Emigrantes em Madrid têm saudades, mas pouca esperança de voltar a Portugal

Um pequeno grupo de emigrantes portugueses em Madrid disse hoje ao secretário-geral do PS, António José Seguro, ter saudades de Portugal, mas "pouca esperança" de voltar nos próximos tempos ao país devido à crise.

António, há dois anos e meio em Madrid e desempregado há alguns meses, admitiu que "regressar não está nos planos", considerando que, mesmo com está, a situação económica atual em Espanha ainda oferece mais oportunidades.

A opinião é partilhada por Artur, em Espanha desde 2007, que aproveitou o encontro com António José Seguro para dar conta das dificuldades que, apesar da integração entre os dois países, se "evidenciam em trâmites burocráticos".

"Encontrei aqui oportunidades de trabalho, não me sinto emigrante, mas também já me disseram que tinha vindo roubar trabalho a um espanhol", comentou Artur.

David, desempregado há algumas semanas, admite que um eventual regresso a Portugal - onde vive a mãe - será sempre "temporário", porque considera que o país "continua a expulsar os seus jovens".

A conversa decorreu numa sala do Círculo das Belas Artes de Madrid, onde António José Seguro chegou hoje para participar, no sábado, na conferência política do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Num diálogo informal, o líder socialista quis ouvir a opinião dos jovens sobre a sua situação pessoal, sobre a forma como veem a crise, o país e o panorama político.

Ana, professora de português em Espanha, explicou que olha hoje "com muito orgulho" para Portugal, dado "o incrível esforço da população portuguesa para aguentar o que está a passar".

David, um outro jovem, disse que Portugal lhe deixa "um sabor agridoce", porque gostaria de voltar, mas sabe "que não há muitas oportunidades de trabalho".

"A nossa economia não tem espaço para os jovens, gostávamos de voltar, temos ideias, mas não dá. Voltar implicaria dar muitos passos atrás", reconheceu.

Opinião semelhante tem Luís, também a trabalhar em Espanha, que culpa "a mentalidade das empresas que não dão oportunidades aos jovens", considerando que a sua competência e conhecimentos não são reconhecidos.

Artur disse que para voltar a Portugal gostaria de poder manter o estilo de vida que tem em Madrid, o que na prática implica "cuidar dos dois filhos, ter um apartamento mais ou menos decente e poder levá-los a uma escola em condições".

"Acho que é isso que os portugueses querem, mas acho que não têm esperança nem aspirações de que o vão conseguir nos próximos anos", disse.

Para este jovem, Portugal é hoje "a China dos engenheiros", oferecendo 500 e 600 euros a quem passou cinco ou seis anos a formar-se".

Em resposta à pergunta de António José Seguro sobre que opinião tinham da política atual, todos concordaram na perceção de falta de credibilidade dos políticos e das instituições, com António, de Miranda do Douro, a explicar que se sente dividido entre a satisfação de ser "da geração mais bem formada" e a pena de ver a atual situação.

Melhorar a credibilidade dos políticos, vincou, é um processo que demora algumas gerações.

"Agora temos que castigar os que estão e educar os que vêm", avisou.

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