Mundial2014: Adeptos que viajem ao Brasil devem ir ao médico quanto antes

O investigador Kamal Mansinho apelou a quem planeie deslocar-se ao Brasil para acompanhar o Mundial que acorra rapidamente a uma consulta do viajante para minimizar os riscos de doenças como a dengue, mas não só.

“A dengue é uma das várias situações para a qual os viajantes que forem ao Brasil para o mundial devem ser aconselhados”, disse o cientista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Lisboa, sublinhando que num país tão vasto como o Brasil os riscos dependem das regiões a visitar.

Malária, febre-amarela e sarampo são alguns dos riscos a que se sujeita quem viaja para o Brasil, e a prevenção pode não ser eficaz se não for feita antecipadamente, alertou Kamal Mansinho.

“Muitas vezes os nossos viajantes acorrem às consultas com menos tempo do que precisam para terem as vacinas feitas em dia”, disse o especialista.

A ida atempada a uma consulta do viajante é muito importante, reiterou, “para que em nenhuma das partes [clínicos e viajantes] fique a angústia” de que as pessoas possam não ter ainda anticorpos neutralizantes de algumas doenças.

Sobre a atual preocupação com a dengue, numa altura em que existe um surto na cidade de Campinas, onde estará alojada a seleção de Portugal, Kamal Mansinho sublinhou que é preciso que as pessoas estejam alertadas de que se trata de uma doença transmitida através da picada de um mosquito, pelo que é importante o uso de repelentes de insetos e de roupa que cubra o máximo possível de superfície corporal ao longo de todo o dia.

Reiterou que o risco de contrair dengue não é igual e todo o Brasil, sendo teoricamente maior em cidades como Fortaleza, Natal e Salvador, onde o pico de dengue se prevê que possa ocorrer no período em que decorre o mundial.

No entanto, “há sempre um grau de imprevisibilidade”, como se comprovou com o surto de Campinas, recordou Mansinho, lembrando que a região registou 6.000 casos de dengue em 2013, enquanto este ano, só até 01 de junho, já houve 35.184 casos.

Questionado sobre as declarações do diretor-geral de Saúde, Francisco George, que na segunda-feira disse à Lusa que a curva epidémica de dengue em Campinas está em fase decrescente, Kamal Mansinho confirmou ser essa a estimativa das autoridades brasileiras.

No entanto, sublinhou que surtos deste género “devem ser acompanhados a cada momento”, não sendo aconselhável “fazer extrapolações a longo prazo, mesmo que o longo prazo seja de duas ou três semanas”.

E reiterou que a dengue – que na maior parte dos casos não provoca sintomas ou provoca sintomas ligeiros, mas pode matar - não é a única preocupação para quem decidir ir ao Mundial.

“Quem viaje para o Brasil que tem de estar atendo a acidentes rodoviários, a doenças transmissíveis pela água e pelos alimentos” e até mesmo à gripe, já que a época da gripe está em curso na região e haverá pessoas em maior risco que deveriam ser vacinadas para evitar complicações.

A dengue é uma doença febril transmitida pela picada de um mosquito e que causa febre elevada, dores musculares, dores de cabeça e pode deixar a pessoa incapacitada pela intensidade das dores.

Se desenvolverem um quadro febril e precisarem de medicamentos para controlar a febre, os doentes deverão tomar paracetamol e não aspirina ou anti-inflamatórios não esteroides.

Grande parte das pessoas que entram em ambiente em que haja transmissão de dengue podem ser infetadas e não desenvolverem sintomas; há uma pequena percentagem de pessoas que desenvolverão este quadro febril e uma mais pequena percentagem de pessoas em risco de desenvolverem formas mais graves, com algumas complicações que podem ser mortais.

 Lusa