Abril de 2013 fui enviado pelo IG Metall para São Paulo, trabalhando ali com responsável por Redes Sindicais internacionais na América Latina, para a FITIM (Federação Internacional dos trabalhadores das indústrias metalúrgicas) entretanto substituída pela IndustriAll (organização internacional dos metalúrgicos, químicos e têxteis, com sede em Genebra), até ser reformado no 1° de Maio.

 

 

PP_ Como e quando se deu a sua chegada Alemanha, ou melhor, quais as razões que o trouxeram até a este país?

M.C._ Em 1972, na cidade do Porto, fui abordado na rua por uma senhora, que me queria convidar  para jantar com ela (!). Perante minha surpresa e declínio, afirmou que era importante o que tinha para me dizer. Pensei que me queria ler a sina. Curioso e inocente como era – tinha terminado há pouco os meus Estudos Superiores de Filosofia e Teologia - aceitei o repto. Jantámos num restaurante de luxo da cidade, com direito a fotógrafo. No decorrer do jantar disse-me que era da PIDE e estava ali para me aconselhar a deixar o país. Era o tempo da Ditadura e ela responsável por me seguir, embora me considerasse inocente e não perigoso. Porém, algumas actividades teatrais, com textos proibidos pela Censura, ter-me-iam colocado na lista. E ela, que já não esperava muito mais da vida, queria fazer alguns actos positivos. Perguntei, desde quando a PIDE avisava suas vítimas, ao que ela respondeu: em princípio, nunca, mas isso seria decisão dela. Aconselhou-me a levar de recordação a foto do encontro, que ainda possuo e que já esteve exposta no Museu da História da Alemanha, em Bona, ao lado da Motorizada do Milionésimo “Gastarbeiter”, o português Armando Roridgues de Sá.

 

PP_ Começando pelo fim: em 2003 foi nomeado Conselheiro Social da embaixada da Alemanha em Brasília quando toda agente estava à espera que viesse a ocupar um lugar idêntico na embaixada de Portugal em Berlim. A que se deveu a sua nomeação para esse cargo?

M.C._ Depois da derrota do nazismo e a instituição da democracia na Alemanha, foi feito um pacto entre o primeiro chanceler da Alemanha, Konrad Adenauer, e a DGB (Federação dos Sindicatos Alemães), segundo o qual visava que as vagas de adidos sociais nas embaixadas da Alemanha seriam primeiro comunicadas à DGB, que teria o direito de propor candidatos às mesmas. O que ainda é feito. Um colega da DGB insistiu para que me candidatasse. Declinei, por não acreditar que os alemães aceitassem um português, e ainda por cima emigrante. Tendo porém recebido o apoio dos então presidentes do IGM e da DGB, candidatei-me.  Fui examinado policialmente e testado por três Ministérios, sendo aceite. Perguntaram-me se já tinha a nacionalidade alemã, o que neguei. Insistiram para que o fizesse rapidamente, pois iniciaria as funções em Novembro de 2003, na cidade de Brasilia. O processo demorou cerca de um mês. Posso afirmar que fiz uma mudança radical no meu modo de actuação, mas valeu a pena, como também o atestam as afirmações e louvores recebidos e o trabalho efectuado. Como exemplo: o Acordo Bilateral de Segurança Social Brasil-Alemanha, que entrou em vigor no dia 1° de Maio deste ano, foi uma das minhas iniciativas.

 

PP_ Nunca o sondaram para cargo idêntico na embaixada portuguesa?

M.C._ Nunca fui solicitado pela Embaixada de Portugal para qualquer coisa semelhante. Nem sequer no âmbito dos responsáveis pela emigração, que influenciei de forma política e sindical, até hoje visível.  Talvez isso se deva também ao meu espírito crítico, por vezes rebelde, mas nunca destrutivo. Quero afirmar, no entanto, que, no Brasil, depois dos primeiros “impactos” e “distâncias” causadas pela minha posição de português, mas diplomata alemão, foram feitas algumas cooperações e actividades conjuntas, tanto musicais, com o então Adido Cultural e excelente pianista Adriano Jordão, como sociais, com o então Adido Social da embaixada portuguesa. Mereci todo o carinho e respeito do então Embaixador português Francisco Seixas da Costa, que até me dedicou uma festa de despedida e de quem sou amigo.

