Banda Portuguesa Moonspell actuou em Heidelberg

Os portugueses Moonspell, pioneiros do Dark Metal, estão na estrada para promover o seu novo trabalho Extinct, outro monumental álbum da banda com mais projecção dentro do seu género.

Extinct, o décimo primeiro trabalho dos lisboetas foi lançado pela Napalm Records no dia 03 de março e o grupo iniciou a tournée europeia Road to Extinction no dia 12, na Holanda, seguindo para a Bélgica e Alemanha.

No passado dia 15 de março, os Moonspell fizeram a quarta aparição da tournée com os convidados especiais Darkest Horizon e a banda grega de suporte Septic Flesh em Heidelberg, Alemanha.

 

Quando um cartaz deste gabarito se encontra, relativamente, perto de nós a única coisa a fazer é ir ver! E assim foi, rumei a Heidelberg para me deparar com uma sala pouco composta, ao contrário das minhas espectativas, e com um público pouco exuberante, oposto ao teatral e dramático vocalista Fernando Ribeiro que sempre consegue agarrar a atenção dos mais distraídos.

 

Os Moonspell e a sua fusão entre o Metal e o Gótico não são uma banda para todos os ouvidos mas este álbum prova que, de facto, estes senhores são os verdadeiros mestres do género. O concerto iniciou com um monólogo de uma voz feminina que relatava o princípio da era da extinção humana, em jeito de narrativa. Este momento permitiu que pudéssemos apreciar o tão bem decorado palco.

 

A banda entrou presenteando-nos, não só com temas do novo trabalho, mas, também para meu regozijo, temas antigos. Novo ou antigo os fãs presentes sabiam as letras de cor e, um público que inicialmente se mostrou esmorecido, acabou por provar o contrário em duas horas de concerto preenchido por temas verdadeiramente orgânicos e emocionais. O set-list foi inaugurado com uma faixa do novo trabalho, Breathe (until we are no more), seguindo-se Extinct, tema que anuncia a morte da humanidade e a incomensurável certeza do fim.

 

A faixa Opium, retirada do álbum Irreligious dá o mote para Of Dream and Drama (Midnight Drive). Segue-se Medusalem, que introduz sonoridades e melodias de instrumentos árabes, The Last of Us, Domina, Nocturna, Malignia, Funeral Bloom e o tema The Future is Dark, dedicado em palco ao filho do vocalista, com destaque para a guitarra de Ricardo Amorim, debaixo de uma melancólica neve artificial.

 

De seguida Mephisto, o dramático Vampiria, o maravilhoso folk de Ataegina e o soberano Alma Mater, todos estes retirados da obra de arte – Wolfheart, que este ano celebra 20 anos.

 

O encore segue com os temas Wolfshade (a werewolfe mascarade) e o gigante Full Moon Madness para um término colossal. O público canta e dança ao som destes clássicos e denota-se agora uma maior abertura em contrapartida ao inicio do concerto.

 

Esta banda, de facto, não deixa de impressionar e não há concertos deste quinteto que possam ser considerados medíocres ou menos aliciantes. São um colectivo maduro e intenso, com laivos de um dramatismo místico impressionante, bem ao jeito lusitano.

 

Sandra Gonçalves, em Heidelberg