Alemães financiam estudo sobre portugueses nos campos de concentração nazis

Historiadores portugueses viram rejeitado apoio do Estado na investigação que já detetou 70 portugueses mortos em campos de concentração nazis na II Guerra Mundial, disse à Lusa o historiador Fernando Rosas.

Para conseguir o financiamento, o historiador Fernando Rosas, que lidera a equipa do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa que está a fazer a investigação sobre a morte dos portugueses, foi obrigado a ampliar o âmbito da investigação à temática do trabalho forçado na Alemanha nazi durante a II Guarra Mundial (1939-1945) onde já descobriram pelo menos 300 portugueses.

“Nós vamos agora entregar a documentação para um concurso porque precisamos de financiamento para investigarmos. A Fundação para a Ciência e Tecnologia não financiou este projeto e, portanto, estamos a concorrer junto de uma instituição alemã que nos pediu que concorrêssemos. Uma fundação especializada sobre a investigação acerca do trabalho forçado na Alemanha (durante a II Guerra Mundial), que quando soube do nosso trabalho sobre os portugueses - assunto que eles também desconhecem - pediu para nós concorrermos”, relatou à agência Lusa o historiador Fernando Rosas.

Para o historiador, a descoberta inédita sobre a presença de prisioneiros portugueses nos campos de extermínio nazis deve fazer com que o Estado português assinale a circunstância, tal como os restantes países.

“Em todos os campos há pequenos monumentos de Estado aos seus nacionais que foram lá mortos e na contabilidade que já fizemos sobre portugueses há pelo menos uns 70 portugueses que morrem nos campos de concentração e nem se sabe que eles lá morreram e mesmo essa justiça memorial devia fazer-se”, sublinhou Fernando Rosas.

 Lusa