Entrevista: Embaixador Luís de Almeida Sampaio e o Congresso “50 anos Comunidade na Republica Federal da Alemanha”

O Congresso está naturalmente aberto a todos

Sobre a realização de um Congresso a acontecer no próximo dia 6 de Junho no âmbito das celebrações dos 50 anos dos acordo de recrutamento de mão de obra portuguesa entre o governos português e alemão, o PP publica aqui uma entrevista na íntegra com o Embaixador de Portugal Luís de Almeida Sampaio

 

PP: Com que objectivos se realiza este Congresso?

Embaixador de Portugal: O Congresso inscreve-se nas comemorações dos 50 Anos da Comunidade Portuguesa na Alemanha. É o evento organizado pela Embaixada de Portugal em Berlim e pelos Consulados-Gerais de Portugal na Alemanha como contributo para o amplo conjunto de celebrações que um pouco por toda a Alemanha já se têm vindo a organizar ao longo deste ano para assinalar aquela data. Como é natural, a Embaixada de Portugal na Alemanha e os Consulados que dela dependem não podiam ficar indiferentes a esta importante efeméride.

 

PP: De que forma foi pensada a sua realização e quem foi ouvido para concluir que o Congresso será apoiado pela Comunidade?

Emb.: O Congresso pretende contribuir para a preservação da memória da emigração portuguesa para a Alemanha e refletir sobre a circunstância atual e os desafios que o futuro não deixará de trazer à Comunidade Portuguesa que vive e trabalha na Alemanha. Foi pensado como uma ocasião que pretende ser, simultaneamente, de celebração e reflexão. A história da Comunidade Portuguesa na Alemanha é uma história de trabalho, de integração e de grande dignidade. É desse exemplo que o Congresso dará testemunho. Por outro lado, o Congresso abordará as temáticas relativas aos problemas modernos de uma comunidade de cidadãos provenientes de um país membro da União Europeia, com as características de Portugal, para outro país, também ele membro da União Europeia, por sua vez, com as características da Alemanha. Procurará não apenas olhar para o passado, mas refletir sobre o presente e perspectivar o futuro.

 

PP: De que forma é que a Comunidade estará presente no Congresso?

Emb.: O Congresso está naturalmente aberto a todos os que queiram nele participar e, nessa perspectiva, será um espaço e um tempo de partilha de opiniões e experiências que esperamos sejam as mais diversas, as mais entusiásticas e as mais produtivas. Eu próprio tenho, pessoalmente, formulado convites a muito relevantes membros da Comunidade Portuguesa na Alemanha para que estejam ativamente presentes no Congresso de Hamburgo, tal como fiz diretamente ao Senhor Mário dos Santos, Diretor do Portugal Post, aquando da recente visita que fiz à Sede deste jornal em Dortmund, visita no decurso da qual fui de resto muito bem recebido o que aproveito para agora agradecer uma vez mais e, desta feita, publicamente.

 

PP: De acordo com o programa provisório, o painel de oradores não prevê a intervenção de personalidades da Comunidade. Por que razão?

Emb.: O único programa que conheço prevê, obviamente, a intervenção de membros da Comunidade Portuguesa na Alemanha. Nem outra coisa faria sentido. Seria um absurdo organizar um Congresso com os objetivos que acima referi sem que se contasse e respeitasse a valiosa intervenção de membros da Comunidade Portuguesa na Alemanha. Aliás, um dos momentos altos deste Congresso será a mesa-redonda que o encerra, dinamizado com e por personalidades da nossa Comunidade, de vários quadrantes de atividades e com experiências bastante diversas (em termos de percursos profissionais, de tempo de estada na Alemanha, de área de residência, etc.).

 

PP: O Congresso prevê também abordar questões caras à Comunidade, como por exemplo: ensino da língua, regresso, nova imigração, serviços consulares, diferentes problemas e preocupações das pessoas, etc.?

Emb.: Evidentemente. O diversificado painel de oradores e de convidados, designadamente na mesa-redonda que antes referi, pela sua composição e heterogeneidade, permitirão uma abordagem transdisciplinar e complexa de todas essas questões. Para além desta possibilidade de intercâmbio de opiniões acerca das várias temáticas inerentes à imigração portuguesa na Alemanha, estão também previstos períodos de discussão, abertos ao público, no final de cada intervenção, para aprofundar os temas abordados, caso os membros da Comunidade Portuguesa decidam colocar questões adicionais aos oradores.

 

PP: De que forma serão divulgadas as suas conclusões?

