Eleições: CDU quer “política alternativa” para os emigrantes

Os candidatos da CDU pelo Círculo Eleitoral da Europa defenderam hoje, em Paris, uma "política alternativa" e em "defesa dos emigrantes", denunciando o esquecimento, por parte do Governo, dos portugueses residentes no estrangeiro.

"Quem nos conhece sabe o que fizemos na vida associativa. Se formos eleitos, bater-nos-emos em defesa dos direitos dos emigrantes e por uma política alternativa, patriótica e de esquerda para que também nas comunidades se construa um Portugal no futuro", declarou o candidato Raul Lopes, durante a apresentação da lista da CDU pelo Círculo Eleitoral da Europa no café cultural Lusofolie's.

Raul Lopes, recém-eleito membro do Conselho das Comunidades Portuguesas por Paris, disse que integra uma lista "com gente que tem dado provas de estar sempre presente na luta em defesa dos direitos dos portugueses da diáspora".

A cabeça-de-lista da CDU pelo círculo eleitoral da Europa, Teresa Soares, sublinhou que em 30 anos de trabalho no estrangeiro "não foi preciso muito tempo para perceber” que os portugueses no estrangeiro “não são tratados” pelo Governo como os que vivem em Portugal, considerando que os emigrantes são vistos como "portugueses de segunda e, por vezes, de terceira".

"O ensino do português está pelas ruas da amargura. Introduziram uma propina - sei que aqui em França não há mas nos outros países há - e perdemos num ano mais de dez mil alunos. Os professores são metade daquilo que eram em 2010, o português tornou-se língua estrangeira, os serviços das embaixadas e dos consulados estão cada vez pior. Estamos cada vez mais abandonados pelo nosso país", lamentou a professora residente na Alemanha.

Questionada pela porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES/Novo Banco, Helena Batista, sobre o que pensa do caso, Teresa Soares respondeu: "O que pensamos fazer pelo vosso caso é aquilo que queremos fazer por quase todos os portugueses: é que haja justiça social e que não tratem as pessoas como pessoas que estão lá longe e que não interessam".

Teresa Soares especificou à agência Lusa que os emigrantes lesados do BES são "uma das preocupações", mas não "a preocupação prioritária".

A candidata Encarnação Galvão, operária da indústria relojoeira na Suíça, apresentou os eixos centrais da política que o PCP-PEV propõe para as comunidades, nomeadamente a "defesa de uma verdadeira igualdade entre portugueses residentes e fora do país; a defesa da língua, da cultura e da identidade nacionais e a garantia dos direitos constitucionais dos jovens portugueses na diáspora de aprendizagem do português como língua materna".

O programa inclui, também, a reorganização da rede consular, a defesa dos direitos dos trabalhadores no estrangeiro, a revalorização salarial dos trabalhadores da administração pública, tendo em conta elevados níveis de vida em países de acolhimento e a valorização e incentivo ao movimento associativo.

Encarnação Galvão enumerou, ainda, "a garantia e direito a uma comunicação social democrática e pluralista nos canais públicos de televisão e rádio; a valorização das remessas dos emigrantes como contributo para o desenvolvimento económico do país e o respeito pela autonomia e papel do Conselho das Comunidades Portuguesas".

A lista da CDU pelo círculo eleitoral da Europa é completada por André Martins, trabalhador-estudante na Bélgica, que declarou que "os jovens em Portugal estão sem rumo e sem esperança", sendo "forçados a sair e a abandonar as suas famílias".

De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, relativos a 03 de agosto, o círculo eleitoral da Europa tem 78.253 eleitores, os quais vão eleger dois dos 230 deputados da Assembleia da República. O círculo eleitoral fora da Europa também elege dois deputados.

Lusa