Stuart Holland aponta para risco de “euro alemão”

O economista inglês Stuart Holland apontou hoje para o "risco de um euro alemão", criticou o plano Juncker e pediu uma "agenda social" para as instituições europeias que cumpra o pilar da coesão económica e social.

 

Numa conferência na Fundação Mário Soares, o antigo conselheiro de Harold Wilson, Jacques Delors e de António Guterres, pediu um 'New Deal' para a Europa, apontou para "o risco de um euro alemão" e vaticinou que o 'plano Juncker', do presidente da Comissão Europeia, "não vai funcionar".

 

À agência Lusa e à rádio Antena Um, o professor convidado da Universidade de Coimbra defendeu que "a austeridade está a matar não só a economia e o emprego, mas também a tomada de decisões democrática".

 

Stuart Holland, que escreveu com o atual ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, e com James K. Galbraith, uma "Modesta Proposta para solucionar a crise da zona Euro", disse que o que se passa atualmente "infelizmente não é uma negociação entre a Grécia e a União Europeia, é uma negociação entre a Grécia e a Alemanha, e a Holanda, a um certo nível".

 

"O presidente do Eurogrupo não está a deixar que tenha lugar uma discussão para resolver a crise grega e resolver a crise na Europa. A Grécia não pode recuperar se a Europa não recuperar, Portugal não pode ser bem-sucedido se a Europa não recuperar", afirmou.

 

Sobre Portugal, não se quis alongar mas disse estar "cansado de ouvir alemães dizer que Portugal tem que ser mais competitivo".

 

"A Autoeuropa, que visitei e estudei, é mais competitiva do que qualquer fábrica da Volskwagen e de acordo com os critérios da Volkswagen. E algumas das vossas pequenas e médias empresas são igualmente brilhantes", afirmou.

 

Stuart Holland considera que o chamado plano Juncker, como está, não vai resultar, porque não tem dinheiro público.

 

"O original plano Juncker, tal como ele o apresentou em julho do ano passado no Parlamento Europeu, era brilhante. Dizia que devia existir investimento para a economia recuperar equivalente a cerca de 3% do PIB da União Europeia", afirmou.

 

"Falei com umas das pessoas que gerem o plano em Bruxelas muito recentemente e que quer definir critérios para o investimento, quando o Conselho Europeu, de chefes de Estado e Governo, já definiu esses critérios há décadas", sublinhou.

 

Stuart Holland apontou que um desses critérios é a rede transeuropeia de transportes e comunicações, e outro, "que foi uma vitória de António Guterres em 1997, é que o Banco Europeu de Investimento deve investir em educação, saúde, requalificação urbana, ambiente e pequenas e médias empresas".

 

"Há uma coisa, vital, que muitas pessoas em Bruxelas não sabem, o investimento feito por empréstimos do Banco de Investimento não conta para a dívida nacional. É um presente, com taxas de juro muito baixas", frisou.

 

O académico, que foi membro do parlamento inglês pelo Partido Trabalhista, diz que esses fundos de investimento pode ajudar os orçamentos nacionais a cuidarem de áreas como a saúde e a educação.

 

"Se transferirmos o investimento de orçamentos nacionais em educação e saúde para a Europa, pode-se libertar recursos para pagar a professores, para pagar a enfermeiros e melhorar a eficiência social, que tem estado ausente da agenda de Bruxelas", argumentou.

 

Lusa