Cerca Velha' de Lisboa já pode ser descoberta em novo percurso pedonal

Uma a duas horas pelas ruas estreitas e sinuosas das zonas do Castelo e de Alfama permitem descobrir a ‘cerca velha’ de Lisboa, no âmbito de um novo percurso pedonal hoje inaugurado.

A visita faz-se por troços da ‘cerca velha’, que integra a muralha medieval e os troços das muralhas romanas reaproveitadas, e que foi reconstruída durante mais de mil anos enquanto principal defesa da cidade.

Na antiga judiaria de Alfama prova-se que a cidade é mais que milenar, com o assinalar de uma porta que dá acesso a uma gruta do paleolítico e onde foram encontradas cinzas, explicou, durante a visita inaugural, o diretor do Departamento de Património Cultural da autarquia Jorge Ramos de Carvalho.

Ao seu lado, o historiador Miguel Martins, especialista em sistemas defensivos da época medieval, apontou para uma varanda que disse acreditar ter sido um “mata cães”, ou seja um balcão com aberturas no chão que permitia tiros verticais.

Durante a visita, os anfitriões contaram como foi importante a colaboração de um dono de um restaurante em Alfama, já que não só conservou a muralha à vista, como identificou os restos arqueológicos de uma lixeira romana como ostras do Mediterrâneo, graças à sua formação de biólogo marinho.

No restaurante estão agora dispostos em vitrinas os achados feitos no local.

Em termos temporais, este percurso começou a ser desenhado em 2009 com escavações para atestar os estudos do olisipógrafo Augusto Vieira da Silva, como notou à agência Lusa o diretor do Departamento de Património Cultural.

Jorge Ramos de Carvalho informou que com este trabalho houve retificação de posições de muralhas, assim como a descoberta de alguns “inéditos” e foi possível fazer restauros.

Até 2012 foram feitos os estudos científicos e laboratoriais necessários, sendo o primeiro passo para o percurso dado, em julho, com a abertura do núcleo arqueológico da Casa dos Bicos, um local que também serve de acolhimento aos visitantes.

Lusa

Presente na visita inaugural, a vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, afirmou ser objetivo deste percurso “resgatar a memória histórica e arqueológica da cidade, de um estrutura defensiva que foi importante durante vários séculos e estruturante na delimitação urbanística”.

O novo percurso também serve para sensibilizar os lisboetas para o “riquíssimo património” da cidade e para a “necessidade de salvaguarda e de criar mais elementos de conhecimento e de pertença das pessoas sobre a sua própria cidade”, segundo a autarca, que argumentou ser ainda um novo produto turístico-cultural.

O percurso da ‘cerca velha’ vai ser integrado na lista de visitas que a autarquia organiza habitualmente.

Porém, qualquer pessoa pode recolher o mapa com o percurso e seguir os símbolos colocadas no chão, que têm escavada a parte correspondente à muralha que se está a visitar. Mais tarde deverá surgir um outro percurso para assinalar a muralha fernandina.

Ao longo do percurso são ainda encontrados 16 marcos com uma breve descrição dos locais.

 

Lusa