Milionésimo imigrante na Alemanha foi um português e neto vai revisitar memórias

Foto: Alfred Koch
Foto: Alfred Koch

Quando Armando Rodrigues de Sá embarcou, em 1964 em Lisboa, num comboio rumo à Alemanha para iniciar uma nova etapa da sua vida como emigrante nunca pensou que ficaria na história alemã.

 O português, então com 38 anos e com dois filhos menores em Portugal,

foi surpreendido pelo acaso e foi reconhecido pelas autoridades alemãs,

na estação ferroviária de Colónia-Deutz, com o título de milionésimo imigrante ma entrar naquele país, momento que será agora revisitado pelo neto, António mde Sá, que embarca hoje à noite em Santa Apolónia num comboio que terá como destino final a mesma cidade alemã.

A 10 de setembro de 1964, o imigrante português, natural de Vale de

Madeiros (Viseu), deparou-se com uma receção que incluiu uma banda de música,flores e a oferta de uma motorizada.

"Será uma homenagem à memória do meu avô e, através dele, de todos os

imigrantes que nessa época, como ainda hoje, por outros motivos, tiveram de deixar a pátria de nascimento por uma pátria de acolhimento", afirmou à Lusa António de Sá, referindo que a iniciativa, realizada 50 anos depois mda partida de Armando Rodrigues de Sá, surgiu através de um convite de alguns elementos da comunidade portuguesa na Alemanha, em parceria com as autoridades germânicas.

Esta viagem de homenagem também pretende ser, segundo António de Sá, o primeiro passo para a criação, no futuro, de uma fundação com o nome de Armando Rodrigues de Sá, instituição que terá como principal foco o desenvolvimento de estudos sobre os fenómenos migratórios na Europa, em especial para a Alemanha, e o apoio às comunidades migrantes.

Ao fazer o mesmo percurso do avô, António, de 44 anos, também anseia

encontrar e falar com algumas pessoas da comunidade portuguesa que tiveram contacto com Armando Rodrigues de Sá.

"Infelizmente ele faleceu quando eu tinha cerca de 10 anos, mas tenho

uma grata memória por ter sido uma pessoa íntegra, com uma mcapacidade de trabalho excecional. E todas as histórias que ouvi depois da sua morte,através do meu pai e da minha tia, foi uma pessoa que, dentro da época, mtinha uma tenacidade fora de série", referiu o professor residente em Coimbra.

Apesar de ter desembarcado em Colónia, Armando, carpinteiro, sempre

trabalhou em outras localidades, mais a sul, em várias fábricas de painéis

de madeira. No total, o imigrante "um milhão", que acabaria por morrer em 1979, esteve 10 anos na Alemanha, repartidos por vários períodos.

"Nunca esteve mais de meio ano, oito meses. Fazia sempre a viagem de

regresso à base. Tinha muitas saudades da família", recordou o neto.

O facto de esta viagem ser realizada numa altura em que Portugal enfrenta muma nova vaga de emigração é um aspeto que não é esquecido por este professor mcontratado.

"A homenagem é importante, mas fará sentido enquadrá-la no contexto

histórico e no facto de 50 anos depois estarmos de alguma forma a repetir mum fenómeno que parece quase cíclico", destacou António de Sá, apontando ma saída do país, nos últimos anos, de pessoas qualificadas.

Hoje, antes da partida do comboio, será realizada uma cerimónia na estação de Santa Apolónia com representantes da Alemanha em Portugal, entre eles o embaixador em Lisboa, Ulrich Brandenburg.

A acompanhar António de Sá na viagem estará a historiadora alemã residente em Portugal, Svenja Länder.

Em Colónia, estão agendadas para sábado várias iniciativas para homenagear Armando Rodrigues de Sá, incluindo uma receção oficial na Câmara de Colónia, mque contará com a presença de representantes do governo federal alemão, do estado da Renânia do Norte-Vestefália e do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

Lusa