Berlinda da Casa Real portuguesa cedida pelo Museu dos Coches para exposição em Paris

Uma berlinda do século XVIII, usada para transporte da Casa Real Portuguesa, foi cedida pelo Museu Nacional dos Coches para ser mostrada numa exposição do Museu de Artes Decorativas de Paris, que é inaugurada em fevereiro.

A peça do século XVIII, construída em França, encomendada pela Casa Real Portuguesa, foi enviada na quinta-feira para o Museu de Artes Decorativas, disse à agência Lusa fonte do gabinete de comunicação do museu.

A peça foi pedida pelo museu parisiense, porque tem painéis lacados com verniz Martin, e a exposição em Paris vai debruçar-se especialmente sobre essa técnica requintada de decoração, que chegou a ultrapassar a moda da “chinoiserie”.

A exposição intitula-se "Os segredos da laca francesa: o verniz Martin", e vai estar patente no Museu de Artes Decorativas de Paris, entre 13 de fevereiro e 08 de junho.

De acordo com dados do Museu dos Coches, a berlinda cedida era habitualmente puxada por três parelhas de cavalos, e esteve depositada, de 1875 a 1904, nas Reais Cocheiras da Calçada da Ajuda, aí estabelecidas dois anos antes.

Foi depois transferida para um dos depósitos da Repartição das Reais Cavalariças (ou antigo Picadeiro Real), tendo integrado o núcleo primitivo de carros expostos no Museu dos Coches Reais.

Nos últimos anos, a berlinda tem estado em exposição permanente no salão nobre do museu, sendo agora cedida temporariamente ao Museu de Artes Decorativas de Paris, que irá mostrar cerca de 300 objetos, entre mobiliário, painéis de madeira, caixas e estojos, uma berlinda e trenós.

As peças vão procurar traçar a história de um gosto parisiense e europeu, revelando o luxo e o requinte desta técnica de envernizamento.

A exposição procura responder a várias questões, em particular a do “verniz Martin”, expressão que só os franceses utilizam para falar da laca, apresentando vários exemplos e estudos.

É realizada em colaboração com o Lackkunst Museum de Munster, na Alemanha, e tem cenografia de Philippe Pumain.