Eleições: Costa ouve jovens emigrantes no Skype e promete PS com visão de futuro para Portugal 

O secretário-geral do PS, António Costa, participou hoje em Guimarães num debate sobre emigração jovem, ouvindo vários portugueses através do Skype e garantindo uma visão de futuro dos socialistas para Portugal.

O "contacto frio que necessariamente a tecnologia" impõe "é hoje o contacto que muitas famílias têm com as suas filhas e os seus filhos em todo o mundo", lamentou Costa, que diz sentir-se "aterrorizado" com a ideia de "passar a fazer festas pela Internet" aos seus filhos.

"É um futuro que não desejo para o meu país", sustentou, separando a emigração que surge por "oportunidades" e na procura de novas experiências e uma outra por “falta de opções".

E acrescentou: "Um Governo que não investe no futuro é um Governo sem futuro. E é por isso que no próximo dia 04 [de outubro] vamos ter de escolher entre os que apostam em votar para voltar ou aqueles que apostam em votar para continuar a emigrar".

Uma vitória socialista, insistiu Costa, trará "estabilidade" ao país, mas é necessária uma maioria de confiança, reconheceu.

"É necessário termos outro Governo. E para que esse outro Governo possa existir, possa executar o seu programa, possa cumprir a ambição que temos de desenvolver o país, investir no conhecimento, inovação, no trabalho digno (…) tem de ter condições para governar", advogou.

No debate de hoje - onde vários jovens emigrados por exemplo na Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América intervieram - foi apresentado o movimento e página Internet "Voto em Voltar", plataforma que "nasce para dar voz a todos os que de algum modo viram as suas vidas alteradas pela mais recente vaga de emigração em Portugal".

O cabeça de lista do PS por Viana do Castelo, Tiago Brandão Rodrigues, que "há dois meses estava no Skype", emigrado em Inglaterra, e hoje está em Portugal, contou também a sua história "longe das rotinas portuguesas, da família" e da sua terra, Paredes de Coura.

"Emigrar não foi uma inevitabilidade, tenho de ser sincero, foi uma aventura na altura. (…) Quem já viveu longe entende o significado de dar o passo, ir para longe. A carga emocional, psicológica, até física, é muito forte", sublinhou todavia o candidato socialista.

A campanha eleitoral tem dado a Tiago Brandão Rodrigues uma maior noção da realidade portuguesa, declarando o cientista e investigador que o "contrato de esperança" do PS e de António Costa poderá devolver a Portugal muitos dos jovens qualificados que tiveram de emigrar.

Posteriormente, interveio o cabeça de lista socialista pelo distrito de Braga, o economista Manuel Caldeira Cabral, também ele emigrou no passado para fazer o seu doutoramento no Reino Unido.

Na altura, contudo, foi com "bilhete de regresso", porque os jovens qualificados faziam então falta em Portugal, ao contrário do que, diz, promove o atual executivo.

"O Governo fala muito mais do passado que do futuro e gosta de falar de um presente que ninguém vê, um presente fantasioso em que tudo está bem", vincou Caldeira Cabral.

João Torres, líder da Juventude Socialista (JS), elogiou por seu turno António Costa pela "coragem de levar os anseios das novas gerações para o topo das prioridades políticas do PS e do país".

E acrescentou: "Portugal nunca se cumprirá se aqueles que tiveram forçosamente de abandonar o país ao longo dos últimos anos não tiverem a oportunidade de regressar a Portugal nos próximos anos".

A emigração jovem é um dos "flagelos mais chocantes" do Portugal moderno e o seu combate deve ser uma aposta prioritária do PS, prosseguiu ainda o secretário-geral da JS.

João Torres atacou ainda Passos Coelho e a sua "muleta" Paulo Portas pelas investidas contra o PS e as suas ideias para a Segurança Social, sustentando que o presidente do PSD "não pagou durante cinco anos as suas próprias contribuições para a Segurança Social".

Lusa. Texto e foto