Angela Merkel
Merkel elogia medidas de austeridade em Espanha e Portugal
Berlim, 21 jul (Lusa) – A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou hoje estar “muito grata” por a Espanha, “tal como Portugal”, ter aprovado não só medidas de poupança “com grandes esforços políticos”, mas também alterações na legislação laboral.
As anteriores leis do trabalho em Espanha “conduziram à situação de que quem tinha emprego, mantinha-o, enquanto o desemprego juvenil subia para 40 por cento”, dissse a chefe do governo alemão, na tradicional conferência de imprensa de verão.
Sobre o problema das elevadas dívidas públicas na zona euro, Merkel congratulou-se com o reconhecimento, a nível nternacional, de que a opção pela consolidação orçamental na Europa é “inevitável”, como Berlim tem defendido.
“Havia, e ainda há, preocupações de que a Alemanha seguisse um rumo isolado, ou insistisse demasiado nas suas posições, mas sempre dissemos que o melhor europeu não é o que ajuda depressa, mas o que quer fazer avançar a Europa”, acrescentou
“Podíamos dizer que a culpa da crise orçamental na Grécia foi de dois malvados especuladores, mas a Grécia tinha fraquezas objetivas”, disse a chanceler, lembrando a intervenção da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a consolidar as finanças de Atenas, em maio, através da criação de um fundo de 110 mil milhões de euros.
Merkel acrescentou que a Europa anunciou, há dez anos, que queria tornar-se o continente mais dinâmico do mundo, do ponto de vista económico, “mas não é preciso muita fantasia” para verificar que esta meta da chamada Agenda de Lisboa falhou.
“Somos um continente envelhecido, em que há debates intermináveis sobre métodos de investigação, e onde, apesar da existência de um mercado interno, cada país pode decidir se aceita ou não determinados produtos”, lamentou a chefe do governo alemão.
Simultaneamente, Merkel mostrou-se convicta de que a Europa ultrapassará os problemas atuais e “ficará em boa situação”, mas para isso “terá de alterar a sua política de estabilidade e crescimento".
“É hoje incontestável que os défices estruturais têm de ser superados”, disse a chanceler.
No plano interno, Merkel reconheceu dificuldades nos primeiros nove meses da coligação democrata cristã e liberal, que foram, disse, “árduos e turbulentos”.
Tal deveu-se “à necessidade de enfrentar grandes desafios” como a crise financeira internacional, primeiro e, mais tarde, a crise orçamental de alguns países da zona euro, alegou.
No entanto, “através de uma política correta”, a economia alemã recuperou e a situação no mercado de emprego “é melhor ainda do que antes da crise, o que alguns consideram um pequeno milagre”, sublinhou a dirigente democrata cristã.
Merkel acrescentou não poder “prometer” que não haja mais divergências na coligação no poder, em queda nas sondagens, garantindo, no entanto, que o centro direita permanecerá no poder após as legislativas de 2013.
FA.















