Turismo: Comerciantes de Lisboa apontam cruzeiros e eventos como principais atrativos

O turismo de cruzeiros e a realização de grandes eventos, como o Rock in Rio, são apontados por associações de comerciantes lisboetas como os principais impulsionadores da crescente atratividade turística da capital, onde, ressalvam, há também questões por melhorar.

Ouvidas pela agência Lusa, algumas associações que representam os comerciantes de Lisboa afirmaram que a cidade “está na moda” e que tem sido bastante visível o aumento do número de turistas.

“Esta câmara tem conseguido, através da atração de inúmeras iniciativas, projetar a cidade e fazer com que a cidade esteja na moda”, realçou a presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha.

Nesse sentido, a presidente da UACS destacou o papel da divulgação externa, da requalificação urbana e da realização de eventos com projeção internacional, como é exemplo o festival Rock in Rio e a final da Liga dos Campeões de futebol, que teve lugar em maio no Estádio da Luz e trouxe milhares de adeptos espanhóis.

Carla Salsinha destacou também a importância do turismo de cruzeiros, que tem registado em Lisboa um crescimento anual superior a 11%.

“No dia em que os cruzeiros chegam e atracam, toda aquela zona central da cidade é inundada por turistas, que obviamente consomem”, apontou.

Relativamente ao perfil do turista, a responsável referiu que no âmbito do turismo de cruzeiros têm surgido mais turistas oriundos de países economicamente emergentes, nomeadamente da China, Rússia, Angola e Brasil: “São turistas com um nível económico mais alto e por isso são mais exigentes. Vêm cá à procura de experiências diferentes”.

Por seu turno, o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Lopes, ressalvou que, apesar de existir um “crescimento muito acelerado do número de turistas”, isso apenas se traduz em maior consumo “nalguns períodos do ano”.

“No que respeita a volumes representativos de consumo ele não ocorre todo ano. Durante os períodos de verão é certo que há turistas em maior quantidade, mas também consomem menos”, apontou.

Manuel Lopes indica os eventos e a hospitalidade portuguesa como os principais fatores de atratividade da cidade.

“Temos assistido a eventos de maior qualidade que têm trazido muita gente. Além disso, a marca histórica da nossa cidade é atrativa. O português sabe receber bem e temos um sol maravilhoso”, destacou.

Contudo, para o responsável há alguns aspetos que podem ser melhorados: “investir na componente do alojamento para fazer face à procura, continuar a recuperar as zonas históricas da cidade, melhorar a higiene urbana e manter a localização do aeroporto”.

Já o presidente da Associação de Valorização do Chiado, Vítor Silva, fez críticas à “falta de investimento” naquela zona da cidade e defendeu a necessidade de serem melhorados os acessos.

“Por exemplo, tínhamos algumas expetativas relativamente ao final da Liga dos Campeões, mas elas foram defraudadas. Os turistas optaram por não subir e ficar pela zona da Baixa e Rossio. Com os turistas dos cruzeiros passa-se o mesmo”, queixou-se.

Vítor Silva explicou que os turistas mais idosos ou aqueles com mobilidade mais reduzida têm mais dificuldade em subir até ao Chiado, defendendo por isso a criação de infraestruturas que solucionem esse problema.

“Existem ruas no Chiado que continuam desertificadas. Há vários anos que está prometida uma estação na rua Ivens e até agora ainda não foi feito nada nesse sentido. A existência de um único elevador que sobe até cá cima [Santa Justa] é insuficiente e além disso é uma alternativa cara”, afirmou.

 

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