Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL).

Xenofobia linguística ocorre também noutros países

 

A xenofobia linguística não acontece só no Luxemburgo, onde crianças foram proibidas de falar português em escolas, mas também em outros países como a Alemanha e Suíça, denunciou hoje a secretária-geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL).

"O xenofobismo linguístico que ocorre no Luxemburgo não causa qualquer espanto para quem conhece a realidade dos portugueses no estrangeiro", declarou à Lusa Teresa Duarte Soares.

Creches e ‘ateliês’ de tempos livres (ATL) públicos no Luxemburgo estão a punir crianças que falem português, uma decisão se estende aos funcionários imigrantes no país.

“Este problema existe também noutros países, como existe aqui na Alemanha, como existe na Suíça, em que muitas vezes os pais dos alunos são desaconselhados pelos professores das escolas dos países de origem à frequência pelos seus filhos dos cursos de português”, afirmou.

 

De acordo com Teresa Duarte Soares, é dito aos pais que os alunos não devem ir aos cursos do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) “porque podem prejudicar o aproveitamento nas escolas do país de acolhimento”.

“Há alunos que desistem dos cursos por causa disto. Eu pessoalmente tive estes casos e vários colegas também tiveram casos destes”, sublinhou a sindicalista, que mora na Alemanha.

“A xenofobia é um problema geral no estrangeiro e nota-se também no Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) porque, muitas vezes, os diretores das escolas não querem que os estrangeiros, no caso os portugueses, utilizem as instalações para aulas de língua materna”, declarou a responsável do SPCL.

 

Para a secretária-geral do sindicato, o que está a se passar no Luxemburgo é “muito desagradável”, lembrando que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ministro da Educação, Nuno Crato, estiveram a visitar o país - entre 22 e 23 de outubro -, onde nomeadamente assistiram a uma aula numa escola.

“Deu-se a impressão que tudo estava a correr às mil maravilhas e afinal vê-se que no Luxemburgo existem problemas sérios, que as crianças são proibidas de falar português na escola”, sublinhou.

 

Para a secretária-geral da SPCL, “as coordenações de ensino não fazem seja o que for para sanar estes problemas”.

“O que eu tenho podido constatar, ao longo destes anos todos, é que os coordenadores de ensino, para não dar a conhecer a Lisboa que existem estes problemas, preferem ou escondê-los ou então, até muitas vezes, sacrificar os professores”, indicou.

“Se um professor tem problemas numa escola porque o diretor tem uma atitude racista, o professor é que tem de mudar de escola. Há uma subserviência grande da parte das coordenações em relação a estes problemas”, acrescentou.

 

Teresa Duarte Soares considerou que se Portugal tomasse uma posição mais forte diante deste tipo de problemas e se as autoridades locais notassem que Portugal tem um interesse profundo nesta modalidade de ensino, “haveria outro tipo de atitude” por parte dos países de acolhimento.

“Em pouco mais de três anos, desde 2010 até à atualidade, fizeram desparecer mais de 10 mil alunos, despediram cerca de 130 professores e encerraram inúmeros cursos, isto além de instituir o pagamento da taxa de frequência, a propina, e de obrigar os professores e alunos ao uso de manuais totalmente inadequados (…)”, afirmou.

 

A sindicalista disse ainda que o atual certificado passado aos alunos do EPE, comprovando a sua frequência nos cursos de Língua e Cultura Portuguesa, “brilha pela sua inutilidade”.

 

Lusa