PCP questiona Governo sobre despedimentos de professores de português no estrangeiro

O PCP questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros sobre se pretende acabar com o ensino de Português no estrangeiro (EPE), querendo saber qual o número de professores desta modalidade que vão ser despedidos.

Na pergunta destinada a Rui Machete, os deputados comunistas João Ramos e Carla Cruz querem saber se é intenção do Governo português acabar com o sistema do EPE e pedem a confirmação dos despedimentos de professores do EPE e qual é a redução no número de docentes em relação ao ano letivo passado.

No texto, os parlamentares referiram que já foram despedidos dois professores na Alemanha e outros 11 na Bélgica, Luxemburgo (os com os maiores salários) e Holanda.

Sublinharam ainda a redução de horas letivas e turmas com alunos de diferentes níveis e idades.

“Um professor com 22 horas letivas pode chegar a ter 200 alunos. É fácil perceber o que fica a perder - a qualidade pedagógica e os alunos”, argumentam os parlamentares.

“Isto acontece quando os pais, em alguns países, foram chamados a financiar os estudos dos seus filhos e, com isso, o Estado português terá arrecado dois milhões de euros só nas inscrições para o próximo ano letivo”, afirmam, acrescentando que alguns países ainda fornecem apoios financeiros para manuais escolares e formação de professores.

Os deputados referiram que o “Relatório sobre Emigração”, recentemente apresentado, não esconde que, apesar do número de emigrantes ter aumentado muito, a rede EPE perdeu 13% dos alunos de 2012/13 para 2013/14.

No mesmo relatório, de acordo os deputados, indicou-se que “a rede EPE oficial e não oficial reduziu de 912 em 2012/13 horários para 793 em 2013/14”.

A confirmação do montante já arrecadado em propinas relativas ao próximo ano letivo e o seu destino é outra questão colocada pelos parlamentares.

Os deputados do PCP perguntaram ainda se o “ministério não tem pejo de cobrar propina aos cidadãos emigrantes quando tanto se vangloria das suas remessas financeiras”.

Lusa