Lei laboral portuguesa inspirada nos acordos na Autoeuropa

A atual lei laboral portuguesa, em vários temas como banco de horas, teve como inspiração os 20 anos de relações entre a administração e os trabalhadores da Autoeuropa, adianta Melo Pires, presidente da fábrica do grupo Volkswagen.

O responsável, em declarações à agência Lusa numa altura em que a fábrica de Palmela comemora 20 anos do início de produção, adianta mesmo que foi "um facto" que a Autoeuropa inovou nas relações laborais, mas também na gestão industrial e recursos humanos.

"É um facto que nós inovamos na gestão industrial, gestão de recursos humanos, gestão de relações laborais, na criação de novos paradigmas de relacionamento entre a empresa e os trabalhadores que hoje em dia a atual lei laboral tem muitas figuras que foram inicialmente criadas na Autoeuropa", refere António Melo Pires.

 

Também António Chora, presidente da comissão de trabalhadores da empresa, adianta que houve sempre soluções para as negociações na Autoeuropa "porque as coisas são muito distintas do país", já que "há um clima de confiança mútua entre a administração e os representantes dos trabalhadores e na maior parte do país, infelizmente, não é assim".

 

Um dos segredos das relações laborais, segundo o presidente da Autoeuropa, é que "não se deve misturar política com relações laborais", sendo que "tem muito a ver com o facto de se negociar na ótica da necessidade da empresa e dos trabalhadores e não na ótica de uma política sindical nacional ou regional".

 

O presidente da maior fábrica portuguesa de automóveis diz que o impacto "é muito mais profundo do que só as relações laborais" porque "houve uma alteração completa dos paradigmas a nível industrial que se acabaram por espalhar pelo país e até a nível internacional".

Isto porque "há fábricas do grupo Volkswagen que adotam alguns métodos que foram experimentados e desenvolvidos" em Palmela, refere Melo Pires, adiantando que a prova disso é que, há 20 anos, a Autoeuropa "importou peritos e especialistas" e agora a fábrica "é exportadora de peritos nacionais".

 

E concretiza: "Temos, para além das 200 pessoas na Alemanha, mais de 100 a trabalhar em todos os locais do mundo, desde América do Sul, Malásia e China, porque conseguimos nestes 20 anos desenvolver profissionais que são reconhecidos a nível mundial dentro do grupo Volkswagen.