Joaquim Peito

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Joaquim Peito
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12 Erros que mudaram Portugal

Por Joaquim Peito

Sabia que D. Afonso Henriques não queria ser rei e não bateu na mãe mas sim no amante dela? Só não gostava do padrasto, Fernão Peres de Trava. Afonso Henriques, o Conquistador dava-se bem com a mãe e foi empurrado para a guerra pelos nobres e pela igreja que não queriam ficar dependentes de Galiza e assim nasceu a independência do condado portucalense. “A existência de Portugal é o nosso primeiro erro”, conclui sem dúvidas, João Vasco Almeida, co-autor do livro “12 Erros Que Mudaram Portugal”.
E para quê falar de erros? Nós portugueses, levamo-nos demasiado a sério. Somos chatos e não sabemos rir de nós próprios. Alguma vez imaginou que o Papa João XXI, que era português de nome Pedro Hispano, quando o nomeram Papa, se enganou no número que escolheu para colocar à frente do seu nome? Só não reparou que nunca houve um XX. E o nosso maior erro foi tê-lo deixado ir para Roma. Durou oito meses e foi um dos primeiros médicos a escrever recomendaçoes específicas para melhorar o coito. Ou que, ainda, foi um rei o maior criador de ratos da Europa?

Os relatos do livro – 12, como os erros – oscilam entre a narrativa histórica e os episódios de humor ou nonsense. Todos verdadeiros. Uma tradição inglesa ou brasileira (“O Português que nos Pariu”, da autora e jornalista brasileira Angela Dutra de Menezes de grande sucesso nas livrarias brasileiras.
Neste livro, e pela primeira vez, a História de Portugal é passada a pente fino, à procura das grandes mentiras, grandes equívocos, e suas consequências no país que temos hoje, dos idiotas que governaram o País e das trapalhadas que estão na génese daquilo que hoje conhecemos como o «bravo povo lusitano». Fruto da pesquisa nas mais conceituadas fontes históricas, 12 Erros Que Mudaram Portugal analisa cada um dos episódios de forma simples mas eficaz, mostrando o que de errado se passou em 800 anos de Portugal.

Com este livro, o leitor compreenderá finalmente o «gene tuga», a tendência para o desenrasque, as raízes do colesterol – foram os portugueses que o inventaram porque insistem em fritar tudo -  e do cancro do tabaco – que também foi culpa nossa – e como nunca os governantes, desde o princípio, tiveram um plano que se aproveitasse. A não ser aquela questão das caravelas. Mas, mesmo aí houve asneira.
«Criar um hino para um país não foi, nem de perto nem de longe, a intenção de Keil do Amaral nem de Lopes de Mendonça. A ideia era tão simples como a de criar uma cantiga para apoiar a selecção nacional de futebol, mas depois, por motivos que escapariam aos autores, a musiqueta acabou cantada nas bocas do Estado. Imagine o leitor, por exemplo, que um golpe de Estado tinha feito da música de Nelly Furtado Como Uma Força o hino de Portugal para o século XXI e a cada 25 de Abril o Presidente e o primeiro-ministro cantariam, em uníssono, na Assembleia, os belos versos "Como uma força / como uma força / que ninguém pode parar..."».
Cavaco Silva errou quando aceitou o aumento de 50 escudos nas portagens da ponte 25 de Abril. O PSD perdeu as eleiçoes, Cavaco Silva foi derrotado por Jorge Sampaio nas presidenciais. Era o fim do cavaquismo. Por causa dos 50 escudos.

Este é o tipo de cozinhado que, se bem não fizer, mal não faz. Sejamos generosos: com estes livros de divulgação aprende-se sempre alguma coisa, nem que seja daquelas histórias para contar nas reuniões de família. “D. Afonso Henriques, o Conquistador,  afinal, não bateu na mãe, tinha era um certo pó ao amante da mãe?” Este é o tipo de tirada capaz de desbloquear uma conversa, iniciar um animado debate sobre o complexo de Édipo ou simplesmente mostrar que estamos perante uma pessoa de cultura geral acima da média.
Este volume não está mal conseguido, se atendermos os objectivos a que se propôs. E aqui é preciso salientar um aspecto muito importante: o título é 12 Erros que Mudaram Portugal e não “Os 12 Erros que Mudaram Portugal”. Ou seja, os autores escolheram uma dúzia de acontecimentos marcantes da História de Portugal e tentam contar-nos o que correu mal, ou que equívoco terá estado por detrás desse evento. Em regra, foram escolhidos momentos marcantes, mas quando a selecção se torna mais aleatória revelam-se algumas fragilidades. Por exemplo, o que terá sido mais marcante na nossa história contemporânea, o buzinão, ou a decisão de última hora de Sá Carneiro de ir de avião, e não de carro, para o Porto, na noite de 4 de Dezembro de 1980? Isso, sim, foi um erro...
Desnecessário era que surgissem erros de português. “Concelho de Segurança da ONU”? Principalmente, quando se critica o analfabetismo: “Em Portugal, já há época um país maioritariamente analfabeto...”. Vá lá, não engrossem a lista!

O livro escrito a meias pelo jornalista da revista “Focus” João Vasco Almeida e por Rui Baptista, técnico do Instituto Geográfico Português,  reuniram neste livro doze dos mais caricatos erros de Portugal ao longo de 800 anos. Alguns de circunstância, outros graves e reveladores da nossa falta de jeito para a administração. Cruzam-se dados de várias fontes e comentam-se criticamente os acontecimentos, sem se ter a pretensão de se criar um livro de História. Desde os erros de D. Afonso Henriques aos da Inquisição, passando pelo deslumbramento de D. João V com o ouro do Brasil, até às influências nefastas dos portugueses na alimentação mundial, passando pela invenção do colesterol, tudo é mirado pelos autores. Os últimos capítulos são dedicados às incongruências do hino nacional, aos erros de Marcelo Caetano por não democratizar o país e do próprio Cavaco Silva, aqui apontado por não ter, desde o princípio, tomado conta dos portugueses do ponto de vista afectivo
Há males que vêm por bem ou com os erros é que se aprende, são sentenças que estamos cansados de ouvir. Mas serão elas, de facto, regra? Ou, antes pelo contrário, os males vêm sempre por mal e com os erros erra-se e pronto?
O resultado é um livro chamado 12 erros que mudaram Portugal, que acabou agora de sair (edição Guerra & Paz) e todos os pretextos são bons para ficarmos a saber um bocadinho mais de História de Portugal. Bem disposto, este é um livro oportuno e o objectivo é não chatear.
História de Portugal em 12 disparates.