Nós
15 anos ao serviço da Comunidade Portuguesa na Alemanha
A tradição do jornalismo realizado por emigrantes não é um fenómeno novo na história da imprensa portuguesa.
No século 19, após 1820, nos círculos de emigrados políticos em França e principalmente em Inglaterra foram fundados diversos jornais. O papel desempenhado pelos jornais de emigrantes após 1823 foi da maior importância. Redigidos por alguns dos maiores vultos da literatura portuguesa, entre os quais se destaca Almeida Garrett, são notáveis pela sua linguagem e estilo jornalístico, mas também pela sua apresentação gráfica e cuidada impressão.
Em 1885 existiam cerca de 150 jornais nas províncias ultramarinas, 70 na Índia Portuguesa, 40 nas 4 províncias da àfrica Portuguesa, 24 em Macau e nas possessões asiáticas da Grã-Bretanha onde residiam famílias portuguesas.O primeiro jornal publicado em todo o território ultramarino português foi a Gazeta de Goa que surgiu em 1821.
A presença portuguesa na Alemanha já tem mais de quarenta anos mas ao longo deste tempo,exceptuando um jornal ligado à igreja católica, não existia nenhum orgão de comunicação social independente e pluralista. Este vazio de mais de quarenta anos foi preenchido pelo PORTUGAL POST.
Um jornal ”emigrante” cumpre uma função social extremamente importante. Antes de mais funciona como pólo congregador da comunidade,dando-lhe a conhecer o que se passa no seu país de origem e também as actividades desempenhadas pelas inúmeras colectividades portuguesas existentes aqui na Alemanha.
Paralela a esta função informativa existe também uma vertente formativa. Não se pode esquecer que muitos dos portugueses que a este país chegam (e chegaram) não dominam a língua, e desconhecem os seus direitos e deveres.
Um jornal emigrante, como o é o PORTUGAL POST, pode ser também um bom instrumento para aqueles que estando em Portugal procuram conhecer a comunidade, uma vez que ele espelha as actividades,eventos desenvolvidos pelos portugueses no país de acolhimento.O posicionamento social da comunidade emigrante é um ponto de apoio à política exterior de Portugal, e também através dos empresários existentes- um trunfo para a internacionalização da economia. Logo um jornal emigrante fornece preciosa informação aos Orgãos de Decisão. O PORTUGAL POST é também um vector de aproximação luso-alemã, é com alegria que constamos a existência de centenas de leitores alemães, que muitas vezes nos enviam o feedback das sua leitura.
A elaboração do PORTUGAL POST tem também as suas dificuldades, a comunidade é grande e encontra-se distribuida pelo país, o que implica contínuas deslocações e um enorme esforço de forma a estar atento a tudo aquilo que faz a notícia, os grupos de pressão são fortes e existem interesses diversos. Para fazermos face a tudo isto apoiamo-nos na nossa rede de correspondentes que se espalha pelo país , sem eles o jornal não era possível. Se em 1993 fazia sentido criar um jornal como o PORTUGAL POST, agora parece fazer ainda mais sentido a existência de um jornal que responda às necessidades da Comunidade. Procurando corresponder a estas necessidades, o jornal é vendido em mais 250 cidades de modo a tentar chegar a todos portugueses, e parece-nos que o está a conseguir. O nosso propósito é reforçar a nossa posição, continuar a oferecer a comunidade um jornalismo sério, pluralista e orientado para os seus leitores e para o futuro. Numa Europa sem fronteiras, de livre circulação de pessoas e mercadorias, o optar por viver em Lisboa ou no Porto é equivalente ao optar por viver em Lisboa ou em Düsseldorf. Pode-se aprender muito com a experiência daqueles que já vivem a Europa Comunitária tal como ela pretende ser.Há mais de querenta anos, emigrar significava deixar para trás um país pouco desenvolvido, bolorento. As comunicações eram díficeis, as viagens longas e espaçadas no tempo,o contacto com o país resultava das cartas de familiares e das visitas nas férias.Actualmente o panorama é completamente diferente. Portugal modernizou-se, a situaçao política portuguesa e europeia são outras e apontam para a convergência ,para uma Europa Unida (cujo primeiro passo para esta união política vai ser dado com a entrada em vigor do Euro). As novas tecnologias da comunicação permitem que um cidadão português na Alemanha, em França, ou em qualquer outro país esteja tão bem informado sobre a actualidade portuguesa como os lá residentes.A RTPi traz-nos os noticiários diários, nas bancas podemos encontrar a imprensa portuguesa feita em Portugal ou no país de acolhimento, através da Internet podemos aceder às páginas do jornais e revistas no nosso país publicadas, a realidade virtual da informática permite-nos conhecer realidade real da actualidade.