Mas, quanto aos contactos da embaixada: talvez as coisas mudem no futuro, quando os responsáveis diplomáticos e políticos descobrirem que ficam melhor se se relacionarem com aquelas pessoas que estão na linha de frente e no terreno. Por vezes falta-lhes a coragem , outras vezes a humildade para o fazerem.

 

PP_ Como se tornou possível exercer o cargo na embaixada no Brasil?

M.C._ O exercício do cargo só foi possível por ter Estudos Superiores (condição exigida) e ter sido considerado politicamente apto pelos respectivos ministérios, após o necessário teste. Repito que a diplomacia deve ser considerada como uma mudança radical na vida daquelas pessoas que, na sua vida profissional, sempre lutaram abertamente e tomaram partido ou posições claras em casos de decisão. Por isso tive que aprender muito, mudar minha forma de actuar, sem esquecer quem representava e o que estava em jogo. Mas o diplomata é como um lavrador: prepara o terreno, para que os frutos sejam colhidos por quem ele representa. 

 

PP_ Podemos dizer que é o primeiro português a entrar nos quadros da diplomacia alemã ?

Como me foi confirmado, fui o primeiro diplomata alemão vindo da Emigração. Fui integrado nos quadros da diplomacia, como qualquer outro diplomata alemão de carreira superior, mas não como “Beamte” (funcionário do Estado) e apenas pelo prazo de três anos mais um, o que acontece com todos os Adidos Sociais da Alemanha.

M.C._ Passando para outra actividade não menos importante no seu currículo.  Como é que chega a  ocupar o cargo de responsável pelo departamento dos trabalhadores estrangeiros na direcção do poderoso sindicato IG Metall (Sindicato dos Metalúrgicos) ?

Era o ano de 1974. Na Alemanha crescia o número de emigrantes, também de portugueses. Muitos tinham regressado há pouco  da “Guerra nas Colónias”, a sua experiência com instituições democráticas em Portugal, onde existia a Ditadura, era nula. O IG Metall tinha acabado de criar um Departamento de Emigração. Funcionários dos cinco principais países de emigração (Turquia, Itália, Jugoslávia, Grécia e Espanha) tinham a tarefa de organizar sindicalmente os seus companheiros, enquanto os portugueses deveriam ser agregados ao grupo espanhol. Isso não agradou, nem resultou, pelo que o IGM abriu candidatura para um português. Candidatei-me e, entre vários, fui escolhido. O responsável do departamento era um colega alemão, com quem aprendi muito. Ele abdicou e reformou-se na altura em que o nosso colega turco, na leva da democratização pós-queda-do muro, conseguiu ser eleito para a Comissão Executiva do sindicato. O seu lema era: os filiados estrangeiros não deverão ter apenas os mesmos deveres, mas também os mesmos direitos, entre eles o de assumirem cargos de direcção. Após a eleição, esqueceu isso e decidiu colocar de novo um alemão à frente do Departamento de Emigração. Decidimos que se isso acontecesse, nós não estaríamos de acordo. A direcção do Sindicato entendeu e acatou os nossos argumentos, forçando a nomeação de um dos companheiros do Departamento de Emigração como Director. A escolha caiu na minha pessoa, que não esperava por ser o mais novo do grupo. Fui nessa altura o primeiro estrangeiro a chefiar um Departamento no IGM . Foram feitas apostas de que não aguentaria muito tempo. Mas foram mais de dez anos, interrompidos apenas com a minha saída para a Embaixada da Alemanha em Brasília.

 

PP_ É também o primeiro português a pertencer à direcção da IG Metall?

M.C._ Não pertenci à Direcção eleita do IG Metall, mas sim aos quadros directivos de confiança, na administração da central.

 

PP_ Quer dizer que esse cargo dá-lhe uma projecção que muitos poucos portugueses conseguem na Alemanha. Qual era a sua função, exactamente? 

M.C._ Que eu saiba, infelizmente mais nenhum português assumiu cargos desse género. Resumidamente, a tarefa consistia em, juntamente com um dos membros da Comissão Executiva, coordenar, dirigir e implementar o Departamento e a Política de Emigração, interna e externamente, no país e na União Europeia, defendendo os interesses dos emigrantes e a posição do IG Metall. Isso era sobretudo importante, porque os membros da Comissão Executiva, responsáveis pelo sector de emigração, mudavam muitas vezes – eu conheci oito – e nós tínhamos que dar continuidade à evolução da política de emigração. Essa tarefa culminou sobretudo com a aprovação dos “Direito de Reivindicação e de Moção” dos Emigrantes, a nível da Direcção Nacional, do Congresso, das Conferências Distritais e da Direcção Local do IG Metall, que foi aprovado por unanimidade pela Direcção Nacional. Isso abriu as portas para a politização e igualdade de possibilidades dos emigrantes dentro do IG Metall. Aliás, direitos, como o de voto, que ainda hoje nem todos os estrangeiros usufruem na sociedade alemã.

