Termina hoje a campanha para eleição do Conselho das Comunidades Portuguesas, marcada por críticas

Críticas de emigrantes e lusodescendentes marcaram a campanha que hoje termina para a eleição do novo Conselho das Comunidades Portuguesas, no próximo domingo, a começar pela data escolhida, em que muitos emigrantes estão ausentes, de férias.

Listas candidatas de países como França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Reino Unido e Irlanda lamentaram que uma eleição para um órgão representativo das comunidades não tenha tido em consideração a realidade dessas comunidades, e que a data e o processo burocrático tenham limitado a inscrição de outras listas.

Em França, são duas as listas candidatas, “Comunidades Ativas e Solidárias” e “Unidade em Defesa dos Emigrantes”.

Na Suíça, há, pela primeira vez em 20 anos, uma única lista candidata às eleições para o CCP, "Unidade em Defesa dos Emigrantes".

Também as duas listas candidatas na Bélgica, “Lista da Comunidade” e "Em equipa, em rede, com eficácia", não pouparam críticas ao processo e ao calendário eleitoral.

Na Alemanha, as três listas concorrentes, “Voz da Comunidade”, “Comunidade com Valor”, “Comunidade Solidária”, “Entre Gerações” e “Comunidade em Movimento”, fizeram a campanha sobretudo nas redes sociais, devido não só às férias dos emigrantes lusos, mas também às dos próprios candidatos.

O círculo do Reino Unido/Irlanda só terá uma lista candidata às eleições para o CCP, “Plataforma Independente”; outras listas procederam à recolha de assinaturas para apresentar a candidatura, mas não conseguiram concluir o processo no prazo estabelecido, 17 de agosto.

Relativamente ao pedido de adiamento do ato eleitoral, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas recusou o adiamento das eleições.

"O processo não vai ser adiado", afirmou José Cesário à Lusa, à margem de uma curta visita a Maputo, justificando que as eleições para o CCP têm de decorrer até ao fim do mandato do atual Governo e que o próximo dia 06 é o último domingo possível para a realização do escrutínio sem cair dentro do período eleitoral para as legislativas de 04 de outubro.

"Nós negociámos longamente com o atual CCP alterações à lei, foi a pedido do atual CCP que prolongámos o processo legislativo e foi a pedido de vários dos seus membros que passámos [as eleições] de antes do verão para depois do verão", argumentou.

No domingo, os portugueses residentes no estrangeiro vão eleger, a nível mundial, 80 conselheiros, e o voto é exercido presencialmente nos consulados.

O CCP é um órgão consultivo pelo Governo da República relativamente a assuntos que digam respeito às comunidades portuguesas no estrangeiro.

Lusa