Emigrantes recordados no 50.° aniversário da emigração portuguesa para o Luxemburgo

A Missão Católica Portuguesa no Luxemburgo comemora hoje o 50.º aniversário do primeiro Dia de Portugal assinalado pelos emigrantes portugueses naquele país, recordando os pioneiros "que desbravaram o caminho" da emigração para o Grão-Ducado.

Cerca de 200 emigrantes no Luxemburgo comemoraram pela primeira vez o Dia de Portugal com uma missa organizada a 10 de Junho de 1965, apontada pelo semanário Contacto como "o primeiro evento público e coletivo da comunidade portuguesa no país".

 

A efeméride vai ser assinalada hoje com uma missa de ação de graças em que serão recordados "os homens e mulheres que desbravaram o caminho para que a comunidade possa ser aquilo que hoje é", referiu em comunicado a Missão Católica Portuguesa no Luxemburgo, fundada em 1965.

 

"Este ano é um ano jubilar dos portugueses no Luxemburgo e vamos procurar honrar a memória destes pioneiros e do trabalho feito nestes últimos 50 anos", disse à Lusa o padre Rui Pedro, da Missão Católica de Língua Portuguesa no Grão-Ducado.

 

Heroína de Pina, hoje com 79 anos, esteve na primeira missa comemorativa do 10 de junho em 1965, organizada por iniciativa do marido, Carlos de Pina, cofundador da primeira associação portuguesa no país, falecido em 1986.

 

Apesar de não poder estar presente na homenagem ao marido e a outros pioneiros, Heroína de Pina está satisfeita por o seu trabalho "não ser esquecido", recordando as "enormes dificuldades" que os primeiros emigrantes tiveram de enfrentar.

 

"Havia muitas dificuldades para encontrar alojamento, porque muitos luxemburgueses não queriam alugar as casas aos portugueses", recordou.

 

"Eu tenho fotografias com sete e oito homens a viverem num quarto e pessoas a viverem em muito más condições. Era tudo muito difícil, menos encontrar trabalho", lembrou Heroína de Pina, que continua a viver no Luxemburgo e tem quatro filhas, uma das quais é jurista no Conselho de Estado do Luxemburgo, além de três netos.

 

Cinquenta anos depois, os portugueses são a maior comunidade estrangeira no país, representando 16% da população, mas os recém-chegados ainda enfrentam dificuldades.

 

O aumento da emigração portuguesa nos últimos três anos levou mesmo a Missão Católica a abrir "um centro de escuta social" em Esch-sur-Alzette, no sul do país, para fornecer ajuda aos novos emigrantes, e o padre Rui Pedro está preocupado com "a vulnerabilidade e precariedade" de muitos recém-chegados.

 

"Já alojámos pessoas a dormir nas ruas e já tivemos que repatriar pessoas que vieram à procura de trabalho, com mais de 50 anos, e que depois ficaram sem dinheiro para voltar", contou à Lusa.

 

Alguns dos casos que passaram pelo centro de apoio terminaram bem, mas nem sempre é assim, lamentou o padre Rui Pedro.

 

"Acompanhámos o caso de um pai solteiro que deixou o filho em Portugal e que estava a dormir nas ruas há alguns dias. Pagámos-lhe a residencial e estamos felizes porque neste momento encontrou trabalho e já tem um quarto para viver", contou.

 

Em Portugal, a Obra Católica Portuguesa de Migrações também denunciou os "constrangimentos" que os emigrantes portugueses no Luxemburgo continuam a enfrentar, recordando a vitória esmagadora do "não" no referendo de 07 de junho ao voto dos estrangeiros nas legislativas.

 

Na mensagem dirigida aos portugueses do Luxemburgo, a Comissão Episcopal e a Obra Católica Portuguesa das Migrações elogiam a contribuição dos emigrantes para a sociedade luxemburguesa, esperando que contribuam também para que o país "passe de uma atitude de defesa e medo, também refletido nos resultados do referendo sobre a participação política dos migrantes, para uma cultura de encontro, diálogo e co-construção".

 

Fundada em 1965, a Missão Católica Portuguesa no Luxemburgo tem delegações no centro, sul e norte do país, e organiza regularmente missas em língua portuguesa em 22 localidades.

 

 

 

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Lusa/fim