 

PP_ Alguma vez colocou a sua influência em favor da defesa dos interesses dos trabalhadores portugueses? 

M.C._ No primeiro período de actividade, como funcionário político para a organização dos portugueses, era essa a minha actividade diária. Lutei, por exemplo, para que também os portugueses tivessem o Jornal Metall, do sindicato, na sua língua, ou participassem em seminários em língua portuguesa, entre muitas outras coisas.  Quando assumi a Direcção do Departamento, assumi também o compromisso de lutar pelos mesmos direitos para todos, independentemente da sua nacionalidade. Isso exigia, no entanto, actividades específicas sobre o direito de voto ou a dupla nacionalidade, sobretudo em favor daqueles emigrantes que, não pertencendo à União Europeia (como os Turcos e os então Jugoslavos) não tinham tais direitos. E há ainda muito para ser feito. Mesmo a nível sindical, creio que diminuiu bastante a importância dos emigrantes no contexto geral.

 

PP_ As entidades oficiais portugueses (diplomáticas e governamentais) na altura aproveitavam no bom sentido a sua posição no interior da IG Metall para saber dos interesses  e das preocupações dos trabalhadores lusos?

M.C._ Posso e devo afirmar, com certa mágoa, que isso não aconteceu, nem na medida do possível, nem do necessário. Governos, Partido Socialista, onde eu militava, ou a UGT, com quem estávamos politicamente ligados, poderiam ter retirado frutos bem maiores dessa situação. Mas houve apenas contactos esporádicos, ou de ocasião, quando havia delegações. Sentimos muitas vezes o isolamento e a segregação. Hoje, sinceramente, considero ser isso uma “virtude” bem portuguesa. Considero que temos de aprender a cooperar.

 

PP_ Está sentido com as autoridades de Portugal  por nunca terem reconhecido o seu trabalho aqui na Alemanha?  Ou isso aconteceu?

M.C.: Não estou sentido com as autoridades, apenas desiludido. E, infelizmente, não sou o único.  Uma vez recebi uma medalha do Secretário de Estado de Emigração, nem sei bem porquê! Gostaria de dar mais um exemplo: ainda em Brasilia, conheci uma jornalista brasileira que, ao conhecer minha história, apresentou à Lusa – para quem trabalha - a proposta de fazer uma reportagem sobre minha pessoa. Aceitei, mas apostei que iriam recusar isso de imediato. Ganhei a aposta!

PP: Sabemos que foi um dos responsáveis pela Federação do Partido Socialista na Alemanha. A política portuguesa ou talvez uma candidatura ao parlamento português nunca o tentou?

M.C.: Depois dos primeiros contactos em Portugal, quando ele ainda não tinha sido fundado, militei no PS sobretudo na Alemanha. Um dia propuseram que me candidatasse a deputado pela emigração, exigindo uma decisão minha no prazo de 24 horas. Nessas condições, recusei, dizendo que não brincava à política. Pensei numa candidatura ao Parlamento Europeu, coisa que se mostrou impossível sem a influência de determinados círculos e de poderosos amigos. Assim, depois de consultado, optei por me candidatar pelo SPD ao “Kreisstag” de Groß-Gerau, onde fui deputado durante quatro anos. Mas nada está suspenso no que diz ao futuro, se houver apoios e propostas...

 

PP: Ainda se mantém ligado ao PS?

M.C.: Mantenho-me ligado apenas ideologicamente ao PS, devido às circunstâncias de vida e de actividade dos últimos anos. Mas, neste momento, não estou seguro do Seguro!

 

PP: Como vê hoje a actividade do PS na Alemanha? Acha que cumpre o seu papel e está bem organizado?

M.C.: Devo dizer que desconheço as suas actividades e os seus actuais responsáveis na Alemanha, pelos motivos atrás descritos. Regressei do Brasil no final do mês de Abril passado e não me inteirei ainda do que se passa a vários níveis.

