Mãe italiana de prematuro nascido em Faro promete regressar ao hospital que o salvou

 

De férias no Algarve com o marido e grávida de 25 semanas, Laila Porta estava longe de imaginar que o seu bebé nasceria em Portugal, mas a 03 de setembro nascia o Diego, com 730 gramas.

 

A mais de 2.000 quilómetros de casa, o casal italiano passa agora os seus dias na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Faro, onde acompanham o desenvolvimento do pequeno Diego, agora com dois meses e meio, e cujo nascimento prematuro se deveu a uma infeção no líquido amniótico.

"O meu bebé vai voltar aqui. Quando for maior, nós voltamos", promete a italiana de 25 anos, em declarações à agência Lusa, quando se assinala o Dia Internacional da Prematuridade.

Laila Porta duvida que em Itália fosse possível ter a mesma ajuda, uma vez que, desde o nascimento do filho, o casal se encontra alojado num apartamento cedido pelo hospital, de onde ainda não sabe quando sairá.

A mãe quer voltar para Génova "o mais depressa possível", até porque "o pior já passou" e anseia pela hora em que voltará para casa, mas apesar de terem sido dois meses "muito duros", acredita que tem "muita sorte" em estar no Hospital de Faro, onde os médicos conseguiram salvar o seu bebé.

Na mesma sala, Liliana Pereira, de 32 anos, aconchega junto ao ao peito os gémeos Salvador e Santiago, que nasceram com 32 semanas, a 15 de outubro, o que lhes permitiu nascer com um peso razoável: um com 1.700 gramas, outro com 1.680.

"Já estava a contar que nascessem prematuros, mas não tanto, têm sido uns guerreiros", conta a mãe, descrevendo a situação como "um turbilhão de emoções", devido, sobretudo, ao medo de que algo acontecesse aos bebés.

Liliana, que vive em Carvoeiro, perto de Portimão, vai todos os dias para Faro participar na rotina dos seus dois filhos, que passam grande parte do tempo enconstados ao seu peito, normalmente, através do método "kanguru".

Agora, que já mamam e toleram bem a comida, deverão estar quase aptos a serem transferidos para Portimão, mas Liliana tenta não ter grandes expetativas relativamente à data para a alta médica.

Elsa Silva, enfermeira especialista em Pediatria, observa que o método "kanguru" consiste em colocar os bebés despidos dentro da roupa da mãe - para haver um contacto entre a pele da mãe e a pele do bebé -, onde o bebé sente o calor e consegue ouvir o coração e a voz da mãe com uma entoação semelhante ao que seria no útero materno.

A enfermeira, que é a coordenadora de um programa de cuidados de desenvolvimento de bebés prematuros, que decorre no Centro Hospitalar do Algarve (CHA), refere que é benéfico que os bebés prematuros passem a maior parte do tempo em "kanguru" e não nas incubadoras, porque até a qualidade do sono é melhor.

"Há fatores ambientais que interferem com o desenvolvimento. Por exemplo, o sitema visual é o único sistema sensorial que não precisa de luz para se desenvolver, no útero materno não há luz, tal como a estimulação auditiva inapropriada, que também pode causar instabilidade fisiológica", frisou.

Segundo Fátima Maia, enfermeira-chefe do serviço de Medicina Intensiva Pediátrica e Neonatal do Hospital de Faro, um bebé prematuro "tem sempre um risco de ficar com sequelas, que são tanto mais graves quanto mais cedo eles nasceram" e que podem ir desde a hiperatividade, a atrasos no desenvolvimento, passando por dificuldades de aprendizagem e por alterações motoras.

A enfermeira observa que todos os bebés preamturos, continuam, após a alta, a ser alvo de avaliações regulares e a ser seguidos, até à idade escolar, por especialistas na área da Neonatologioa, Psicologia e Fisiatria.

Segundo a chefe daquele serviço, Maria José Castro, nasceram em 2013 no Centro Hospitalar do Algarve (que engloba as maternidades de Faro e Portimão) 250 bebés abaixo das 37 semanas de gestação, 42 dos quais abaixo das 32 semanas, num universo de 2.500 partos.

A médica observa que não se tem verificado um aumento das taxas de Paralisia Cerebral, apesar de os prematuros serem um grupo de risco, o que quer dizer que "os cuidados têm evoluido muito", o que tem permitido alcançar "uma taxa de sobrevivência cada vez maior" no que respeita aos prematuros que nasçam a partir das 24 semanas.

Marta Duarte