Búlgaros no Alentejo satisfeitos com livre acesso ao mercado de trabalho na UE

O livre acesso ao mercado de trabalho na União Europeia para a Bulgária alarga as opções de emigração mesmo para quem já escolheu Portugal, afirmam imigrantes búlgaros no Alentejo, que admitem sair para outros países. Para Gergana Krasteva, de 27 anos, este ainda não é o momento de deixar Portugal, pois considera-se “integrada” em São Teotónio, no concelho de Odemira, onde também residem os pais, os sogros, o marido e o filho, com cerca de dois anos.

No entanto, “se qualquer dia ficar desempregada ou vir que não há muito trabalho”, considera a hipótese de voltar a emigrar, em busca de “uma vida melhor”, sendo a Inglaterra um dos destinos possíveis, contou à agência Lusa.

 

Gergana Krasteva vive há 10 anos em Portugal, sempre em São Teotónio, onde existe uma comunidade de cerca de mil búlgaros, quase um quinto da população da freguesia, que se dedica principalmente à agricultura.

 

A jovem, também conhecida por Gueri, já trabalhou como empregada de mesa e num salão de cabeleireiro, mas agora é dinamizadora comunitária no projeto “ST-E5G”, da Taipa, cooperativa que atua na área da solidariedade social no concelho de Odemira.

 

O projeto visa a integração dos imigrantes, sobretudo de nacionalidade búlgara, mas também romenos e moldavos, na comunidade de São Teotónio, nomeadamente através do ensino da língua portuguesa.

 

Desde o princípio do ano que os cidadãos romenos e búlgaros podem trabalhar livremente na União Europeia, embora com a contestação de alguns Estados-membros, como a Alemanha e o Reino Unido.

 

As últimas restrições no acesso ao mercado de trabalho, que eram aplicadas a nove países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo, Malta e Reino Unido), surgiram sete anos após a adesão da Roménia e da Bulgária à comunidade.

 

Para Gueri, isto foi o fim de uma “discriminação”, pois defende que “todas as pessoas têm direito a escolher onde querem viver e trabalhar”.

 

A jovem tem conhecimento de alguns búlgaros que, próximo do final do ano passado, deixaram São Teotónio em direção à Inglaterra, mas afiança que não partiram “às cegas”, pois “já tinham lá alguém”.

 

Este poderá vir a ser o caso de Iskren Kirilov, de 26 anos, que pondera sair de Sines, onde trabalha há cerca de quatro anos, como pintor na refinaria da Galp Energia, para tentar nova sorte na Alemanha.

 

Alguns amigos, radicados em Mannheim, dizem-lhe que “lá os ordenados são melhores”, mas o jovem prefere “ir ver primeiro” antes de tomar a decisão.

 

Iskren Kirilov sabe, contudo, que já se sentiu melhor em Portugal e que a crise, com a redução dos salários, começa a tornar a sua vida “complicada”, uma opinião que é partilhada por colegas búlgaros e romenos, diz.

 

Por isso, considera que o fim das restrições no acesso ao mercado de trabalho vai ser benéfico, até porque o seu país “não consegue garantir trabalho ou estudos e ganhar bom dinheiro” aos habitantes.

 

“Assim é melhor para a gente. Já é mais fácil”, remata.