 

PP: Após 50 anos da chegada dos primeiros trabalhadores portugueses à Alemanha que balanço se pode fazer? Acha que a comunidade criou uma presença forte, participativa e influente ou tornamo-nos uma comunidade sem voz e sem personalidade?

M.C.: A grande maioria dos portugueses vivia presa à ideia do regresso rápido, dos “só mais 5 anos”! Vieram por causa dos filhos, ficaram primeiro por causa dos filhos e permaneceram depois por causa dos netos. Poucos se integraram, aprenderam o alemão, se empenharam política ou socialmente, Viviam retraídos nos centros, associações, clubes e missões. Criaram aqui o “seu pequeno Portugal”, deixando a participação activa e influente para alguns raros, ou para as outras nacionalidades. Ma maioria dos casos, passámos despercebidos e vivemos calados, virados para nós. Até por isso fomos admirados: por “não fazer ondas”. Isso, quanto aos membros da primeira geração. Com os filhos e os netos, as coisas mudaram. Ainda bem! Temos agora que criar e que ajudar a crescer alguns dos nossos expoentes jovens. Só eles poderão influenciar o futuro, com uma clara marca de comunidade portuguesa, mas integrada, participativa, influente, politizada e socializada neste país. Com eles poderemos fazer ouvir mais e melhor a nossa voz!

 

PP: Acha que, por isso, vale a pena evocar em 2014 os 50 anos? E de que forma?

M.C.: Uma retrospectiva crítico-analítica dos nossos 50 anos de emigração poderia sem dúvida ajudar a descobrir quem e como fomos. Em que base e com quem? Esse é o desafio. Acho que existem testemunhos escritos, (sobretudo nos clubes, associações, missões, partidos, consulados, embaixada), em jornais, revistas, discos, cd´s, grupos, livros, pessoas, figuras e muito mais, que, se disponíveis, poderão revelar os acontecimentos desse passado recente. A pergunta é: quem faz a recolha, o levantamento e o relato dos factos mais relevantes, onde, com quem e onde se devem expor? Que pessoas estão dispostas a relatar seus conhecimentos e histórias da Comunidade? Uma equipe? Quem coordena? Enfim, uma série de perguntas que também este jornal poderá ajudar a coordenar e a responder.

 

PP: Ainda sobre os 50 anos: se se quiser evocar algumas personalidades que se destacaram pelos serviços e trabalho prestados em prol da comunidade quem gostaria de lembrar.

M.C.: Em primeiro lugar gostaria de lembrar o - já falecido - meu grande amigo Padre Francisco Cabral. Intelectual, mas simples, lutador acérrimo contra a ditadura e pela democracia, também ele teve que deixar o país. Deixou escritos valiosos ( como o seu doutoramento) e marcas positivas na igreja e na sociedade da emigração. Lembro ainda o Dr. Manuel Matos (ex-Adido Social na Embaixada de Portugal) e o meu amigo Adolfo Louro Alves (Consulado), que entre outras coisas se dedicaram aos estudos da emigração, no tempo que estiveram na Alemanha. Certamente que existem ainda um sem-número de outras personalidades, (entre artistas, pintores, escritores, cantores, etc.) que deverão ser lembrados e contactados a seu tempo. Os nomes citados servem apenas como exemplo.

 

PP: Para terminar, que pensa fazer daqui para o futuro? Vai entregar-se a alguma causa e acompanhar a comunidade lusa nas sua vida e nas suas preocupações?

 M.C.: Os meus planos são simples. Terei primeiro que aprender a administrar o tempo, cujos conteúdos e ritmos mudaram por completo. Procuro não perder nada do que aprendi e colocar os meus conhecimentos ao serviço de quem deseje e precise. Isso diz também respeito às experiências e conhecimentos adquiridos no Brasil, ao longo de 6 anos e meio, pelo que gostaria de dar assessoria e acompanhamento a quem tiver interesses naquele país. Tentarei aproveitar o tempo para fazer ainda tudo aquilo que antes não consegui. Não deixarei de cantar, para mim e para os outros. E continuo receptivo a qualquer outra proposta interessante, por exemplo no âmbito internacional, social ou político. Mas quero sobretudo viver em cheio a vida, no meu terceiro tempo.

 

Entrevista conduzida por Mário dos Santos