Defesa dos três alemães satisfeita com absolvição no caso submarinos/contrapartidas

O advogado dos três alemães absolvidos no julgamento do caso submarinos/contrapartidas declarou ter "gostado muito do acórdão", considerando que a justiça funcionou muito bem.

Nuno Godinho de Matos, que falava aos jornalistas no final da leitura do acórdão que absolveu os 10 arguidos do processo, referiu ter ficado "comovido" com esta sentença, pela qualidade intelectual da juíza presidente, Judite Fonseca, e dos restantes membros do colectivo de juízes, que votaram com ela o acórdão.

"Considero que foi feita justiça, mas que, acima de tudo, houve um imenso rigor intelectual", disse.

Relativamente ao trabalho do Ministério Público, Godinho de Matos sublinhou o trabalho de "grande rigor e imensa sobriedade" do procurador do julgamento, Vítor Pinto, que teve que defender em julgamento uma acusação "absolutamente insensata e tola".

"A acusação era desde o início absolutamente disparatada", disse, considerando que o processo nunca devia ter chegado a julgamento.

João Perry da Câmara, advogado do empresário António Lavrador, disse que "qualquer pessoa com mediana experiência teria capacidade para analisar que este processo da forma como foi construído tinha pouca consistência e dava o resultado com que fomos confrontados".

Considerou lamentável que este tenha causado custos irreparáveis a nível empresarial para todos os envolvidos e para o próprio Estado, lembrando tratar-se de um processo que durou sete anos e que, por isso, teve custos enormes para os contribuintes portugueses.

Recordou ainda que, desde cedo, a defesa alertou para a irregularidade com que foi feita a perícia neste processo pela consultora Inteli, mas que, apesar disso, o caso prosseguiu.

Desta forma, disse igualmente, que o processo nunca devia ter passado da instrução e chegar a julgamento.

Os três administradores da empresa multinacional Man Ferrostal (que pertence ao consórcio alemão German Submarine Consortium) e sete empresários portugueses foram hoje absolvidos dos crimes de burla e falsificação de documentos.

Horst Weretecki era vice-presidente da multinacional Man Ferrostaal, Antje Malinowski, sua subalterna, e Winfried Hotten, anterior responsável da empresa, eram os arguidos alemães.

José Pedro Sá Ramalho, Filipe Mesquita Soares Moutinho, António Parreira Holterman Roquete, Rui Moura Santos, Fernando Jorge da Costa Gonçalves, António Lavrador Alves Jacinto e José Mendes Medeiros são os sete empresários portugueses ligados à ACECIA, um grupo de empresas de componentes para a indústria automóvel.

O Estado português contratualizou com o consórcio alemão GSC a compra de dois submarinos em 2004, quando Durão Barroso era primeiro-ministro e Paulo Portas era ministro da Defesa Nacional.

Lusa