Emb.: Espero que os meios de comunicação social, em especial os mais responsáveis e mais próximos da Comunidade Portuguesa na Alemanha, como o Portugal Post, divulguem amplamente o Congresso, o ambiente que o rodeará, o desenrolar dos trabalhos, os debates que não deixará de proporcionar e as conclusões que dele resultem. Para além disso, que será sempre o mais importante, esperamos poder cumprir o nosso objectivo de produzir, tão cedo quanto possível após o Congresso, uma publicação com o que de essencial ali se passar e dali resulte. Por outro lado, a Embaixada e os Consulados-Gerais não deixarão também de participar nesse esforço de divulgação das intervenções, dos debates e das conclusões do Congresso através dos meios, designadamente eletrónicos (sítio web, página no Facebook, newsletters, etc.), de que dispõem.

 

PP: A importância da Comunidade no reforço das relações luso-alemãs vai estar presente no Congresso e a que nível?

Emb.:As relações luso-alemãs passam muitíssimo pelo papel que nesse contexto desempenham as nossas Comunidades. O reforço do nosso relacionamento bilateral será, sem surpresa, um dos temas mais presentes no Congresso. Espero uma adequada participação, também por parte dos nossos interlocutores alemães, no nosso Congresso. Julgo que muito em breve estaremos em condições de divulgar a lista dos participantes.

 

PP: De que forma é que a Comunidade é ou pode ser apoiada nos seus esforços no que concerne ao seu papel no reforço das relações luso-alemãs?

Emb.: Faz parte da minha acção de todos os dias promover o papel da Comunidade Portuguesa no quadro do reforço das relações luso-alemãs, constituindo, pois, uma das prioridades do meu mandato, assim como do desempenho das minhas funções. A Embaixada de Portugal em Berlim e os Consulados-Gerais de Portugal na Alemanha sabem bem a importância e a energia que devotamos sempre a estas questões. O Congresso servirá também para sublinhar esta dimensão.

 

PP: Como é que as pessoas podem participar, ou seja, o que terá sido feito em concreto para incluir a primeira geração no encontro?

Emb.: A participação no Congresso, repito, é integralmente livre. Todos são bem-vindos sem exceção nem discriminação. Confiei a organização do Congresso a uma equipa altamente qualificada que disponibiliza um endereço de email (congresso50anos@gmail.com) e um evento associado à página da Coordenação de Ensino em Berlim no Facebook, para os quais deverão ser dirigidas todas as questões de ordem prática relacionadas com a participação no Congresso. A própria Coordenação de Ensino tem também feito todos os esforços no sentido de divulgar esta iniciativa, nomeadamente junto dos professores – que são os grandes mediadores no terreno –, publicitando este evento nos seus diferentes canais de comunicação (designadamente em http://cepealemanha.wordpress.com/).

Respondendo talvez ainda mais diretamente à questão, alguns dos membros que integrarão a mesa-redonda de encerramento pertencem a essa primeira geração que refere e poderão dar a sua visão da corrente emigração portuguesa. Relembro que um dos objetivos do Congresso é promover o diálogo intergeracional no seio da nossa Comunidade e, como tal, foram convidados membros de diferentes gerações de emigrantes.

No entanto, quero desde já dizer que todos são bem-vindos.

 

PP: Quem suporta financeiramente o Congresso e de que forma está a ser visto enquanto investimento?

Emb.: O Congresso será simultaneamente um investimento na memória, no presente e no futuro. O maior investimento é justamente como contributo para o reforço das relações luso-alemãs e o papel que, nesse contexto, desempenha a nossa Comunidade. Nós, promotores do Congresso, investimos no modesto contributo que ele possa representar para engrandecer ainda mais o prestígio que de há muito está associado à Comunidade Portuguesa na Alemanha. Os apoios financeiros vêm, uma vez mais, naturalmente dos Estados (Português e Alemão) e de contribuições benévolas. No momento oportuno todos os que contribuírem serão reconhecidos e agradecidos. No entanto é-me muito caro registar, desde já, que sem o Museu Etnográfico da Cidade de Hamburgo e, em especial, sem a generosidade e empenho do seu Diretor, Prof. Dr. Wulf Köpke, não teria sido possível organizar o Congresso em tão boas condições, nem em tão emblemáticas instalações, o que a todos nos honra. É também graças ao Museu Etnográfico de Hamburgo que por ocasião do Congresso e naquele local será inaugurada uma pequena exposição alusiva aos 50 Anos da Comunidade Portuguesa na Alemanha. Desta exposição farão parte diferentes testemunhos gráficos e visuais que darão conta da rica história da nossa Comunidade, sobretudo no espaço de Hamburgo.

 

Mário dos Santos