Luso-descendente Anthony Campos é novo chefe da polícia de Newark

O luso-descendente Anthony Campos, novo chefe da Polícia de Newark, defende que é precisa "a eficiência de uma empresa" na gestão policial da 8.ª cidade mais violenta entre as metrópoles americanas com mais de 75 mil habitantes.

"Temos de gerir esta agência com a eficiência de uma empresa. Temos a oportunidade de fazer diferente e fazer melhor. A segurança pública é o motivo principal que faz alguém querer viver numa cidade e queremos que as pessoas vivam em Newark", disse em declarações à Agência Lusa

"É um grande privilígio para mim, que dediquei toda a minha vida adulta ao serviço público, poder dirigir esta agência. Sempre acreditei que ser agente da polícia era a mais nobre das profissões", afirmou Campos.

Polícia há mais de 20 anos, Anthony Campos foi nomeado para o cargo pelo novo presidente da câmara da cidade, Ras Baraka, que tomou posse na semana passada.

Campos cresceu no Ironbound, a zona da cidade onde se concentra a comunidade portuguesa, e é filho de pai português, da Murtosa, e de uma mãe com origens na Serra da Estrela.

Tornou-se polícia no final do ensino secundário, licenciou-se e concluiu o mestrado em administração pública na Universidade de Ruthers, em Nova Jérsia.

Graduou-se ainda no Centro de Segurança publica, da Universidade Northwestern, e foi bolseiro de vários programas de especialização.

Atualmente, é o presidente da "The Portuguese-American Police Association" de Newark e das filiais na cidade da "International Police Association" e do "Blue Knights International Law Enforcement Motorcycle Club".

Durante o 11 de setembro, coordenou as equipas que a Polícia de Newark enviou para o local do atentado.

Campos já tinha ocupado o cargo de chefe de polícia entre até 2006 e 2009, mas saíu por diferenças com o antigo presidente da câmara, Cory Booker, que agora tem o cargo de senador federal.

Na altura, o luso-descendente foi o chefe da polícia mais novo alguma vez nomeado na cidade, e o único de ascendência portuguesa.

Durante esse tempo, ficou conhecido pelo trabalho de aproximação entre as comunidades e as autoridades locais, promovendo vários encontros entre residentes, polícias, ativistas e líderes comunitários.

Campos admite que "o trabalho é agora mais desafiante".

A cidade com cerca de 300 mil habitantes teve um aumento do crime nos últimos anos. No ano passado, 111 pessoas foram assassinadas, o valor mais alto desde 1990.

A cidade tem também menos polícias, resultado de despedimentos em 2010 e 2011.

"Vivemos uma época de recursos diminutos, mas isso não é especifico de Newark. Acontece em muitas outras cidades pelo país. Temos de fazer mais com menos. Não trabalhar mais, porque já trabalhamos muito, mas trabalhar de forma mais inteligente", explicou.

Campos diz que "são precisas melhores práticas, mais informação, mais tecnologia, melhores tácticas e melhor liderança" para combater a falta de agentes.

Lusa