África do Sul Comunidade portuguesa "já é parte da população sul-africana”

A comunidade portuguesa é parte da população sul-africana e uma das suas forças reside no “sentimento de pertença”, considerou hoje em declarações à Lusa o embaixador de Portugal na África do Sul.

“Estamos a falar de uma comunidade aqui instalada há décadas, temos pessoas que estão aqui há 50 anos, é uma comunidade de várias gerações e por isso é uma comunidade que é parte da população sul-africana”, afirmou António Ricoca Freire em declarações por telefone à Lusa, a partir de Pretória.

Numa referência à morte do ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela, o embaixador português sublinhou que a comunidade portuguesa (cerca de 500.000 pessoas), “vive este momento como serenidade”, à semelhante de muitos milhões de sul-africanos de outras origens.

“Há este sentido de pertença que penso ser muito positivo e é uma das forças da nossa comunidade”, frisou Ricoca Freire, ao recordar um diálogo que manteve em Pretória com um alto funcionário do ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano.

“Disse-me que havia um grande apreço pela comunidade portuguesa, disse-me que são sul-africanos de ascendência portuguesa, ou com nacionalidade portuguesa”, referiu.

Ao pronunciar-se sobre o futuro do principal país da África austral, o embaixador português considerou um “exagero” a perspetiva de uma radicalização política interna e recordou que o Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) sempre integrou várias fações.

“Foi criado agora um partido político, o Economic Freedom Fighters (EFF), obviamente uma tentativa de atrair uma ala do eleitorado tradicional do ANC mais insatisfeita com a situação económica, com o desemprego”, recordou.

“Mas o facto de existir um partido não lhe dá à partida garantias de expressão. Parece-me que essas visões de catástrofe, de radicalização, não têm grande credibilidade em termos de análise política”.

A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, motivando de imediato reações de pesar a nível mundial.

“A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos”, disse Jacob Zuma, anunciando que a bandeira sul-africana vai estar a meia-haste a partir de hoje e até ao funeral de Estado, marcado para 15 de dezembro.

O Comité Nobel norueguês considerou hoje Nelson Mandela, que esteve preso 27 anos pela sua luta contra o regime “apartheid” da África do Sul, "um dos maiores nomes da longa história dos prémios Nobel da Paz".

Mandela foi o primeiro Presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.

Lusa