Maioria dos enfermeiros formados em Azeméis com colocação "quase imediata" no estrangeiro

A maioria dos recém-licenciados da Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis (ESECVPOA) tem colocação "quase imediata" em diferentes países estrageiros, onde ganha "mais do que o dobro" do que em Portugal.

A informação foi dada à Lusa pelo diretor da escola que, criada em 2002, vem formando anualmente 50 enfermeiros, aos quais disponibiliza ainda um leque variado de cursos pós-licenciatura e pós-graduação, e de formação contínua.

"A maior parte dos nossos alunos obtêm emprego no estrangeiro quase no imediato, gostam da experiência e acabam por lá ficar", garantiu Henrique Moreira.

"Há um que terminou o curso na sexta-feira e no dia 15 já vai estar a trabalhar no reino Unido. Outra aluna nem sabe falar a língua, mas vai para a Alemanha e lá oferecem-lhe o curso de alemão", realça.

Henrique Moreira afirma que esses jovens "vão para o estrangeiro por necessidade, porque sabem que cá é muito difícil arranjarem emprego na área e, mesmo arranjando, vão ser muito mal pagos".

"Mas lá fora vão ganhar mais do que o dobro, com toda a certeza. Para além de ganharem muito mais, ainda têm melhores condições, trabalhando uma média de 35 a 38 horas por semana, sem nunca passarem das 40", assegura o responsável.

A oferta de emprego disponível no estrangeiro é divulgada em Portugal em anúncios individuais ou comunicada através de empresas de recrutamento, que são contratadas por essas entidades externas para organizarem avaliações que, num dia só, podem reunir centenas de enfermeiros em Lisboa ou no Porto.

Reino Unido, Irlanda, Alemanha, França, Suíça e Bélgica são os países com mais interesse nos recém-licenciados portugueses e têm como principal critério de seleção o domínio da língua em que os jovens terão que desempenhar as suas funções.

"Vai ser sobretudo a língua a decidir tudo, já que, quanto ao nível de conhecimento, estão todos muito bem preparados. Os enfermeiros portugueses são muito bem aceites em qualquer parte do mundo porque a nossa formação tem muita qualidade e dá-lhes competências que os colegas de outros países nunca receberam", refere Henrique Moreira.

"Estão aptos a trabalhar em quase todos os serviços possíveis e imaginários", assevera.

Depois de determinado o nível de conhecimentos e o à-vontade linguístico, uma terceira razão que justifica a opção das instituições estrangeiras por enfermeiros portugueses é a sua capacidade de integração no novo meio.

"Aí já é uma questão cultural", observa o presidente da ESECVPOA. "Nota-se que os nossos jovens se adaptam facilmente, têm uma mentalidade mais aberta e demonstram um melhor inter-relacionamento com as pessoas", justifica.

Quanto aos enfermeiros que acabam por ficar em Portugal, mesmo sob risco de prolongado desemprego, Henrique Moreira admite: "Ou é porque não conseguem dominar a língua, ou é por questões familiares mais difíceis".

Lusa