Passos destaca fundos para os emigrantes investirem em Portugal

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, destacou como "novidade" do programa de fundos comunitários 2014-2020 a disponibilidade de uma parte do financiamento para os emigrantes investirem em Portugal e eventualmente regressarem, sem referir valores.

 

No encerramento de uma conferência sobre o programa de fundos comunitários Portugal 2020, em Oeiras, Passos Coelho afirmou que "Portugal sempre foi um país de diáspora" e, sobre os "últimos anos", considerou: "Nós tivemos uma intensificação desse movimento emigratório, que se desviou menos do que muitos pensam daquilo que é a nossa tendência ancestral, e moderna".

 

"Mas, na verdade, aconteceu, e é muito importante que nós tenhamos hoje condições - sobretudo quando estamos a olhar para os próximos sete anos - de pensar que uma parte do financiamento de que vamos dispor possa também estar disponível apara aqueles que, por qualquer razão, precisaram de sair do país, e que veem hoje, com a experiência que adquiriram, com o percurso que fizeram, uma oportunidade para investir em Portugal, ou num percurso em Portugal, ou para regressar a Portugal", acrescentou.

 

"Hoje nós temos também algumas condições para que eles possam candidatar-se, pelo menos na área do empreendedorismo, ao Portugal 2020", salientou.

 

Passos Coelho apontou esta "elegibilidade para portugueses não residentes" como "uma novidade, entre outras", do novo programa de fundos comunitários, num discurso em que criticou a aplicação destas verbas no passado e considerou que é preferível "não gastar a gastar mal" o dinheiro proveniente da União Europeia.

 

"Não estou com isto a dizer que é preferível devolver. É preferível gastar bem e, se for preciso não gastar para evitar gastar mal, eu prefiro não gastar a gastar mal. Se isto acrescentar uma diferença sobre o passado eu ficaria satisfeito", afirmou.

 

No início da sua intervenção, o primeiro-ministro defendeu que Portugal não pode "regressar a níveis de investimento público como já existiram", mas tem de conseguir "valorizar cada euro de cada programa operacional", obtendo "um retorno significativamente maior" do que anteriormente.

 

O chefe do executivo PSD/CDS-PP sustentou que os fundos dos últimos 30 anos não garantiram "a convergência de Portugal" com a União Europeia.

 

"Julgo que isso deve dar uma ideia da importância de nos próximos sete anos fazermos tudo e outra maneira. Eu acho que nós estamos a fazer as coisas de outra maneira para podermos ter um resultado melhor e diferente no futuro", concluiu.

 

Lusa