Portugal “estende passadeira vermelha aos chineses ricos”, diz jornal do PCC sobre “vistos dourados”

Portugal "está a estender a passadeira vermelha aos chineses ricos", disse um jornal do Partido Comunista da China (PCC) sobre os "vistos dourados" concedidos pelo governo português a cidadãos não-europeus que invistam no país.

Chineses ricos compram imobiliário em Portugal em troca de um ‘visto dourado', que é um bilhete para o estrangeiro, disse na quinta-feira o Global Times, uma publicação em língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do PCC.

O programa de "vistos dourados", lançado em outubro de 2012, concede autorização de residência em Portugal e direito de circulação no espaço Shenghen aos cidadãos não-europeus que comprem uma casa de pelo menos meio milhão de euros, depositem um milhão de euros num banco português ou invistam num projeto empresarial que crie no mínimo dez postos de trabalho.

Por 500.000 euros pode-se comprar um apartamento com quatro quartos e 130 metros quadrados em Lisboa, o que corresponde ao preço de um T2 de 60 metros quadrados em Pequim ou Xangai, realça o Global Times.

Os investidores chineses estão também a "tirar partido" da crescente valorização do yuan, cuja cotação face ao euro subiu cerca de 30% ao longo dos últimos cinco anos, refere o jornal.

"Até agora, a China foi, de longe, o país que mais investiu neste programa", sobretudo no setor imobiliário, disse na quinta-feira em Pequim o embaixador de Portugal na China, Jorge Torres-Pereira.

Segundo precisou, "278 cidadãos chineses - do continente, de Macau e de Hong Kong - já compraram o equivalente a 167 milhões de euros".

"A maioria não tenciona radicar-se em Portugal, mas quer usar o visto para fazer negócios com outros países europeus e viajar livremente dentro do espaço Schengen, que inclui 26 países", salienta o Global Times.

De acordo com os números divulgados no passado dia 14 de novembro pelo governo português, desde o início de 2013 foram atribuídos 327 vistos dourados a cidadãos de 21 países.

Os cidadãos chineses ocupam o primeiro lugar da lista, seguidos dos brasileiros, russos e angolanos.

Estimativas oficiais indicam que desde outubro de 2012 até ao final deste ano, cerca de 350 milhões de euros entrarão em Portugal ao abrigo daquele programa.