Os emigrantes são os cidadãos da Europa do futuro e de um futuro a curto prazo. O PORTUGAL POST pretende estar presente e contribuir para a construção da Europa.
HELENA GOUVEIA
FICHA TÉCNICA
Fundado em 1993
Director
Mário dos Santos
Colaboradores Permanentes
Cristina Krippahl: Bona.
Francisco Assunção: Berlim.
Fernando A. Ribeiro: Estugarda.
Helena Gouveia: Bona.
Joaquim Peito: Hannover.
Luísa Costa Hölzl: Munique.
Correspondentes e Colaboradores
Alfredo Cardoso: Münster.
António Horta: gelsenkirchen
Catarina Tavares: Lisboa
João Ferreira: Singen
Jorge Martins Rita: Estugarda.
José Eduardo: Frankfurt/M.
José Gomes Rodrigues: Neuss.
Manuel Abrantes: Weilheim -Teck
Zulmira Queiroz: Groß-Umstadt
Colunistas
Carlos Martins: Colónia
Dora Mourinho: Essen
Fernando Cruz Gomes: Toronto
Fernanda Leitão: Toronto
José Eduardo: Frankfurt
Lagoa da Silvia: Lisboa
Marco Bertoloso: Colónia
Maria de Lurdes Apel: Braunschweig
Michaela Azevedo: Bona
Michael Halévy: Hamburgo
Miguel Krag: Hamburgo
Paulo Pisco: Lisboa
Teresa Colaço:Colónia
Uly Foerster: Hamburgo
Fotógrafos:
Fernando Soares
Paulo Ferreira
Agências: Lusa, DPA
Redacção, Assinaturas e Publicidade
Burgholzstr.43 - D -44145 Dortmund
Tel.: (0231) 83 90 289 •
Fax: (0231) 83 90 351
www.portugalpost.de
E Mail: correio @ free.de
Registo Legal: Portugal Post
ISSN 0340-3718 K 25853
Propriedade:
Portugal Post Verlag HRA 13654
Paginação, montagem e Impressão: PORTUGAL POST Verlag

Nos dias 2 a 6 de Março deslocar-me-ei á República Federal da Alemanha, em Visita de Estado. Foi, pois, com o maior gosto que acolhi o convite do jornal «Portugal Post» para prestar um breve depoimento nas suas páginas. O «Portugal Post» é o único jornal português na Alemanha que tem como público leitor os portugueses residentes neste país e a comunidade luso-alemã. Trata-se, por conseguinte, de uma publicação dirigida predominantemente à numerosa comunidade portuguesa que vive e trabalha na Alemanha.
Como tenho afirmado, em numerosas ocasiões, é fundamental aprofundar os traços de união entre as comunidades da diáspora e Portugal. Na Alemanha, onde existe uma numerosa comunidade portuguesa, aí radicada há décadas, a necessidade de publicações como o «Portugal Post» faz-se sentir de forma particularmente intensa. Mesmo nos dias das novas tecnologias de informação, jornais ou publicações deste tipo são, muitas vezes, o principal, se não o único, elo de ligação com o País natal.
Na minha visita à Alemanha, à semelhança do que tem sucedido nas deslocações que realizo a países estrangeiros, fiz questão de me avistar com a comunidade portuguesa. Esse encontro terá lugar em Osnabrück, no dia 6 de Março. Trata-se de uma manifestação pública do meu mais profundo apreço pelos Portugueses residentes na Alemanha, por aqueles que, pela força do seu trabalho, pelo seu empenhamento na vida cívica, engrandecem o nome de Portugal. O gesto tem um significado simbólico, naturalmente. Mas penso que a presença do Presidente da República, o convívio de perto com portugueses ou luso-descendentes, é um elemento importante para a comunhão de afectos que funda a portugalidade, onde quer que ela se encontre.
Aos responsáveis pelo «Portugal Post» e, em particular, aos seus leitores, quero deixar uma mensagem de muito apreço, em nome de Portugal.















