Lusodescendentes são candidatos às eleições municipais em Genebra

O eleitorado do cantão suíço francês de Genebra vai às urnas no próximo dia 19 para eleger os conselheiros municipais e os executivos, num escrutínio a que concorrem, por diferentes forças políticas, candidatos lusodescendentes.

 

O empresário Carlos Medeiros, de 49 anos, na política desde 2000, atual primeiro vice-presidente do Conselho Municipal de Genebra, concorre agora a um lugar no Conselho Executivo daquela cidade.

 

Em Portugal foi membro da Juventude Centrista, organização juvenil do CDS-PP, e na Suíça, Carlos Medeiros participou na fundação do Movimento Cidadão Genebrino (MCG).

 

O seu projeto é dar uma "nova visibilidade à comunidade portuguesa", a partir da criação da Casa de Portugal, iniciativa com a qual gostava de federar as associações portuguesas e criar uma ligação entre a Suíça e Portugal.

 

O estudante Bruno da Silva, de 19 anos, é o mais novo dos candidatos lusodescendentes e candidata-se à eleição municipal de Thônex nas listas do Partido Democrata Cristão (PDC), onde se filiou aos 17 anos para defender, afirma, os valores das famílias e das pequenas e médias empresas.

 

"Não penso que a idade seja um fator decisivo (...) a motivação é o que importa. São os eleitores que decidem. Do meu ponto de vista, estou pronto", disse Bruno da Silva à Lusa.

 

Bruno da Silva quer sensibilizar os jovens e os imigrantes para os seus direitos cívicos e pretende favorecer a integração da comunidade portuguesa na sociedade suíça.

 

Originária da Guiné-Bissau, Fidelina Gomes é conselheira municipal de Thônex há sete anos e agora quer ser a primeira mulher de cor a ser eleita para o executivo.

 

Uma infância ritmada pelos movimentos de libertação de Guiné-Bissau e um sentimento de exclusão social na chegada a Genebra, na década de 1980, incentivaram Fidelina Gomes a entrar no Partido Socialista (PS).

 

"O PS é à minha imagem. O PS quer ajudar a classe média e baseia-se na solidariedade", salientou à Lusa.

 

Na Suíça desde 1987, Helena Rigotti deu os primeiros passos na política em 2010 com o Partido Liberal Radical (PLR). Nestas eleições luta por um lugar no Conselho Municipal de Genebra.

 

O seu programa assenta em "mais justiça fiscal para as PME" e escutar a população e os portugueses, de quem pretende ser porta-voz.

 

Nestas eleições os candidatos lusodescendentes disputam também os votos da comunidade portuguesa, que a partir de 2005, à semelhança do que acontece com outras comunidades de emigrantes, podem votar desde que residam há pelo menos oito anos no cantão de Genebra.

 

Por essa razão, as associações portuguesas na Suíça, com o apoio do consul de Portugal em Genebra, Miguel Calheiros, realizaram nos últimos dias várias ações para sensibilizar a comunidade a participar nas eleições.

 

O cantão de Genebra está dividido em 45 conselhos municipais, ou parlamentos, e conselhos administrativos, que têm competências executivas.

 

No total, concorrem a estas eleições 1.700 candidatos a conselheiros municipais e 200 a conselhos administrativos, com a segunda volta marcada para o dia 10 de maio.

 

Lusa