Emigração
Emigração para a Alemanha está a mudar, com a chegada de muitos licenciados
O paradigma da emigração portuguesa para a Alemanha está a mudar, com a chegada nos últimos anos, a metrópoles como Berlim ou Munique, de muitos licenciados de diversas áreas, atraídos por um mercado de trabalho mais compensador.
Tal como os seus compatriotas que começaram a emigrar para a Alemanha nos anos sessenta, para voltar a pôr de pé uma indústria arrasada pela guerra, a saída de Portugal dos novos emigrantes foi também motivada pela falta de perspectivas de um emprego compatível em Portugal, que retarda também eventuais planos de regresso à pátria.
“Penso que dificilmente regressarei a Portugal, apesar de o meu pensamento estar lá todos os dias”, diz Manuel Faria, que chegou à Alemanha em 1976, começou a trabalhar numa expedição, e acabou por se tornar comerciante.
“Aquilo que se vê de Portugal não é nada animador, e tenho mais garantias sociais na Alemanha, o que me faz ter receio de regressar um dia”, diz o emigrante de 58 anos, natural de Barcelos.
Luís Batalha, formado em antropologia social, a trabalhar no Museu das Comunicações de Berlim, ainda não tem 10 anos de Alemanha, mas partilha algumas das preocupações do seu compatriota.
Este emigrante sublinha que o país de origem vai ter de esperar por ele “nos próximos anos”, e que as condições que a Alemanha lhe oferece “não são comparáveis às que existem em Portugal”, quer quanto à progressão na carreira, quer quanto às recompensas financeiras.
E dá um exemplo elucidativo, um jovem como ele, que termina o curso universitário e começa a trabalhar num museu de Berlim, ganha, logo de entrada, o mesmo que um director de departamento de um museu em Portugal.
André Isidro, 29 anos e licenciado em Estudos Europeus, prefere sublinhar as perspectivas profissionais que encontrou em Berlim, onde implementa projectos para uma grande multinacional da área das comunicações integradas.
A facilidade em arranjar emprego em Berlim surpreendeu-o, e embora soubesse que era mais fácil do que em Lisboa, um mês depois de estar na capital alemã já tinha iniciado um estágio na empresa onde está, que mais tarde lhe ofereceu um contrato fixo.
“Entretanto, tenho vários colegas de curso que também vieram para Berlim, e outros conhecidos com cursos universitários que já encontrei aqui, vieram à procura de uma perspectiva de trabalho e de uma vida diferente, e têm-se saído bem”, sublinha André.
Carlos Faísca, 65 anos, tem uma história bem diferente: saiu de Portugal nos anos sessenta, para não ter de fazer o serviço militar e ir para a Guerra nas Colónias, e começou por ter uma vida bem dura no país de acolhimento.
“Comecei por trabalhar numa fábrica de chumbo, em Hamburgo, estive lá um ano e meio, e depois fui para a marinha mercante alemã, fui marinheiro durante muitos anos, até me estabelecer com um restaurante na Alemanha”, conta o reformado, entretanto a viver em Loulé, sua terra natal.
Mas agora viaja frequentemente entre Portugal e a Alemanha, porque os dois filhos ficaram a viver no país onde nasceram, lamenta este emigrante da primeira geração.
















